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Um tão utópico gesto

Inocência Mata (FLUL/CEC)

No dia 24 de Julho tive o privilégio de abrir, na Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe, a Cerimónia de Entrega das Cartas de Curso dos estudantes da Universidade Lusíada de São Tomé e Príncipe (ULSTP) que terminaram o curso em 2020. Foi a 1ª vez que tive a oportunidade de estar presente porque normalmente essa cerimónia acontece em Abril – em pleno ano lectivo. Na altura fiz uma intervenção, em que tentei enquadrar o Ensino Superior num país como São Tomé e Príncipe e o lugar da ULSTP nesse contexto. Ora, como  a TVS – a única televisão do país! –,que repetiu 2-3 vezes outras intervenções, ostensivamente voltou a ignorar a minha presença e nem sequer uma única vez se dignou passar um único segundo de qualquer imagem sobre a minha intervenção, quando deveria fazê-lo por ser um ÓRGÃO PÚBLICO, decidi publicar o texto da minha intervenção:

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UM TÃO UTÓPICO GESTO 

Permitam-me, antes de mais, cumprimentar de forma deferencial os estudantes finalistas, que foram os dinamizadores da nossa presença aqui! Sois, hoje, os mordomos da Festa!

Sinto-me imensamente honrada por estar aqui, nesta pioneira instituição são-tomense, a participar, pela primeira vez, nesta cerimónia em que é me concedida a distinção de vos dar as boas vindas!

A Universidade Lusíada de São Tomé e Príncipe é um projecto arrojado, numa altura em que havia vozes que defendiam que um país como São Tomé e Príncipe, pequeno e insular, não careceria de uma instituição do ensino superior. Habituámo-nos, e normalizámos, a ideia de que a formação de quadros se faz no exterior do país, mediante bolsas de estudo, ou não (embora este não seja uma parcela minúscula), dependentes da boa vontade  de países amigos, e com a probabilidade de um legítimo destino diferente que os formados possam querer para as suas vidas no exterior.

Esta subvalorização do ensino superior como um dos motores do desenvolvimento, que em África se tinha interiorizado,  foi desmontada na Conferência de Paris sobre o Ensino Superior, organizada em 1998 pela UNESCO – refiro-me à WORLD CONFERENCE ON HIGHER EDUCATION FOR THE TWENTY-FIRST CENTURY: VISION AND ACTION –  assim como, dois anos depois, pelo relatório da equipa conjunta UNESCO/Banco Mundial, apresentado em Fevereiro de 2000, em Nova Iorque, durante a Semana do Ensino Superior. Nestes mais de 20 anos depois desta conferência, muito se tem feito em termos do ensino superior e da investigação em África, de que um dos mais evidentes gestos foi a criação do CODESRIA (Conseil pour le développement de la recherche en sciences sociales en Afrique/Council for the Development of Social Science Research in Africa/Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais em África), criado em 1973 e sediado em Dacar. E desses gestos vieram sinais evidentes de que a filosofia prevalecente nas últimas quase três décadas teria que ser revertida para mudar a aparentemente crónica situação de dependência técnica de África que tem sempre de recorrer ao exterior – mormente ao Ocidente – para a formação de quadros e para o conhecimento técnico-científico, resultando desta situação uma ausência de investigação e um ambiente de trabalho que não incentivam o técnico africano a permanecer no seu país e fazer aí o que tão bem faz fora. Por isso, um dos artigos da Declaração da Conferência de Paris sobre o Ensino Superior refere o estado de braindrain que muitos países vivem e que deve ser estancado a fim de que este processo se transforme em braingain. Reza assim o artigo 16º:

Artigo 16 – Da ‘fuga de cérebros’ para ‘ganho de cérebros’

A ‘fuga de cérebros’ tem de ser estancada, uma vez que continua a privar os países em desenvolvimento da necessária especialização de alto nível para acelerar seu progresso socioeconómico. Os esquemas de cooperação internacional devem ser baseados em parcerias de longo prazo entre as instituições do Sul e do Norte, e também promover a cooperação Sul-Sul. Deve-se dar prioridade a programas de treinamento em países em desenvolvimento, em centros de excelência de formação em redes regionais e internacionais, com curtos períodos de estudo especializado e intensivo no exterior. Deve-se considerar a criação de um ambiente propício à atração e retenção de capital humano qualificado, seja por meio de políticas nacionais ou acordos internacionais para facilitar o retorno – permanente ou temporário – de académicos e pesquisadores altamente treinados aos seus países de origem. Ao mesmo tempo, os esforços devem ser direcionados para um processo de “ganho de cérebro” por meio de programas de colaboração que, em virtude de sua dimensão internacional, aumentem a construção e o fortalecimento das instituições e facilitem o uso pleno das capacidades endógenas (tradução minha).

