Cultura

“A única luta que se perde é, sem dúvida, aquela que se abandona!»

COMUNICAÇÃO DE ALBERTINO HOMEM BRAGANÇA, FEITA NA SEDE DO SPORTING CLUBE DE S. TOMÉ, EM COMEMORAÇÃO DO 50º ANIVERSÁRIO DA ASSOCIAÇÃO CÍVICA PRÓ-MLSTP

S. Tomé, 15 de Junho de 2024

                Hoje, face ao convite do meu amigo António Ramos Dias, Presidente da Associação “ COMBATENTES DA LIBERDADE DA PÁTRIA”  resolvi falar da Associação Cívica Pró-MLSTP, a popular CÍVICA, que se embrenhou corajosamente nos gloriosos caminhos que se abriam à Independência de S. Tomé e Príncipe.

                Perante a tarefa de abarcar tema tão valioso para a divulgação no seio da juventude de um dos mais heróicos e destacados episódios da história do país, aceitei, sem qualquer tibieza, a solicitação, já que, passados que são cinquenta anos sobre tão relevante evento, parece ter-se esbatido na memória dos santomenses que a viveram, em Portugal e em S. Tomé e Príncipe, as recordações de um tempo que marcou de forma profunda o fascínio e o génio político dos jovens que o protagonizaram.

                De facto, uma onda de indiferença parece, no entanto, marcar no país a persistente luta empreendida pela Associação Cívica, o movimento que abriu caminho à mobilização de vastas camadas de santomenses para a concretização de algo que se revestia de um especial significado no combate a um regime tenebroso, caduco e sem alma como o colonial.

       Tudo começou em Junho de 1974, com a criação da Associação Cívica pró-MLSTP, – organização a que se deve inequivocamente associar o nome do Dr. Gastão d’Alva Torres, personalidade investida de um destacado papel na entrada em funções da força política que representaria no território o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – e, simultaneamente, com o entusiasmo, a coragem e o fervor patriótico de uma juventude incomparável e generosa, que de tudo prescindiu para, à luz dos princípios e dos valores que a animavam, dar vida ao sonho maior de um país e de todo um povo – a Independência Nacional.

         Aqueles que, como eu, participaram directamente nas peripécias de um tempo pleno de emoções, investido do entusiasmo próprio dos que vibram com o seu país e que com ele sempre se solidarizaram, não podem prescindir da ocasião que ora lhes é propocionada para trazer à colação as passagens mais vibrantes do cenário político da época, vividas ainda em Portugal, apelando desde logo à intervenção da Cívica, como sejam a manifestação de 2 de Agosto, organizada por santomenses e caboverdeanos, com o apoio de toda a esquerda portuguesa, indo do Jardim da Estrela ao hotel Ritz para, sob a ameaça da polícia de choque, reivindicar perante o então Secretário-Geral da ONU, Kurt Waldeim, o direito à auto-determinação e à independência para Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe, países não incluídos na declaração de 27 de Julho do General Spínola, então Presidente da República portuguesa; as jornadas de luta pela libertação do capitão Peralta, oficial cubano capturado na Guiné-Bissau, onde apoiava o PAIGC; a intervenção nos agitados comícios no Rossio; a promoção de S. Tomé e Príncipe ao longo do Portugal rural, feita através de palestras e do Grupo de Canto criado para o efeito; a participação na mediática tomada da chamada Procuradoria dos Estudantes Ultramarinos, órgão fascista de enquadramento e controlo dos estudantes africanos, e a criação, em seu lugar, da Casa dos Estudantes das Colónias – estas são imagens inesquecíveis que nos conduzem de regresso a um passado que tanto impacto teve no nascimento, que assim começava, do S. Tomé e Príncipe livre e soberano.

         Seguiu-se depois a estafante e arriscada missão de mobilização, a nível interno, a qual submeteu à prova a coragem, a abnegação e o candente patriotismo dos elementos provindos de Portugal e dos demais que no país pugnavam, – sob a decidida orientação de Alda do Espírito Santo e encabeçados por Filinto Costa Alegre -, merecedores no seu conjunto de uma citação muito especial, porque a luta então por eles empreendida tinha lugar num contexto marcado pela insegurança, incertezas e dúvidas e em que o órgão colonial assumia ainda a plenitude das rédeas do poder.   

