Desporto

Do centro do mundo para o “epicentro” da ultramaratona

São Tomé Príncipe, um paraíso no centro do mundo, será de 18 a 23 de  Julho próximo,o epicentro da prova internacional, Ultramaratona, que pela segunda vez decorre no arquipélago, depois da edição de 2020, numa organização da Global Limits e daMucumbli Explore.

Nesta semana, o Téla Nón traz a grande entrevista com o Tiziano Pisoni (Mucumbli Explore), um dos organizadores da prova, que é vista pela organização como uma grande montra para o turismo desportivo santomense.

Téla Nón (TN): Quando e como surgiu a ideia de realizar esta prova em São Tomé e Príncipe?

Tiziano Pisoni (TP): O turismo desportivo é um segmento do turismo que está a desenvolver muito nos últimos anos, os organizadores deste tipo de evento estão à procura de novos destinos pouco conhecidos e únicos para organizar os seus eventos. A Global Limits, empresa da Alemanha que organiza este tipo de evento em vários países do mundo, tais como Camboja, Butão, Albânia entre outros, veio para São Tomé e Príncipe em 2018 para explorar a possibilidade de organizar um evento no país.

TN: Como Mucumbli Explore aparece nesta organização? 

TP:A Global Limits tinha contactado outro parceiro em São Tomé em 2018, mas parece que não correspondeu às expectativas e às exigências dos organizadores, pelo que em 2019 a Global Limits entrou em contacto com Mucumbli Explore e conseguimos chegar a um acordo que permitiu realizar a primeira edição da ultramaratona em Fevereiro de 2020.

TN: Qual a impressão que os participantes tiveram das nossas trilhas e da nossa gente na primeira edição?

TP: Todos os participantes ficaram encantados com a paisagem exuberante do arquipélago e do acolhimento caloroso da população ao longo de todo o percurso. Além do evento desportivo os participantes procuraram uma experiência de vivência com a população local e os acampamentos dentro das comunidades como Agostinho Neto, Monte Café e Água-Izé, que facilitaram estes contactos e intercâmbios culturais.

TN: Quantos corredores participaram na primeira edição da prova e os países oriundos dos mesmos? 

TP:No ano passado tivemos 60 participantes provenientes de 28 países diferentes representando os 5 continentes (Alemanha, Reino Unido, França, Espanha, Albânia, Portugal, Suíça, Países Baixos, Suécia, Dinamarca, Áustria, Grécia, Irlanda, Itália, Japão, Cingapura, Coréia, Hong Kong, Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Canada, México, Argentina, Venezuela, Brasil, África do Sul e São Tomé e Príncipe.

TN: Essa prova vem sendo realizada há quantos anos? 

TP:A primeira edição foi realizada em 2020 (fevereiro), este ano de 18 a 23 de Julho vai ser realizada a segunda edição. 

TN: O que é uma prova de ultramaratona?

TP:São consideradas competições de desporto extremo, são corridas com grandes distâncias. Esta de São Tomé e Príncipe denominada “Hemisphere Crossing” são 200 km em 6 dias. Existem outras competições que chegam a fazer até 150 km num único dia. Os participantes nem sempre são atletas de alto nível, mas são pessoas comuns que gostam do desporto, que querem desafiar os próprios limites e que aproveitam estas manifestações para conhecer novos países. Na edição do ano passado tivemos um participante dos Estados Unidos de 81 anos que completou a prova.

TN: Como foi a participação santomense na prova? 

TP: São Tomé e Príncipe participou no ano passado com dois concorrentes que se classificaram no primeiro e terceiro lugar. Ótimo resultado, considerando que era a primeira vez que participavam numa prova desse tipo.

TN: Para este ano, a prova está agendada para quando?Como será a participação dos santomenses desta vez?  

TP:A prova será realizada de 18 a 23 de Julho, este ano teremos um número menor de participantes devido às limitações nas viagens ainda em vigor em muitos países, mas teremos uma maior participação de santomense, por enquanto temos inscritos dois rapazes e duas raparigas.