É neste contexto que surgiu um projecto nacional que visava inverter tal estado de coisas e ir ao encontro do que preconizavam os mentores desse programa de braingain, através de uma formação in loco: a Universidade Lusíada de São Tomé e Príncipe (ULSTP), a primeira do género no país. Um projecto em que me vi incluída por via da minha querida amiga Fernanda Pontifice, que hoje não pode estar presente, ela que esteve durante 11 anos à frente da instituição; envolvi-me neste projecto e tenho tido o privilégio de trabalhar, na Fundação ATENA (que gere a ULSTP), numa equipa que integra o Arq. Liberato Moniz, o Prof. Lúcio Pinto, o Eng. Osvaldo de Abreu, o Dr. Alcídio Pereira, a Dr. Silvestre Leite e, agora, o Dr. Alberto Neto, o actual reitor da ULSTP, que traz a sua  experiência como gestor à esta instituição. E o privilégio de trabalhar com dezenas de professores que hoje trabalham na ULSTP e que por ela têm passado.

Nem tudo é fácil. O espírito de equipa deve ser ensinado aos nossos jovens porque o trabalho de equipa é um aprendizado da capacidade de negociar diferenças, de tolerância, de educação cívica, de humildade – enfim, da vida em comunidade. O trabalho de equipa não pressupõe gostarmos da pessoa com quem trabalhamos – pressupõe, sim, respeitá-lae ouvi-la, considerá-la um interlocutor com quem partilhamos um determinado desígnio. Há muitas versões de um ditado, claramente universal (já o encontrei em muitas culturas da África, da Europa, da Ásia e das Américas) segundo o qual Se Deus nos deu dois olhos, dois ouvidos e uma só boa, por alguma razão foi.  É que esta capacidade é, por exemplo, uma das maiores lacunas da sociedade são-tomense, de que resulta uma incapacidade para dialogar, partilhar experiências e pugnar por um objectivo, sem protagonismos e sem agendas individuais – mas adiante, que este é outro assunto!

Já lá vão quinze anos e dez cerimónias! Hoje a ULSTP tem, neste ano que que está a terminar no dia 31 de Julho, 521 estudantes a frequentar os quatro cursos que oferece (dos 565 inscritos). É que vale salientar que – de novo a ousadia alimentada pela utopia! – que começou este ano o Curso de Engenharia Informática.  E contamos, nos dois semestres, com mais de 120 docentes. Hoje recebem as suas Cartas de Curso 55 estudantes, a saber:  14 de Direito, 28 de Relações Internacionais, 13 de Ciências Empresariais (09 de Gestão e 04 de Economia).

O nosso percurso tem sido de sucesso, mas também de decepções. Temos muitos desafios! Alguns vamos conseguindo superar. Outros não. Vou referir cinco desafios (entre outros), três que temos conseguindo superar, e dois que nos têm suplantado…

Comecemos pelas superações. O primeiro é a existência de uma Biblioteca e isso não é de somenos importância. No início não havia uma Biblioteca e a que hoje existe não é a ideal. Sabemos que temos de melhorar muito, e trabalhamos nisso todos os anos. Mas ela existe! E, já agora, esperamos que a ULSTP possa encontrar mecenas dispostos a contribuir para o apetrechamento da Biblioteca, dotá-la de um acervo que sirva não apenas os alunos da ULSTP, mas outras pessoas que precisem de consultar uma biblioteca para um qualquer assunto; entidades (pessoas colectivas e individuais) que possam, assim, contribuir para o desenvolvimento da Educação, o Ensino e a Cultura.

Por outro lado, um dos nossos desafios sempre foi a dinamização dos pilares de uma Universidade. Uma Universidade é, simplificando, uma instituição do ensino superior que se apoia em três pilares: o Ensino, a Investigação e a Extensão curricular, isto é, a ligação à sociedade. Quanto a isso, temos em vista um Centro de Investigação, em parceria com uma instituição portuguesa, que não pretendemos que seja apenas da ULSTP, mas da sua congénere e com o apoio de agentes sociais e económicos e do sector empresarial de São Tomé e Príncipe. Não me deterei sobre isso porque não é a intenção desta (que deveria ser breve) intervenção. Do mesmo modo, estamos a conseguir estabelecer um padrão no que diz respeito a CONVERSAS DE GRAVANA, que já vai na sua 4ª edição – e que este ano teve como tema Redes sociais e democratização cívica. O que queremos com essas tertúlias aparentemente informais? Contribuir para a exercício do debate, para a promoção da cultura do debate. Devo dizer que dessas CONVERSAS DA GRAVANA já resultou um livro, publicado em 2018 – O Papel do Cidadão em Tempos de (Des)Encantos– e esperamos publicar um segundo em 2022.

