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Rotas terrestres na África são duas vezes mais mortais que vias do Mediterrâneo

PARCERIA – Téla Nón / Rádio ONU

Relatório apontando lacuna persistente de dados atribui fluxo de migrantes a conflitos, choques econômicos, repressão e impacto das mudanças climáticas; pelo menos 785 pessoas perderam a vida ou desapareceram nas rotas do Mediterrâneo durante o primeiro semestre deste ano.

Agências das Nações Unidas anunciaram que as rotas terrestres na África são duas vezes mais mortais que as vias do Mediterrâneo, tidas como o trajeto marítimo com mais mortes de migrantes no mundo.

Os dados foram compilados pela Agência da ONU para Refugiados, Acnur, pela Organização Internacional para as Migrações, OIM, e pelo Centro Misto de Migração no relatório “Nesta jornada, ninguém se importa se você vive ou morre.”

Origem dos migrantes

A publicação apresentada nesta sexta-feira, em Genebra, aponta novos conflitos e instabilidade em países como Mali, Burquina Fasso e Sudão como causas para a alta de viagens em direção ao Mediterrâneo. Mas a Nigéria, Cote d’Ivoire ou Costa do Marfim, e Guiné-Conacri são os principais países de origem dos migrantes.

OIM/Andi Pratiwi – Narrativa de mortes no deserto é comum entre pessoas que cruzaram o Saara

Fatores como conflitos, choques econômicos, repressão e impacto das mudanças climáticas em nações em desenvolvimento impulsionam o fluxo de migrantes que cruzam fronteiras, ainda com alto risco de sofrer abuso físico ou mesmo morrer.

De acordo com o estudo, os refugiados e migrantes atravessam cada vez mais áreas onde operam insurgentes, milícias e outros criminosos. Nesses locais abundam o tráfico humano, os sequestros por resgate, o trabalho forçado e a exploração.

Nesta segunda edição, lançada quatro anos após a primeira análise, os autores dizem não haver estatísticas abrangentes sobre o total de mortes nas rotas terrestres na África.

Fluxo de migrantes com destino à Europa

No entanto, o Acnur estima que o valor real esteja acima do triplo de refugiados e candidatos a asilo registrados na Tunísia entre 2020 e 2023. O país registra um alto fluxo de migrantes em trânsito com destino à Europa.

A rota terrestre do Mediterrâneo foi atravessada por mais de 72 mil migrantes e refugiados no primeiro semestre deste ano. Nesse período morreram ou desapareceram mais de 785 pessoas na rota.

OIM – Proporção das pessoas fazendo viagens e enfrentando riscos de violência sexual, sequestro e morte é agora mais alta em comparação com o relatório de 2020

O enviado especial do Acnur, Vincent Cochetel, citou relatos de sobreviventes segundo os quais “contrabandistas transportam doentes em caminhonetes pelo deserto, lançam-nos fora ou não voltam para resgatar os que caem”.

Ele explicou que a narrativa de mortes no deserto é comum entre pessoas que cruzaram o Saara. Já na ilha italiana de Lampedusa, algumas pessoas contam sobre conhecidos que morreram no mar.

A Organização Internacional para as Migrações, OIM, estima que mais de 3,1 mil pessoas morreram na travessia do Mediterrâneo no ano passado.

Ação internacional inadequada

O documento produzido com base em depoimentos de 31 mil pessoas revela que a ação internacional tem sido inadequada e aponta para “enormes lacunas” na proteção.

Estima-se que 1.180 pessoas tenham perdido a vida durante a travessia do Deserto do Saara, entre janeiro de 2020 e maio de 2024. De acordo com o relatório, o número real pode ser muito maior.

© Unicef/Giovanni Diffidenti Líbia é o primeiro grande ponto de trânsito para migrantes que fogem da guerra e da pobreza na África e no Oriente Médio

A proporção das pessoas fazendo viagens e enfrentando riscos de violência sexual, sequestro e morte é agora mais alta em comparação com o relatório de 2020. O maior perigo está em países como Argélia, Líbia e Etiópia.

Remoção de órgãos

Durante a recolha de dados também foram constatados casos de remoção de órgãos, uma prática que acontece há anos.  Cochetel contou que às vezes, os migrantes concordam com essas remoções como uma forma de ganhar dinheiro.

Em grande parte das vezes “as pessoas são drogadas e o órgão é removido sem seu consentimento, e se apercebem mais tarde que um rim está faltando”.

O documento aponta a Líbia como o primeiro grande ponto de trânsito para migrantes que fogem da guerra e da pobreza na África e no Oriente Médio. Em março, uma vala comum foi descoberta no oeste líbio com corpos de pelo menos 65 migrantes mortos no deserto.

