Desporto

Bragança homenageado como figura do futebol nacional

HOMENAGEM

Hoje, a minha homenagem vai ao encontro de um homem do futebol de S.Tomé e Príncipe que dispensa grandes apresentações.

ALBERTINO HOMEM DOS SANTOS SEQUEIRA BRAGANÇA, uma das destacadas figuras do mundo do futebol das ilhas. Foi jogador, treinador-jogador e treinador.

Conhecido no mundo do desporto e particularmente do futebol como “DOUTOR”, Albertino Bragança nasceu a 9 de Março de 1944 na Cidade de S. Tomé, Freguesia da Graça.

Desponta para o Futebol aos 14 anos de idade, no futebol não federativo como avançado-centro (ponta de lança), na Académica do Liceu e no Sporting de Braga (então, a denominação da equipa do Riboque). No futebol federativo, já com 16 anos, representou as cores do Sporting Clube de S. Tomé (1960), onde chegou a fazer 4 épocas desportivas. No Sporting Clube de S. Tomé, foram diversos os títulos conquistados entre Campeonatos e Taças.

Aos 19 anos, ainda na época colonial, tem a sua primeira internacionalização, ao integrar, por empréstimo, a equipa do Andorinha que disputou, em 1963, o 1º. Campeonato Ultramarino, o que lhe permitiu enfrentar as equipas do Sporting de Lourenço Marques, (Moçambique), o Clube Ferroviário de Luanda, (Angola) e o Boavista da Praia (Cabo Verde).

No pós-independência, actuou, em 1976, enquanto treinador/jogador, pela selecção nacional, no Torneio da África Central, em jogos com o Gabão, Congo e o Ruanda. Comandou também a seleção nacional que se deslocou à República da China, em Agosto de 1978.

Abandona o clube após a época de 1964, e segue para Coimbra, para prosseguir os estudos e integrar a equipa da Académica, o que, por variadas razões, não surtiu o desejado efeito.

Doutor em Primeira Pessoa:

Surjo no futebol santomense num contexto em que começou a reinar no país uma intensa crispação racial, no âmbito da qual o Sporting Clube de S. Tomé, nascido em 1912, se destacava pelo importante papel assumido na consciencialização dos santomenses para a defesa, preservação e afirmação dos valores consubstanciadores da sua identidade.

A guerra em Angola viria a acentuar o ambiente de contradição racial e política então existente, cujos reflexos se repercutiam igualmente no futebol, pelo que, jogar no Sporting, a única formação clubista que resistiu ao pendor sedutor dos colonos, (o que permitiu aos mesmos a conquista da direcção dos principais clubes de futebol santomense, à excepção do Sporting) era assumir, com convicção, o compromisso daí decorrente.

Daí que cada partida de futebol desenvolvida pelo clube trouxesse consigo o compromisso da vitória, pelo futebol em si mesmo, mas também a consciência de que esta reforçava a ideia do salutar espírito de representação de um grupo social para quem a vitória muito significava.

Do ponto de vista da qualidade do futebol praticado, pode dizer-se que o Sporting se preparava de forma muito empenhada, tendo como treinador Cândido Tavares, um reconhecido militar da gesta dos melhores técnicos portugueses, pois fora treinador da selecção militar do seu país, a qual reunia nomes sonantes dos melhores praticantes do apelidado desporto-rei.

Como treinador:

Falar do meu percurso e da selecção nacional é invocar a acção tenaz levada por mim a efeito, no sentido de dar a conhecer aos jogadores uma versão mais avançada do futebol, criando neles a visão de um jogo com princípios bem específicos, tanto quando temos a posse da bola, como quando a perdemos para o adversário.

Tratou-se de uma fase bem embrionária, que se traduziu por alguns resultados absolutamente desanimadores, mas que foi igualmente permitindo que tanto o Riboque como a seleção se fossem entrosando como reflexo da sua nova maneira de encarar o jogo, não obstante, no caso desta última, a raridade das partidas em que era, de facto, participante. Daí, a alegria e a esperança que decorreram da primeira vitória obtida num jogo desenrolado no Estádio 12 de Julho, contra o Uganda.

POR : Nelson d´Alva 

 

 

 

 

 

 

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