TN: Quais as perspectivas em termos de corredores? Vão percorrer as mesmas trilhas? Quais serão os dias da prova? Quantas etapas e o respectivo km? 

TP:Este ano estamos a prever cerca de 30 corredores e mais uma dezena da equipa técnica e médica da organização. O percurso será o mesmo do ano passado:

18 de Julho: Agostinho Neto a Monte Café 36 km

19 de Julho: Monte Café a Bombaim 31 km

20 de Julho: Bombaim a Água-Izé 29 km

21 de Julho: Água-Izé a Ribeira Peixe (Praia Grande) 59 km

22 de Julho: Ribeira Peixe a Praia Piscina 28 km

23 de Julho: Praia Piscina a Ilhéu das Rolas 16,5 km

Para um total de cerca de 200 km com cerca de 4600 metros de desnível

TN: Quem sustenta a prova? 

TP:Cada participante paga a sua própria inscrição que permite dar cobertura aos custos da organização.

TN: O que país ganha com a realização do evento com a dimensão internacional?

TP: Tendo em conta que uma das maiores limitações do desenvolvimento do turismo em STP, deve-se ao desconhecimento do nosso país a nível internacional, um evento desse tipo que envolve quase 30 países diferentes, é uma grande oportunidade para dar mais visibilidade ao país a nível internacional, pois o evento é publicado em todas os maiores sites específicos do setor e permite a muitas pessoas de descobrir São Tomé e Príncipe, este “Paraíso no centro do mundo”.

TN: Quando é que abrirão as inscrições? Qual será o valor da inscrição?Os nossos atletas terão como custear ou vão beneficiar de inscrições grátis? 

TP:As inscrições foram abertas desde o ano passado e estão atualmente fechadas para a edição 2021, mas dentro em breve irão abrir as inscrições para a terceira edição (2022). Todas as inscrições são feitas online no site da Global Limits, o valor da inscrição ronda por volta de 1800 €. Além do custo da inscrição, cada atleta deve ter os equipamentos obrigatórios. Os atletas santomenses vão ser patrocinados por algumas empresas, Mucumbli Explore vai patrocinar a participação de um atleta santomense e estamos à procura de outras empresas interessadas em apoiar a participação dos nossos atletas.

TN:Quais foram os grandes obstáculos da primeira edição? Se tiveram, elas serão superadas nesta edição?

TP:No ano passado contamos com o grande apoio do Ministério dos Desportos e da Direção dos Desportos que facilitou toda a organização e não tivemos assim obstáculos maiores. Para a edição deste ano o Ministério da Juventude e Desporto e a Direção dos Desportos garantiram já o apoio institucional, pelo que consideramos que não terá problemas maiores. Contudo teremos sim desafios maiores relacionados com a execução dos Testes COVID, pois os atletas vão terminar a prova na sexta feira e viajam já no sábado a seguir, pelo que estamos junto com a Direção dos Desportos para encetar contactos com as autoridades sanitárias para encontrarmos uma solução.

TN: Como a última questão. As eleições presidenciais de 18 de Julho não causarão constrangimentos à organização da prova? 

TP:Este aspeto já foi analisado junto do Ministério da Juventude e Desportos, mas tendo em conta que a alteração das datas podia comprometer a participação de muitos atletas que já se programaram para estas datas (bilhetes de avião internacionais, pedido de férias, etc..), decidimos manter as datas previstas tendo em conta que a nossa atividade não vai interferir com as atividades eleitorais.

Martins dos Santos

    2 comentários

2 comentários

  1. Vanplega

    14 de Junho de 2021 as 19:55

    Nāo gosto desta palavra, Centro do Mundo.
    Mesmo sabendo que està correcto.

    Cm è possivel estar no Centro do Mundo e que o mesmo Mundo, ñ vê nossa desgraça!

