Política

“Volvidos esses 50 anos não estamos onde gostaríamos de estar”

A declaração do Presidente da República Carlos Vila Nova no acto central da celebração dos 50 anos da independência nacional, reflecte o sentido da maioria dos santomenses.

Os avanços relatados por Carlos Vila Nova, sobretudo no sector da educação, são insuficientes para atenuar a desilusão política, social e económica.

O Chefe de Estado apelou a unidade nacional, ao combate do ódio e do rancor. Suplicou pela estabilidade social e governativa. 

A paz social que desapareceu sobretudo depois dos acontecimentos de 25 de Novembro de 2022, fez parte do discurso do Presidente da República. Carlos Vila Nova exortou as autoridades competentes «a de uma vez por todas darem o respectivo seguimento e conclusão ao processo da morte de 4 cidadãos na sequência da invasão ao quartel das forças armadas em 25 de Novembro de 2022».

4 civis detidos pelas forças, acabaram por morrer após tortura. «As autoridades devem o desfecho deste caso às vítimas, aos seus familiares e à sociedade. A vida é um bem jurídico supremo e é a todos os títulos inadmissível os que contra ela atentam fora das causas da justificação previstas na lei e são impunes. É necessário que a verdade seja conhecida, e que a justiça seja feita em conformidade com as leis em vigor na nossa República», frisou.

Com 50 anos, a República Democrática de São Tomé e Príncipe deixou de ter um sistema de justiça que atenda as necessidades do povo. Segundo o Presidente da República, São Tomé e Príncipe ganhou o estatuto de país de rendimento médio, o que amplia os desafios para a construção do desenvolvimento sustentável.

A participação do povo no acto central foi irrisória. Os cidadãos que foram a praça da independência na manhã de 12 de julho, exigiram acção dos decisores políticos, pois de discursos já estão cansados.

Abel Veiga

1 Comment

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  1. Edson Neves

    14 de Julho de 2025 at 6:43

    Caro jornalista, adorei a sua matéria, permita-me fazer algumas considerações que acredito ser motivação para a baixa participação da população no Ato Central.
    Há cinquenta anos o povo é enganado com discurso vazio, promessas falsas, promessas de ver a vida melhorar enquanto ela se deteriora, em contramão às condições de vida dos que assumiram o poder (ex Presidentes da República, Primeiros Ministros e seus Ministros de Estado e Secretários).
    Há cinquenta anos vemos o poder tornar-se instrumento para cada político alcançar seus propósitos particulares em detrimento do povo santomense que sofre com diversidades de problemas (fuga de cérebro por ausência de política do Estado para atrair quadros, alta taxa de desemprego, crescente violência, economia frágil, ruas esburacadas, mal sinalizadas, sem calçamento, avenidas e vielas sem iluminação pública, doentes morrendo por falta de medicação e de hospital apetrechado (enquanto os donos do poder tratam suas doenças nos Hospitais da Europa sem burocracia excessiva), péssimo salário, alto preço de alimentos, falta de energia elétrica, baixa qualidade de vida, sistema judiciário seletivo, péssimo sistema educacional (basta visitar os esqueletos das quase-universidades que temos- haja vista que poucos alunos podem pagar as propinas-salas vazias, bibliotecas com meia dúzia de acervos, falta de pesquisa, professores desmotivados, etc), corrupção desenfreada, esquecimento dos cabo-verdianos (população que ajudou a construir esse país), maus tratos aos idosos (da ativa assim como os aposentados e pensionistas), maus tratos aos que já partiram desse mundo e se encontram à direita do Pai Celestial (basta visitar o mortuário ou as condições dos Cemitérios do país ), a falta de política pública do Estado Santomense em todas as áreas (que não se confunde com a política que cada Chefe de Governo implementa quando eleito), a perseguição instalada no seio da Administração Pública à adversários políticos, a má-fé com que se lida com a coisa pública, a falta de seriedade dos que governam o país e as injustiças praticadas pelo Estado.
    Qual motivação tem o povo? Iria fazer o quê ali no Ato Central comemorativo?
    Ouvir em pé mais um discurso vazio dos donos do poder e aplaudi-los?
    O povo é idiota ou palhaço?
    O povo está cansado, calejado de frustração.
    Aplaudir o discurso de apaziguamento sem que os familiares das vítimas do forjado golpe de Estado sintam o poder da justiça (que deveria se manifestar na sentença e condenação dos mandantes e executores dos homicídios bem como a justa indenização à essas famílias das vítimas).
    Aplaudir a falta de infraestrutura que São Tomé e Príncipe vive nesses cinquenta anos? Quantos hospitais públicos foram construídos nesses 50 anos de independência?
    Comparecer em massa por qual motivo? Talvez a população devesse comparecer em massa para manifestar a sua liberdade de expressão (diga-se de passagem um direito constitucionalmente assegurado) protestando, exigindo que se faça justiça nesse país, que haja mais ação e menos discurso de quem foi eleito com a promessa de fazer e nada fez.
    Obrigado pela oportunidade. Continue cumprindo a sua função social (informar, educar e dar voz ao povo santomense). Sem a imprensa livre não há democracia.

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