Política

Filosofia Ubuntu desperta a consciência da raíz africana em São Tomé e Príncipe

A filosofia Ubuntu está a ser disseminada pela UMOJA. Uma palavra em língua kissuaili de origem Bantu, actualmente dominante no leste do continente africano, nomeadamente no Quénia, na Tanzânia, e demais países. UMOJA significa União.

Uma filosofia que se baseia nos conceitos ancestrais e que promove o retorno à origem africana, ou seja, o caminho para o africano encontrar-se consigo mesmo.

«É uma filosofia africana que quer dizer, alguém só é alguém através de alguém . É essa a filosofia que seguimos religiosamente.  É uma política social de bem estar para todos, e não para alguns apenas», explicou José Santiago representante da UMOJA.

Na última quinta-feira, a UMOJA abriu em São Tomé a segunda cimeira Ubuntu. Intelectuais africanos, a sociedade civil santomense e os decisores políticos marcaram presença na abertura do evento.

«Porquê que eu tenho que viver as raízes do outro. Eu quero viver as minhas raízes. Então o americano que vive a sua raíz. O Ubuntu traz-lhe de volta para onde começamos, que no final é a origem da humanidade. É na África que começou a humanidade, todo o resto que apareceu são derivados da humanidade»,  reforçou o representante da UMOJA.

Mas a história diz que a África foi descoberta pelos colonizadores e os africanos foram civilizados.

«Eramos tão incivilizados, que fizemos o primeiro transplante cardíaco. O bálsamo para as múmias que existe hoje, não se conseguiu descobrir como foi feito. As pirâmides do Egipto! Não se conseguiu descobrir ainda como é que se conseguiu levar 2 toneladas de pedra para cima da pirâmide. A  Universidade de Tombuctu foi a primeira do mundo.  Temos evidências de que de incivilizados, nós os africanos não tínhamos nada. Quem é que criou a universidade de Salamanca? Somos nós. Quem é que levou a leitura e a escrita para a península Ibérica? Somos nós», declarou José Santiago para desmentir a história colonial.

A filosofia Ubuntu contesta a política de assimilação imposta aos africanos durante vários séculos pela colonização.

«O que estamos a fazer neste momento é copiar o outro. Porquê que tenho que criar um arranha céus em São Tomé. Eu não preciso. Quem quer viver como americanos vai para América, quem quer viver como português vai para Portugal. Nós não estamos a copiar ninguém, apenas queremos voltar às nossas origens simplesmente. A nossa mensagem é apenas essa, vamos voltar a ser nós próprios…», frisou.

No Ubuntu sermos nós próprios significa o equilíbrio com a natureza. «No Ubuntu você tem que viver em equilíbrio com tudo, como os nossos ancestrais sempre viveram. Quem destruiu o equilíbrio ambiental não somos nós. Vamos voltar a viver em harmonia com essas 4 premissas. São o ar, o fogo, a água e a terra. Vivendo em harmonia com essas 4 coisas não tem como poluir o ambiente», concluiu.

Os embaixadores dos países africanos acreditados em São Tomé e Príncipe estão presentes na conferência. O governo, através da ministra do ambiente, enalteceu a segunda conferência Ubuntu em São Tomé.

«Nunca é demais sentarmos numa sala e discutirmos sobre nós. Aquilo que podemos fazer e que somos capazes de fazer», afirmou Nilda da Mata.

A Ministra do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável recordou que África foi o berço da humanidade e actualmente representa o futuro da humanidade. É o segundo continente mais populoso do mundo, onde mais de 70% da população é jovem.

«Estou a falar do recurso capital que temos, que são os recursos humanos. Uma sociedade jovem. Temos que mobilizar todo esse capital para o bem estar de África. É chegada a hora, não podemos mais adiar o bem estar da população africana», pontuou a ministra Nilda da Mata.

Durante 5 dias vários intelectuais africanos animam palestras e debates em São Tomé, sobre a identidade, o ser africano e os caminhos para o desenvolvimento de África.

Abel Veiga

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