2 Comments

2 Comments

  1. ANCA

    7 de Julho de 2024 at 19:25

    Antes de desenvolvermos aceitarmos um plano, um projecto, um investimento tenhamos em mente o conceito de segurança, de protecção e defesa.

    Esta é uma forma de escamotear o problema, atirar areia, para os olhos dos africanos, políticos e cidadãos, sacudir o problema, empurrar com a barriga, como se fez com o genocídio do Ruanda, quando a acnur, tropas francesas no comando na altura, abriram simplesmente o caminho para genocídio.

    Uma coisa que os Africanos, e nós os São Tomenses, devem ter em mende é saber ler a história, basta pesquisar a história de africa, as história dos tres AAA, Asia, Africa, e America do sul, quanto a subjugação, acesso ao mercado, fonte de matérias primas.

    A África ou os territórios e os povos africanos, estavam em franco crescimento, antes dos europeus,chegarem subjugarem, venderem e escravizarem estes povos ( ter população jovem deve ser considerado um activo valioso), muitas crianças jovens adultos sobretudo homens africanos foram transportados em navios, em condições desumanas, muitos morreram, e os que chegaram, a Europa, as Americas, forma feitoa escravos, para trabalho forçado nas plantações(em Africa igual,de recordar que somos producto desta sociedade, forma 500 anos, somos inde pendentes a 49 anos, háque saber ler r tirar ilaçõeshistoricas), sob chicote, exclusão social, racismo, apartheid, muitos foram mortos,(tudo para manter a antigas metrópole, com productos de que necessitavam, para sua, economia, indústrias, serviços e finanças), pois assim nascia o comércio transatlântico, de pessoas como mecardoria, de productos matérias primas para abastecer, hoje chamado de comercio mundial, mundialização, globalização, os chicotes desparereceram, mas os termos de troca e subjugação, racismo, instituicional mundial se mantém de uma forma sofisticada.

    Nesse entretanto foi abolida a escravatura, mas os povos de pele escura de ascendência Africana continuavam excluído, de direitos, de acesso ao conhecimento e informação, aos grandes centros de decisão.

    Entretanto como sairam mais homens do que mulheres para trabalho braçal nas plantações, permitiu que o continente a África, ir recuperando a sua população, veio a independência grande parte das antigas colónias passaram a ser adminitrava por nativos,pouco preparados, com pouca noção de evolução da economia mundial na altura, sem tomarem em conta os números do crescimento populacional, (activo social, economico e financeiro)imbuidos na vaidades do poder, marionetas ocidental, jamais perceberam o perigo, pôs independência lutas de facções, dividir para reinar, enquanto as guerras, perseguições a fome,a miseria e pobreza, tomavam conta do território e das populações Africanas,paises e povos sem vozes no mundo, o Ocidente ria e sorria, pois que isso permitia continuar a explorar e espoliar recursos e matérias primas destes territórios, muitas vezes impondo condições, de governabilidade(pois que nunca fomos capazes depois da independência,de nos organizarmos, de termos uma cultura de trabalho, jamais sermos rigorosos, exigir a cultura de responsabilidade e responsabilização, aos nosso concidadãos, continuamos com o dividir para reinar), e assim a realidade permanece, continente rico em recursos/populações na miséria, na pobreza, com fome.

    (Quem assim permanecer na cultura habitos comportamentos de dividir pada reinar, sabe o que nos espera, como território, como população, como administração, mar e rios)

    Volta do a notícia, na Europa, na America do Norte, no ocidente pós descolonização, continuava e continua a política de exclusão de povos com mais melanina na pele, os Africanos, jamais permitindo uma boa integração social, empurrando-os para os guetos, para bairros negra sem serviços escolas, saúde, universidades, sem possibilidade de empregos bem remunerados,( assim temos na Europa, na America, no Ocidente, maioria dos africanos nos serviços de limpeza ou atras dos balcões jamais a frente)longe do centro,…sem condições de progressão, sem possibilidade de inverter a realidade de pobreza, miseria, fome e exclusão.
    Muito antes da independência, no pós independência, durante o processo da abertura a democracia nestes territórios, os académicos europeus, americanos, mediante números da estatísticas, perceberam e chamavam atenção, receavam a invasão da Europa pelos povos do Sul.

    Europa America e o ocidente fortaleza, para os povos e productos do sul

    Era da globalização, da comunicação e informação,desenvolvimentotecnológico povos do sul percebendo a estabilidade da europa, da america, continuando a sofrer, pressões, perseguições, guerras, a fome, a miseria, a pobreza, derivado da falta de organização e rigor no seu território, começa a vaga de imigração a qualquer custo e preço, assim, começam aparecer em 2015, os primeiros relatos de embarcações com migrantes no mediterrâneo, corpos de migrantes no mediterrâneo até os dias de hoje.