         Tempos de abnegação e de manifesta coragem, mas também de tensões e incompreensões entre os santomenses, motivadas por percepções e interesses díspares, cujos efeitos como que se repercutem ainda hoje no tecido sócio-político de um país que tarda a encontrar-se com o seu próprio destino.

            Um período de disputas que não devem ser desenquadradas do contexto em que se desenrolaram, mas também de ingratidão e injustiças, que levaram à calúnia e perseguição da Associação Cívica, urdidas “pelos que viram frustrados os seus intentos e pelos que passaram a temê-la, porque recearam que os seus elementos viessem a disputar-lhes o poder, porquanto a independência do país já se encontrava assegurada”(1).

           A sugerir, de igual modo, a necessidade de um estudo profundo sobre as reais motivações dos seus diversos protagonistas, o que talvez ajudasse a melhor entender a razão de ser das divergências e das manigâncias do presente e a melhor preparar o futuro.

          E isso, porque a única luta que se perde é, sem dúvida, aquela que se abandona!

      MUITO OBRIGADO PELA VOSSA ATENÇÃO

  NOTA

  • Carta de Gastão d’Alva Torres, publicada em 5 de Julho de 2012 pelo TELANON.
9 Comments

9 Comments

  1. Rei Amador

    17 de Junho de 2024 at 22:33

    Viver no Passado Não Da, Passado é Referência

    História é apenas: Referência para travar os males do passado.

    O Dr. Gastão d’Alva Torres romantizou-se com os pulas esquecendo que os “brancos” não são e nunca serão amigos verdadeiros dos “negros” africano de pele escura ou pele clara.
    Ou invés de abraçar o povo nas roças, treinar os pobres para autossuficiência e auto se defenderem contra os corruptos e fantoches, muitos como Torres foram lá na Europa engraxar os pulas, comer batatas fritas, carne e beef, vinho tinto, viver vida deles.
    Esqueceram do nosso dialeto e nossa cultura.
    Esqueceram o povo pobre
    Não quiserem que os pobres aprendessem para desenvolverem e para desafiarem a teia de corruptos ladrões, elite corrompida, e classe política pôdre.
    Todo esse efeito vê-se em fraqueza de liderança em todos os países africanos de língua oficial portuguesa.
    Resultado fraco!

    Pro-cívica está antiquado
    Não abraçaram o pan-africanismo e algumas ideais do Kadafi e outros líderes africanos que foram assassinados com ajuda de agentes ocidentais.

    Deixa de falar a mesma coisa
    Frente é caminho e mudar de direção

    Hoje na CNN Portugal, o Almirante Gouveia e Melo da Marinha Portuguesa atrevidamente declara que eles é que descobriram São Tomé, estão lá há mais de 500 anos, e não vai sair.

    Já viram? O abuso
    Bem feito!

    Educar o povo santomense! Precisamos de Santómas cultos e espertos/as
    Poucos existem

    Triste…

    • Mepocom II

      18 de Junho de 2024 at 16:51

      O Mepocóm é um agente clandestino pago da PIDE portuguesa. Ele, santomense, só de nome é perigo muito grande para São Tomé e Príncipe.
      É preciso muito cuidado porque alguns mulatos e alguns bumbos fantoches já foram vendidos contra o interesse nacional.
      É preciso abrir os olhos com esses gajos.
      Vi-os cá em Lisboa a gritar Portugal Portugal Portugal contrário do país de origem S. Tomé.
      Temos de nos manter em estado de alerta indefinitivamente….
      O navio com as tropas de Portugal já está no nosso mar pronto para nos invadir a qualquer momento por ordem do Marcelo.
      Minha gente, Perigo Perigo!
      Alerta

    • Espião Portugal

      18 de Junho de 2024 at 18:51

      Espião é aquele ou aquela que espia contra interesse Santomente em favor dos interesses de Portugal.
      Espião é também traidor da pátria.

