Economia

Perspectivas Económicas Globais: África subsariana “nuvens escuras”

Janeiro de 2019

Desenvolvimentos recentes: A recuperação na África subsariana continua, embora num ritmo mais lento. Estima-se que o crescimento na região tenha aumentado de 2,6 porcento em 2017 para 2,7 porcento em 2018, mais lentamente do que o previsto, em parte devido a fragilidades na Nigéria, África do Sul e Angola. A região enfrentou um ambiente externo mais difícil no ano que acaba de terminar devido ao comércio global em abrandamento, a condições financeiras mais restritivas e ao dólar americano mais forte.

O crescimento na Nigéria cresceu para 1,9 porcento, mas a produção de petróleo diminuiu a meio do ano e a actividade não petrolífera sofreu diminuição em virtude de uma fraca procura por parte dos consumidores e de conflitos que perturbaram a produção agrícola. Em Angola, o segundo maior exportador de petróleo da região, a economia contraiu-se 1,8 porcento, visto que a produção de petróleo diminuiu. A economia da África do Sul cresceu 0,9 porcento em 2018, visto que saiu de uma recessão técnica no segundo semestre do ano, em parte devido a uma maior actividade na agricultura e na indústria transformadora. No entanto, o crescimento permaneceu moderado, visto que os problemas no sector mineiro e a fraca actividade na construção se agravaram em virtude da incerteza política e da baixa confiança empresarial.

As economias da Comunidade Económica e Monetária da África Central beneficiaram de um aumento na produção de petróleo e dos preços do petróleo que foram mais elevados na maior parte de 2018. A actividade económica nos países respeitadores dos recursos foi robusta, sustentada na produção agrícola e nos serviços, no consumo doméstico e no investimento público. Muitos países da União Económica e Monetária da África Ocidental cresceram 6 porcento ou mais, incluindo o Benim, Burkina Faso, Costa do Marfim e Senegal.

Em toda a região, o financiamento da balança de pagamentos tornou-se mais difícil face ao cenário de custos crescentes do financiamento externo e de diminuição dos fluxos de capital. As moedas na região desvalorizaram à medida que o dólar americano se fortaleceu e que o sentimento dos investidores em relação aos mercados emergentes diminuiu.

Perspectiva:Espera-se que o crescimento regional acelere para 3,4 porcento em 2019, com base na menor incerteza política e no maior investimento em grandes economias, em conjunto com um crescimento robusto contínuo nos países respeitadores dos recursos. Prevê-se que o crescimento per capita permaneça bem abaixo da média de longo prazo em muitos países, dando origem a um pequeno progresso na redução da pobreza.

Espera-se que o crescimento na Nigéria aumente para 2,2 porcento em 2019, assumindo que a produção de petróleo irá recuperar e uma pequena melhoria na procura privada irá obrigar ao crescimento do sector industrial não petrolífero. Prevê-se que Angola cresça 2,9 porcento em 2019 à medida que o sector petrolífero recupere com a entrada em funcionamento de novos campos de petróleo e que as reformas fortaleçam o ambiente comercial. Prevê-se que a África do Sul acelere de forma modesta para um ritmo de 1,3 porcento, num contexto de limitações na procura interna e de despesa pública limitada.

Espera-se que a actividade económica nos países da CEMAC acelere para 3 porcento, beneficiando da maior produção de petróleo e de um aumento na procura interna à medida que a contenção orçamental diminui. Espera-se que o crescimento entre os exportadores de metal aumente moderadamente, sustentado em parte, numa maior actividade mineira. Entre os países respeitadores dos recursos, espera-se que a actividade económica se mantenha robusta, impulsionada pelo investimento público e por uma forte produção agrícola. Prevê-se que a Costa do Marfim se modere para um ritmo de 7,3 porcento. É previsível que o Quénia cresça para uma taxa de 5,8 porcento e é expectável que a Tanzânia acelere para um ritmo de 6,8 porcento.

Riscos: Os riscos para a perspectiva regional tendem para o sentido descendente. Um crescimento mais lento do áfrica que o previsto na Zona Euro e na China afectaria negativamente a região devido a menor procura de exportações e de investimento. Os produtores de metais na região seriam, provavelmente, fortemente atingidos pelo aumento das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China. A normalização mais rápida do que o previsto da política monetária das economias desenvolvidas poderá resultar em acentuadas reduções na entrada de capitais, maiores custos de financiamento e abruptas desvalorizações das taxas de câmbio. A dependência crescente em relação aos empréstimos em divisas aumentou o risco de refinanciamento e das taxas de juro nos países devedores.

