Sinamandla Kwepile
Por: Amosse Mucavele
Os líderes criativos do continente africano vão unir forças para o Global Creative Summit (GCS) inaugural, que acontecerá em Joanesburgo, de 13 a 15 de novembro de 2025. Sob o lema “Visa para o Mundo”, o Summit marca um momento decisivo para a economia criativa do continente: um movimento colectivo que une música, cinema, moda, literatura, diplomacia e comércio sob uma única voz africana.
O Global Creative Summit surge como uma plataforma essencial dedicada a impulsionar as indústrias culturais e criativas do continente, reconhecer o seu potencial transformador para o desenvolvimento sustentável e o crescimento económico em toda a África.

Em entrevista exclusiva dirigida pelo Amosse Mucavele, por sinal a primeira em Moçambique, Sinamandla Kwepile, fundadora e directora executiva do Global Creative Summit (GCS), conta o histórico, os possíveis caminhos da indústria criativa africana e o espaço que a arte africana ocupa no mundo, sem descurar o potencial transformador para o desenvolvimento sustentável e crescimento económico em todo continente.
1. O Global Creative Summit se apresenta como o ponto de encontro entre a criatividade do mundo e o poder cultural do continente africano. Que mensagem se pretende transmitir com essa fusão?
O Global Creative Summit representa a África a assumir seu lugar legítimo na economia criativa global. Por muito tempo, a nossa cultura tem sido inspiração para o mundo, mas não sua beneficiária. O GCS é o espaço onde isso muda. É onde o mundo encontra a África em igualdade de condições, onde criatividade, inovação e herança se conectam para impulsionar a transformação. Minha mensagem é simples: a África não está a espera para ser descoberta; a África é a descoberta.
2. Como o GCS pretende converter a energia criativa em impacto económico real para Joanesburgo, Gauteng e o continente africano?
Somos muito intencionais em transformar a criatividade em comércio. Através de nossa parceria estratégica com o AMPD Studios, em Newtown , que actua como sede oficial e Centro Global de Criação do GCS, onde estamos a construir programas focados na formação, incubação e acesso a mercados para jovens criativos.
Em parceria com o SAE Institute, estamos a desenvolver iniciativas de capacitação que empoderam os criativos com habilidades digitais e empresariais. Joanesburgo e Gauteng, motores culturais e económicos da África se beneficiarão directamente por meio do turismo, do crescimento de empresas e de investimentos internacionais. Trata-se de usar a criatividade como motor de um impacto económico sustentável.
3. O evento se alinha à agenda do G20 sem fazer parte oficialmente dela. Que papel o GCS aspira desempenhar nas conversas globais sobre economia e desenvolvimento criativo?
O GCS está profundamente alinhado aos grupos de engajamento Y20 (Juventude 20) e C20 (Sociedade Civil 20), dentro da estrutura do G20. Enxergamo-nos como a voz cultural e criativa de África dentro desse ecossistema global. Nosso objectivo é levar a agenda criativa da África: inovação, propriedade intelectual e empreendedorismo para o diálogo económico mundial. Queremos mostrar que as indústrias criativas africanas não são apenas activos culturais, mas aceleradores económicos.
4. Embora as indústrias culturais e criativas contribuam com 3% do PIB global, a África continua sub-representada. Que acções concrectas o GCS propõe para reverter esse cenário?
Estamos a mudar isso por meio de parcerias práticas. Uma delas é com o Mercado de Indústrias Culturais e Criativas de Moçambique (MICMZ), dirigida pelo curador Amosse Mucavele, uma plataforma dinâmica que promove arte, música, moda, literatura, design e cinema em toda a África lusófona. Essa colaboração fortalece o comércio e o intercâmbio cultural entre fronteiras.
Também temos a honra de contar com o apoio oficial do Departamento Nacional de Desportos, Artes, Cultura e Recreação, através do gabinete da vice-ministra, Peace Mabe, bem como do Departamento de Desportos, Artes, Cultura e Recreação de Gauteng. Juntos, estamos a moldar políticas e caminhos que tornam as indústrias criativas africanas mais visíveis, rentáveis e competitivas globalmente.
5. Como o GCS vai facilitar o acesso de criativos africanos aos mercados internacionais e garantir a protecção da propriedade intelectual em um contexto global competitivo?
Acesso e protecção caminham lado a lado. Por meio do GCS, estamos a facilitar ligações comerciais, treinamentos e parcerias que permitam aos criativos monetizar seu trabalho internacionalmente, ao mesmo tempo em que protegem seus direitos. Estamos a dialogar com organizações como o Pan-African Film Consortium e a International Society of Diplomats para fortalecer a diplomacia criativa africana e defender mecanismos justos de propriedade intelectual que protejam criadores além das fronteiras.
6. O evento destaca cinco sectores-chave: música, cinema, literatura, design e negócios criativos. Qual deles melhor simboliza o renascimento africano e por quê?
Sem dúvida, a música. A música é a linguagem universal de África, viaja mais rápido que qualquer política ou acordo comercial. Do Amapiano ao Afrobeats, a música africana está a liderar o som global. Mas devo dizer que o design, a literatura e o cinema estão em constante crescimento, todos fazem parte do mesmo batimento cardíaco do renascimento africano. O GCS celebra a interseção entre essas disciplinas como parte de um movimento criativo unificado.