Falemos agora dos “calcanhares de Aquiles”: o primeiro diz respeito à nossa incapacidade em criar um corpo docente com dedicação exclusiva, dadas as condições do país – e isso tem prejudicado o processo de ensino/aprendizagem e de dedicação dos professores à ULSTP. É algo que nos ultrapassa. É que, infelizmente, em São Tomé e Príncipe há muitas vantagens em trabalhar para um Estado omnipresente (não me deterei neste aspecto, que nos levaria a uma outra discussão, mas esta é também uma das nossas maiores fragilidades, enquanto País e enquanto Estado). O segundo insucesso tem sido a impossibilidade, que nos ultrapassa igualmente, em a ULSTP ter um programa na televisão – a única do país. O que temos tentado conseguir há pelo menos quatro anos? Uma rubrica, que fosse por semana, de não mais de cinco minutos em que os professores da ULSTP, revezando-se, apresentariam, de forma pedagógica, um aspecto cientifico, seja sobre o uso da língua, a história, a geografia, a saúde, direito, fiscalidade, relações internacionais, enfim – matérias leccionadas na ULSTP ou não, aspectos do conhecimento que a Universidade deve pôr ao alcance da sociedade para que o saber não fique confinado aos “privilegiados”. Não temos conseguido. E as razões não são bonitas – aliás, são bem feias!

Desistiremos? Como? Com estes jovens que nos dão esse sentimento de gratificação?

A ULSTP é uma  instituição que visa a transmissão e a difusão da cultura humana, científica e tecnológica através da ensino, da investigação, da prestação de serviços especializados que promovam saberes e valores em São Tomé e Príncipe, potenciando um ensino superior como factor de desenvolvimento, aberto e solidário com todos aqueles que, de uma forma ou de outra, queiram prestar a sua melhor colaboração elevando a sua vertente de Educação, de Formação para o Desenvolvimento e para o Serviço Público.

Contamos convosco, jovens que hoje recebeis as vossas Cartas de Curso, para contribuir para mudar o espectro deste país!

MUITO OBRIGADA!

E DECLARO ABERTA ESTA SESSÃO.

São Tomé, 24 de Julho de 2021

    7 comentários

7 comentários

  1. Docas09

    5 de Agosto de 2021 as 12:05

    A próxima conquista que o país alcançará será a independência da Comunicação Social, em especial a Comunicação Social pública.Já se sabe que tanto a TVS como a Rádio Nacional, estão ao serviço do governo do momento, e não de S.Tomé e Príncipe.
    Um outro exemplo desta realidade é a atitude da TVS perante o impasse que se via no Tribunal Constitucional.
    É uma pena.

    Parabéns por ter feito o alerta e de ter publicado o seu discurso, Professora Inocência Mata.

    Isto não pode continuar assim por muito mais tempo. E será bom que o partido que vencer as próximas eleições legislativas, não vá pelo mesmo caminho. É possível, para o bem de STP.

    Tenham um bom dia.

  2. João josé da costa

    5 de Agosto de 2021 as 14:46

    Oh! O que é que esta senhora pensa. Quem és tu.

    • Lima

      5 de Agosto de 2021 as 20:39

      Qual é a sua questao?De que senhora tu estas a perguntar?
      Nao sabes que é ela.Leia mais uma vez aquilo que ela escreveu.A inteligencia é isso ler ate perceber.Mas bom, quem pergunta tambem nao perde.

    • Gregorio+Furtado+Amado

      6 de Agosto de 2021 as 12:48

      Que tanta ignorância? Que jornalista és tu?

  3. Lima

    5 de Agosto de 2021 as 17:48

    Oh dona Inocencia eis uma ideia para obter livros e ter bibliotecas:pedir cada um que ca vem de trazer consigo um livro venha ele de qualquer pais do mundo.Os livros novos ou ja utilizados.Quando descem do aviao,ao mesmo tempo que teem o passaporte e o bilhe do desembarque entreguem como oferta um livro seja ele do dominio que for:historia geografia matematica,economia,filosofia,sociologia,direito,desenhos e artes,politica,romances,de agricultura,de medecina,de literatura.Todos os livros que ja foram lidos ou novos tragam convosco um livro para essa terra.Assim teremos bibliotecas,grandes ou pequenas,de letra como de ciencias e artes.O que pensa a senhora dessa ideia?O que pensa os leitores desse comentario ou por outra dessa ideia?Podemos e somos capazes de por em accao essa ideia simples e que nao custa nada.Os meu filhos ja nao precisam dos seus livros eu quando viajar para o STP levo um, dois, tres livros para prehencher as bibliotecas de STP.
    Entao quando é que vamos meter isso na pratica?Se conseguem levar drogas levem um outro tipo de droga :livros.,livros,livros.Nao havera controlo no aeroporto dessa droga chamado livro.Livro para que os nossos tenham capacidades de avancar em todas as linguas e em todos os dominios possiveis.
    Se quizeres me contactar para pormos essa ideia na pratica eis o meu endereco e-mail:cloe.nobreza@215wanado.gr.
    Agradeco desde ja esse gesto para o bem dos nossos.