Os riscos internos, em particular, permanecem elevados. A incerteza política e um enfraquecimento concomitante das reformas económicas podem continuar a pesar no panorama económico em muitos países. Nos países em que ocorrerão eleições em 2019 (p. ex., Malawi, Moçambique, Nigéria, África do Sul), questões políticas internas podem prejudicar os compromissos necessários para controlar os défices orçamentais ou implementar reformas estruturais, especialmente onde os níveis de dívida pública são elevados e crescentes.

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Previsões para países da África subsariana            
(Alteração percentual anual   excepto indicação em contrário)            
  2016 2017 2018e 2019f 2020f 2021f
PIB aos preços de mercado (USD 2010)            
África do Sul 0.6 1.3 0.9 1.3 1.7 1.8
Angola -2.6 -0.1 -1.8 2.9 2.6 2.8
Benim 4.0 5.8 6.0 6.2 6.5 6.6
Botsuanaa 4.3 2.4 4.4 3.9 4.1 4.1
Burkina Faso 5.9 6.3 6.0 6.0 6.0 6.0
Burundi -0.6 0.5 1.9 2.3 2.5 2.8
Cabo Verde 4.7 4.0 4.5 4.7 4.9 4.9
Camarões 4.6 3.5 3.8 4.2 4.5 4.5
Chade -6.3 -3.0 3.1 4.6 6.1 4.9
Comores 2.2 2.7 2.7 3.1 3.1 3.1
Congo, Rep. Democrática 2.4 3.4 4.1 4.6 5.5 5.9
Rep., Congo -2.8 -3.1 1.0 3.2 -0.1 -1.5
Costa do Marfim 8.0 7.7 7.5 7.3 7.4 6.8
Essuatíni 3.2 1.9 -0.6 1.7 1.8 1.8      
Etiópiaa 8.0 10.1 7.7 8.8 8.9 8.9      
Gabão 2.1 0.5 2.0 3.0 3.7 3.7      
Gâmbia 0.4 4.6 5.3 5.4 5.2 5.2      
Gana 3.7 8.5 6.5 7.3 6.0 6.0      
Guiné 10.5 8.2 5.8 5.9 6.0 6.0      
Guiné-Bissau 5.8 5.9 3.9 4.2 4.4 4.5      
Guiné Equatorial -8.5 -4.9 -8.8 -2.1 -5.8 -5.8
Lesoto 3.1 -1.7 1.2 1.2 0.2 1.8    
Libéria -1.6 2.5 3.0 4.5 4.8 4.8    
Madagáscar 4.2 4.2 5.2 5.4 5.3 5.3    
Maláui 2.5 4.0 3.5 4.3 5.3 5.5    
Mali 5.8 5.4 4.9 5.0 4.9 4.8    
Maurícia 3.8 3.9 3.9 4.0 3.6 3.6
Mauritânia 2.0 3.5 3.0 4.9 6.9 6.9
Moçambique 3.8 3.7 3.3 3.5 4.1 4.1
Namíbia 0.6 -0.9 0.7 1.8 2.1 2.1
Níger 4.9 4.9 5.2 6.5 6.0 5.6
Nigéria -1.6 0.8 1.9 2.2 2.4 2.4
Quénia 5.9 4.9 5.7 5.8 6.0 6.0
Ruanda 6.0 6.1 7.2 7.8 8.0 8.0
Seicheles 4.5 5.3 3.6 3.4 3.3 2.9  
Senegal 6.2 7.2 6.6 6.6 6.8 6.9
Serra Leão 6.3 3.7 3.7 5.1 6.3 6.3  
Sudão 4.7 4.3 3.1 3.6 3.8 3.8
Tanzânia 7.0 7.1 6.6 6.8 7.0 7.0
Togo 5.1 4.4 4.5 4.8 5.1 5.1
Ugandaa 4.8 3.9 6.1 6.0 6.4 6.5
Zâmbia 3.8 3.5 3.3 3.6 3.8 3.8
Zimbabué 0.6 3.2 3.0 3.7 4.0 4.0
Fonte: Banco Mundial.
Notas: e = estimativa; p = previsão.  As previsões do Banco Mundial são actualizadas frequentemente com base em novas informações e alterações das circunstâncias (globais). Consequentemente, as projecções aqui apresentadas podem diferir das constantes noutros documentos do Banco, mesmo que avaliações básicas de previsões dos países não difiram significativamente em qualquer determinado momento temporal.
a. Valores baseados no ano fiscal.
 
 
 
 
 

 

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