7. Ao sediar o encontro em Rosebank, um polo que conecta a energia cultural de Joanesburgo ao epicentro empresarial de Sandton. Como O GCS espera equilibrar a visão artística do evento com sua dimensão económica e comercial?
Rosebank é o símbolo perfeito do que estamos a construir, uma fusão entre criatividade e comércio. É onde a arte encontra o investimento. Com mais de 750 delegados esperados de toda a África e do mundo, o GCS criará um ponto de encontro entre formuladores de políticas, criativos e investidores. Nosso Jantar de Gala de Investimentos será focado em transformar ideias em negócios, e nossa Exposição de Comércio Criativo destacará o potencial económico da criatividade africana. O próprio local reforça nossa missão provar que a criatividade não é apenas cultural, é comercial.
8. O turismo cultural é um dos grandes trunfos do GCS. Quais são as expectativas em termos de visitantes, investimentos e legado económico?
Esperamos mais de 750 delegados locais e internacionais, e esse número se traduz em um ganho comercial e económico, falo da hospitalidade, transporte e negócios locais. Mas, para além dos números, nosso objectivo central é a sustentabilidade.
Através do Centro Global de Criação no AMPD Studios, o GCS continuará a promover formações, exposições e projectos que incentivam a colaboração contínua. Queremos deixar mais do que um evento, queremos construir um sistema que mantenha os criativos empregados, capacitados e conectados.
9. O GCS fala sobre derrubar barreiras à mobilidade criativa. Que mudanças políticas ou diplomáticas seriam necessárias para transformar essa ambição em realidade?
A África precisa de um quadro político integrado para o sector criativo, desde os sistemas de visto mais simples, rotas comerciais mais abertas para bens culturais e uma proteção mais forte aos direitos autorais. O GCS está a dialogar activamente com órgãos como a Agência de Desenvolvimento da União Africana (AUDA-NEPAD) e com mercados regionais como o MICMZ para construir essas pontes diplomáticas.
A mobilidade criativa não diz respeito apenas a viagens, é sobre acesso, equidade e o livre fluxo de talentos e ideias pelo continente.

10. Mais do que um simples congresso, o GCS pretende ser um “passaporte para possibilidades”. Que legado espera deixar para o continente africano e para as futuras gerações de criativos?
Para mim, o verdadeiro legado do Global Creative Summit é o empoderamento. Estamos a construir um ecossistema que vai perdurar além do evento, onde jovens criativos têm acesso à formação, a mercados e a oportunidades que antes pareciam inalcançáveis.
Com parceiros como o AMPD Studios, o SAE Institute, o MICMZ e o Departamento Nacional de Desportos, Artes, Cultura e Recreação, estamos a criar um movimento, não apenas um congresso.
O futuro da economia africana é criativo, e o GCS é a ponte que nos levará até lá. Nosso legado serão as histórias, carreiras e indústrias que nascerem a partir desta plataforma.
BúZIO
4 de Novembro de 2025 at 14:41
É altura dos Jovens Africanos, das Mulheres Africanas/São-Tomenses assumirem a liderança dos processos(liderança feminina jamais confundir competir com homens, ser mais , mandar, a palavra deve ser respeitar a diferença, respeito, trabalhar em cooperação, colaboração).
É altura dos poderes, as instituições, a sociedade, a comunidade, apostar, dar possibilidades aos jovens, as mulheres, por preparação, para liderança, tudo começa no seio familiar, boa instrução/educação(para isso o poder judicial a responsabilização dos pais encarregados de educação, o ministério publico, as entidades/instituições o trabalho de prevenção e assertividade em prevenção juvenil, gravidez precoce, violações infantis, violência domestica, consumo de álcool, consumo de estupefaciente, trabalho infantil), boa educação/formação institucional para cidadania, para liderança, fortalecer das instituições, formações profissionais internas, a justiça,…
Potencial enorme de produção, crescimento económico e financeiro
Necessidade de políticas de retorno integração dos imigrantes nacionais que queiram regressar, políticas de infraestruturas, habitação, rendimentos, fortalecimento do sector financeiro nacional, poupanças, fortalecimento da moeda nacional( o peso em ouro de depósitos, criação de uma conta de salvaguarda para emergência, sustentabilidade), tecnologias de informação e comunicação, comercio digital, línguas, comercio, agricultura, a pecuária, as pescas, o turismo, os serviços, a saúde, as artes, o artesanato, a cultura, a gastronomia, a beleza, a moda etc…
Bem como a salvaguarda dos idosos, a terceira idade, criação de faculdade sénior, transmissão de saber e conhecimentos, podem ser útil a sociedade, viagens internas de turismo, juntando a ecologia, o turismo agrícola, agropecuário tudo isto é e será conhecimento, fortalecimento do tecido social económico.
Ama a ta terra, as tuas gentes, ajuda a desenvolver a terra que te viu nascer
Estuda, trabalha, investiga, inventa, cria empresas