    Os dirigentes deste Pais, transformar seu povo, num miseràvel. Coisa nunca antes vista nesta paragem.

    A miseria, tomou conta da populaçāo, sem trabalho, sem pāo e nem àgua. A populaçāo, tornou pedinte, è uma luta, jà ñ conhecemos nossos irmāos. A inveja imperar, aumentou ladrāo no paìs.

    Povo de Sāo Tome e Principe, esqueceu da palavra humanismos, humildade. Apreenderam a palavra, ROUBO E DESTRUIÇĀO

    Como podemos estar no Centro do Mundo, que este Mundo, ñ olha para nòs!

    Quando dinheiro ROUBADO neste Pais, vai para CONTAS sadiado neste outro MUNDO e que minguèm os prende?

    Nòs os Sntomenses, nāo aceitamos a MISÈRIA, que colonos PRETOS nos IMPUSERAM.

    A NOSSA MISÈRIA UM DIA VOÇÊS NOS PAGARAM

  2. Lima

    15 de Junho de 2021 as 10:02

    Estou de acordo consigo Vanplega.Somos o centro mais é da miseria do que centreo de um mundo respeitado onde a populacao pode viver do seu suor e nao dos lixos que cada um traz fazendo querer que é para ajudar.Essa maratona que custa 1800 euros havera um santomense capaz de participar a esse preco mesmo estando ele a trabalhar no estrangeiro.Quantos ganham isso no esteangeiro.Essa gente que ca veem para satisfazer os seus prazeres de todo tipo nao nos traz nada de bom.Nesse periodo de covid STP tem meios para controlar e saber quais sao afetados.Porque cada um pode levar justificacao falsa.Estaremos num periodo de eleicao essa atividade no mesmo dia so vai perturbar o pouco que temos de chamado democracia.Porque é nesse dia que o povo vai votar que os jovens com idade para tal vao ter que votar.Sera que eles mesmo nao tendo dinheiro para participar na maratona vao poder ir votar?Talvez vao escolher de irem assistir a maratona.Pergunto eu o organizador quer desviar a nossa atencao para nao votarmos?
    O que esse envento trara de bom para essa terra?Essa questao foi posta mais parece-me que nao houve resposta.O turismo o tirismo,conhecem algum pais que so vive de turism?Nao ha infrastrutura nenhuma,nem a capacidade de resorver como tratar dos lixos.O turismo traz muito lixo.Mesmo essa maratona vai produzir muito lixo.O que fazdr deles?Como proteger a populacao desses que veem das doencas que podem la levar para alem da covid?Que equipamentos sanitarios temos?Se alguem que sofre de dores nos ouvidos o conselho é de lavar com agua oxigenada ate quando e sera que usso é um tratamento digno?Crianca com problema que foi detetado e que precisa uma intervencao cirurgical que nao é grito e nem é transferida para estrangeiro para ser tratada.Ate quando vamos continuar a viver de brincadeira,satisfazendo o prazer desses que so utilizam o nosso pais para os seus proprios bem estar.
    O organizador diz que talvez vai ajudar um ou uma santomense porque ninguem tem dinheiro para essa brincadeira deles.Vamos ter que contentar-mos sempre desse bocado?Que beneficio tiramos disso tudo pergunto ainda.Ha é para fazer conhecer o pais.
    Continuem a destruir,continuem a levar a fundo esse povo que era simples nao tao cobicador e sue hoje esta amatar para posduir,esta roubando mesmo os pobres para possuir etc.Talvez um dia terao 1800 euros com viagem paga e tudo para participarem livremente tambem nas actividades dos outros paises.Um visto de ferias de um mes nao se obtem com familia que pode acolher mais sem visto muitos ca veem ver .Ver o que?Para passarem o tempo a medisar o outro achar sempre que o outro é pobre e que nem ferias fora ele nao merece.porque pagar ele pode mais pensao que ele nao deve nao tem direito.Enfim enfim.Povo de 200000 almas.

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