    Preocupados com esta realidade a europa, a america e o ocidente, fecham ainda mais a fronteira, pois começam a aparecer grupos e partidos de exterma direita, a se posicionarem contra a imigração e imigrantes, solução fechar fronteira cooperação com paises do shael no sentido de pressionada controlar esta vaga de imigração do sul, fechar a fronteira, dar dinheiro a paises no caso da África, do Shaell,ex: caso dos Marrocos, da Tunisia, do Egito, Argelia,dentre outros etc, etc, no Ruanda a criação de campos para refugiados ou expulsos dos territórios europeus e africanos a troca de dinheiro e investimento do europeus e americanos, do ocidente, na América levantamento de murros, armação de arames farpados, controlo fronteiriço.

    Hora estas vagas continuam sem que a união africana ou paises africanos, instituições ou governos, reclamem ou façam algo para normalizar, ou conter ou estabilizar, aproveitando de melhor forma seus concidadãos activos jovens, assim perto da travessia do Shaell, os grupos terroristas, os governos, pedem a eliminação exploração, desta populações como descritas acima.

    Quem assim lê a noticia, pensa os africanos até nisto se estão a matar, veja o que eles fazem a eles próprios, sabendo que é um empurrar do problema com a barriga, grandes vagas de imigração, para fora dos seus territórios, limpando as mãos, dando promessas de dinheiro e investimentos, para que se contenha estas vagas

    Os acnur sabem disso perfeitamente, a união europeia, os paises europeus sabem disto peifeitamente.

    Enquanto impoem a exigência de direito humanos a outros povos, governos, e blocos

    Basta saber onde é que estes órgãos vão, estes estudos são elaborados, como se a morte no mediterrâneo fosse melhor do que a morte na travessia intracontinetal

    Morte é morte, perda de vidas, a fome, a miséria, a pobreza.

    Cabe aos paises africanos, a união africana, as instituições de São Tomé e Príncipe, olhar para estas realidades de outra perspectiva, outra visão e tirar ilações, ler bem a conjuntura e esta realidade.

    Pois que também temos imigração jovens, temos imigrantes, fragilizados, excluidos na sociedade do outro, motivos mais que suficientes para nós São Tomense, as instituições, a sociedade civil organizada, olharmos para potencialidades interna, necessidade de organização, de trabalho, de justica, de rigor, boa governação, condições de organização do território, condições de vida para pessoas.

    Paramos perceber aquilo que foi incutido em nós ao longo dos 500 anos de subjugação, dividir para reinar

    Necessidade de conhecer a Historia de Africa, e do povos, da população Africanos, Historia economica e financeira de Africa, História das instituições Africanas, dis recursos Africanos, implementação no palno curricular no ensino, valorização da cultura, da lingua, da arte, musica e desporto Africano.

    Tu nasceste aqui, tu que cresceste aqui, lembra da tua terra, da tua gente, ajuda a desenvolver o teu País, território, população, administração, mar e rios, com teu saber, com tua opinião inteligente e sabia

    Protege e ama a tua família, a tua esposa, o teu marido, os teus filhos, a tua mãe l, o teu pai.

    Abraça o teu irmão, teu conterrâneo são-tomense igual a ti, mesmo que ele tenha uma opinião diferente de ti.

    Tu es daqui, tu és capaz

    Seja solidário ajuda as nossas crianças e idoso necessitados

    Pratiquemos o bem

    Pois o bem

    Fica-nos bem

    Deus abençoe São Tomé e Principe

  2. ANCA

    7 de Julho de 2024 at 22:08

    Desafios persitem

    Ter noção que somos um pequeno estado insular, com vantagens e desvantagens

    As questões de justica, segurança, protecção e defesa

    A questões da imigração, impõe um olhar para as potencialidades internas, pessoas, território, recursos e administração.

    As questoes de educação, formação de professores, para um ensino de qualidade, reformulação do plano curricular no ensino, necessidade de conhecer a História de Africa, a necessidade de valorização cultural a língua e manifestações culturais, as questões de empregos, investigação e desenvolvimento, formação tecnico profissional.

    A questões de transportes e comunicação, portos e aeroportos

    O desenvolvimento da economia azul e circular, economia do mar e rios, do turismo, do desporto, da economia, diversificação económica e integração no mercado regional Africano.

    A questões de produção e transformação, empregos, rendimentos e poupanças

    A questoes de ambiente e alterações climáticas

    Reformulação reestruturação das instituições, da administração pública

    Segurança alimentar, violações, gravidez precoce na adolescência, violência doméstica, maus tratos infantis, fortalecimento familiar, educação para cidadania

    Responsabilidade e responsabilização, organização, trabalho e rigor

    Questoes ligadas ao conceito de paz

    Dentre muitas outras

    Pratiquemos o bem

    Pois o bem

    Fica nos bem

    Deus abençoe São Tomé e Príncipe

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