  2. Chefe de Estado-Maior da Armada

    17 de Junho de 2024 at 22:51

    Ele: Diz a minha idea
    Validando o meu entendimento relativamente ao treinamento do povo de país dele e que a sociedade portuguesa seja definitiva neste modelo
    Repetitivamente: Tenho dito para treinar o povo santomense (em vários níveis quer seja político, militar, produtivo em termos de tecnologias, finança e gestão, leis, história, saúde e nutrição, etc.
    Almirante copiou a minha idea e usou-a para convencer o povo português.
    Ele apela o treinamento dos brancos de Portugal
    Ninguém em São Tomé quer ouvir o meu apelo?
    Treinar o povo santomense para travar os abusos no país é uma estratégia que não pode ser ignorado porque de outra forma todos nós coletivamente vamos sofrer muito mais na pele
    Mais tarde não vem cá reivindicar

    Essa Anca pouco desenvolvida fala de mar, mas ela não sabe quem está a fazer e desfazer no mar santomense são os pulas da marinha de Portugal e os traficantes. Piratas-piratarias

    África tem que se unir!

  3. Não Queremos Marinha ou Qualquer Contingente Militar de Portugal em São Tomé ou no Príncipe

    17 de Junho de 2024 at 23:04

    Nós Já Não Queremos Marinha ou Qualquer Contingente Militar de Portugal no mar ou no território ou no mar santomense.

    Sai fora! Agora!

  4. Estou Nervoso com Portugal

    17 de Junho de 2024 at 23:07

    Correção
    Nós Já Não Queremos Marinha ou Qualquer Contingente Militar de Portugal no território ou no mar santomense.

    Sai fora! Agora!
    Portugal fora fora fora!
    Sai!

  5. Vosso Dinheiro e Riquezas Roubadas Estão Presos. Não Sai, Não Volta

    17 de Junho de 2024 at 23:49

    Todo dinheiro que vocês roubaram do povo e depositaram nos bancos no ocidente, Portugal etc., nenhuma grana vai sair dos bancos. Os brancos estão a negar os bumbos negros africanos em tirar depósitos, de pôr as mãos no dinheiro que roubaram os pobres d’Africa. Os corruptos, gatunos da classe política, elite delusional de São Tomé e Príncipe perderam.
    Quando vão a Lisboa tentar extrair dinheiro que roubaram os tugas dizem “não, não podes.”
    Bem feito!
    E agora? Quem é parvo?
    Vocês são.
    Aprende!
    Coisa de praga!
    Roubaram o povo santomense para alimentarem os brancos!
    Quem faz isso merece punição.
    Quem mata a nossa gente com fome merece morte!

  6. UEFA

    18 de Junho de 2024 at 2:07

    Portugal contribui para estragar São Tomé e Príncipe.
    Contra Portugal fogo e ferro!

  7. Josete Marieta

    19 de Junho de 2024 at 18:57

    É assim que se fala, rei Amador, porque estes senhores que viveram e que estiveram presentes no bem bom em todas as ratoeiras, os Bragança e companhia, nada fazem para fazer mudar e/ou tentar de remediar sobre a triste miséria em que o país vive. São Tomé e Príncipe está numa livre,já com uma parte no abismo,e ninguém tem coragem de bater com as mãos na mesa e dizer basta…stop, vamos parar e refletir juntos/ unidos para encontrarmos uma solução. Em vez de enfrentarem solidáriamente esta situação, cada um foge e esconde as nádegas da agulha,ninguém é capaz de osar propôr, pelo menos, um encontro, uma reunião onde unidos poderão ao menos sentir-se capaz, mais forte e com menos medo de pôr termo ao homenzinho lá, o tal do Patrice Trovoada.
    Acordem e comam banana, fruta pão…ganhem força para enfrentar um só e único homem que vos faz tremer, ora que o homem em questão é um cobarde, a prova é que ele foge do país desde que não tem os guardas-costas que o seu cargo de 1° ministro lhe garante. E vocês têm medo do tal individuo. É triste😥 e lamentável.

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