  4. Lima

    5 de Agosto de 2021 as 20:34

    Muitas palavras foram cortadas entao vou de novo expor a ideia.
    A ideia é simples.
    Vamos pedir a cada passageiro que descer do aviao no aeroporto de STP traga com ele um ,dois ou mais livros e oferaca-o no aeroporto para que seje entregue para constituir bibliotecas escolares,universitarios em STP.
    Digo que se as drogas ca veem entao facamos dos livros uma droga especial .Nao havera controlo no aeroporto para esse tipo de delito.Um ,dois ou mais livros trazidos pelos passageiros sejam eles naturais da terra ou turistas.Diz-se que por ano veem visitar a terre cerca de 15000 turistas.Imaginemos que cada um oferece um livro teremos livros a mais.
    Ponhamos na pratica essa ideia. O endereco e -mail é este para que juntos possamos realizar esse projeto:cloe.nobreza@215wanado.gr
    Assim vamos satisfazer uma des preocupacoes da dona Inocencia.
    Ela é uma das santomenses que reside na Europa a muitos anos e que possui uma grande experiencia seja ela teorica como pratica.
    Nao nos propoe, de cultivar drogas para que os nossos mais pobres tenham a possibilidade de enviar os filhos para o estrangeiro.Ele estudou com o dinheiro da droga?Todas as doencas cura-se com o oleo do canabis?A onde é que se viu isso?Ele deveria propor o cultivo do matrussu,de folha damina,folha de ponto,de mayoba,folha xalela e mais plantas medicinais.
    Aqueles que por razoes pessoais lutam para serem ministros sem capacidades de reflexao e que se deixam levar pelas propostas vindas pelos mais aldraboes possiveis.Do petroleo nao vemos nem uma gota agora dizem que é com a plantacao da droga que iremos longe.
    Mais que desgraca…
    Estao a lutar para um posto de presidente porque assim vao poder viver uma boa vida:sair para o estrangeiro quando quiserem,possuir tudo sem um minimo de esforco intelectual.
    Com livros teremos biblioteca ,com biblioteca teremos leitores,como leitores os jovens como os menos jovens estarao bem informados.Livros vindos de todas as partes do mundo.Livros de todos os dominios:literatura,geografia,filosofia,psichologia,matematica,medecina,agricultura,desenho,artes,etc.Livros em todas as linguas.
    Droga nao,livros sim.Estou com essa conviccao que nao havera no aeroporto controlo sobre os livros mesmo os romances,livros de cultura geral etc.Uma universidade é um conjunto de faculdades entao precisa-se de livros para todos os dominios, literarios como cientificos.
    A Dr Inocencia com experiencias teoricas e praticas que possue pode e esta fazendo aquilo que um cidadao santomense que tem essa bagagem deve fazer.
    Nao se incomode se nao foi honorada pela televisao ou radio dessa terra.A sua notoriedade nao precisa passar por esses orgaos.Todos aqueles que na outrora foram HOMENS e que estao inscritos no MUNDO nao precisaram desses meios mesmo se ,como se diz teem-se que viver com o seu tempo.Esqueca a radio e a televisao.
    200000 mil pessoas 19 candidatos.Com que preocupacao?Com que projeto?Com que objetivo?
    A prova é que estao ainda no cambate para o poder,poder que lhes vai levar a abusar da confianca que o povo depositou neles.
    Voce quer ajudar ,quer responder a senhora Inocencia entao ajude a construcao de bibliotecas oferecendo livros seus,dos seus filhos que eles ja nao precisam porque vai servir para os alunos do ensino primario ate a universidade.Tragam livros cada vez que chegam nessa terra mais nao levem nem cultivem a droga.Se os parentes desse ministro tivesse utilizado drogas ele hoje estaria crianca da rua ou estaria num hospital psiatrico.
    Tem muita beleza estar-se sentado numa biblioteca lendo,escrevendo,escutando.De la sai muitas coisas.Uma biblioteca serve de passa tempo nas tardes dos sabados ,ocupa as horas livres,permite de se estar fora da casa de maneira instrutiva.Pode servir de lugar de encontros etc etc
    Bilioteca sim ,livros sim.

  5. Lima

    6 de Agosto de 2021 as 11:33

    Voces nao querem que os leitores leiam o meu artigo?Sejam inteligentes.Digam por que razao cortam as palavras impedindo assim a comprehencao do texto escrito.
    Que estupidez,que falta de confianca pessoal que falta de inteligencia.

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