A residência da família são-tomense Graça do Espírito Santo, na Rua Actor Vale, na capital portuguesa, foi hoje (10.07) homenageada por ter sido ponto de encontro de nacionalistas africanos que, na década de 1950, deram os primeiros passos para a libertação das colónias portuguesas em África.
A casa, onde vivia Andreza Graça do Espírito Santo, conhecida por “Tia Andreza” (1906–1989), acolheu entre 1951 e 1954 os encontros do Centro de Estudos Africanos (CEA). Ali reuniam-se jovens da Casa dos Estudantes do Império, entre os quais Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Mário Pinto de Andrade.

A iniciativa da homenagem partiu do investigador alemão Gerhard Seibert, do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, e foi acolhida pelo embaixador são-tomense em Portugal, Esterlino Gonçalves Género, que presidiu à cerimónia.
Para o embaixador, foi um momento “para evocar uma memória coletiva que, durante demasiado tempo, permaneceu silenciosa nos corredores da história”. Esterlino recordou que foi naquele espaço que os nacionalistas da Casa dos Estudantes do Império “fermentaram ideias que, mais tarde, dariam origem aos movimentos de libertação nacional, não apenas de São Tomé e Príncipe, mas de várias nações africanas então sob o domínio colonial”.
Leonel Mário d’Alva, antigo primeiro-ministro e presidente da Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe, presente na cerimónia, disse à DW que ali “se discutia o presente e o futuro de África”, reforçando a importância do pan-africanismo e da unidade do continente.
Foi descerrada uma placa comemorativa na entrada do edifício, um gesto simbólico que reforça a memória de um local emblemático para a história dos movimentos de libertação africanos.
Fonte: DW / João Carlos