Economia

« A nossa administração pública não é amiga do investidor»

A garantia é da Agência de Promoção de Comércio e Investimentos de São Tomé e Príncipe(APCI). Rafael Branco, Presidente da APCI, denunciou o facto e chamou a atenção das autoridades governamentais para agirem no sentido de melhorar o ambiente de negócios no país.

«A nossa administração pública não é amiga do investidor, seja investidor nacional, ou estrangeiro», afirmou o Presidente da APCI.

Rafael Branco destacou as peripécias por que passam os investidores em São Tomé e Príncipe. Peripécias provocadas por uma administração pública que complica a vida do investidor, e compromete o investimento. «Na maior parte das vezes, o investidor esbarra-se em vários obstáculos. Temos aqui casos de pessoas que desistiram de investir em São Tomé e Príncipe, porque as dificuldades são imensas», precisou.

As leis criadas para promoção do investimento privado, acabam por não serem implementadas. «Temos investidores que aplicaram capital na perspectiva de que a lei que existe iria lhes dar benefícios e até hoje não tiveram respostas», reforçou.

A situação complica-se, porque os investidores que estão no terreno, não dão boa notícia aos seus novos colegas que vêm estudar o mercado. «Se normalmente o investidor encontra queixas do colega que está no mercado, é complicado». frisou.

Segundo o Presidente da agência de promoção de comércio e investimento, é preciso melhorar o ambiente jurídico no país, com destaque para o funcionamento dos Tribunais, para criar bom ambiente de negócios. «Uma das equações é a questão dos tribunais. Quando há um litígio entre um banco e um privado, o banco não tem garantias. As políticas do governo e e as acções dos tribunais, são fundamentais para que o investidor se sinta seguro», pontuou.

A Agência de Promoção de Comércio e Investimentos, considera que a alta taxa de juros que é praticada pelos bancos comerciais, e que praticamente impossibilita a acção do investidor privado nacional, «tem a ver com a questão dos riscos, que não são salvaguardados. É a forma de os bancos se protegerem face a incerteza», concluiu.

Ao longo de vários anos, as sucessivas autoridades governamentais de São Tomé e Príncipe, clamam insistentemente pela atracção de investimentos privados, para galvanizar a economia e combater o desemprego.

Na prática o investimento privado nacional ou estrangeiro, não avança porque na perspectiva da APCI, há ainda um longo trabalho de casa, que precisa ser feito. Barreiras intransponíveis acabam por serem erguidas pela própria administração pública, diante do potencial investidor.

Abel Veiga

    15 comentários

15 comentários

  1. Barão de Água Izé

    17 de Agosto de 2019 as 21:26

    Enquanto STP não tiver Justiça isenta de corrupção, partidarite e amiguismos, o que decorrerá de novo modelo econômico tambem resultante do FIM das Nacionalizações, com privatização e reprivatizacao da terra e estruturas afins, os verdadeiros empresários não investirão em STP.

    • Toni

      18 de Agosto de 2019 as 16:09

      Caro Barão,

      Estou de acordo consigo.

      Stp para evoluir numa conjectura de 200 mil habitantes e rendimento baixo, tem que convidar os reais donos das roças e propriedades para retomar o que é seu. Dar condições, se calhar fiscais, para reabilitar e refazer os negócios ou empresas.
      Com isto acabar com as ocupações que foram feitas pelos regimes comunistas e pelas tomadas das elites “pobres” das terras. Pobres porque nada fizeram.

      O grande problema disto é que vai calhar a estes senhores, também Rafael Branco, os quais têm património que foi roubado.

      Este processo já aconteceu em Portugal após o 25 abril, Angola já executou com a devolução das propriedades através da apresentação dos registros á data da independência.

      Este processo jamais será possível em Stp, porque a elite além de nada fazer não deixa quem sabe fazer, mas não interessa, convém é usar o povo, não desenvolver, senão é dizer que o branco é que sabe trabalhar.

      Como disse 200 mil habitantes, a ganhar 40€ mês, nenhum empresário investe em Stp, a não ser para mercados externos, aí somente com as privatizações massivas, e deixarem as propriedades limpas de pessoas e ónus. Com a receita desta privatização o governo teria que encontrar espaços para quem ocupa as roças.

      Jamais Stp irá desenvolver, os governantes não deixam.

  2. Pedro Costa

    17 de Agosto de 2019 as 22:06

    Só agora é que constata esta situação?
    Eu já tinha feito este diagnóstico há muito tempo. Há vícios demais neste país e já tive conhecimento de muitos casos de desistência e o país está como está por causa de vários responsáveis deste país. São simplesmente, sangue-sugas e que não deixam ou deixavam fazer nada se não dessem “gorjetas”.
    Enfim

  3. Púmbú

    18 de Agosto de 2019 as 6:11

    Nos finais de julho passado o senhor Rafael Branco relativamente á posição da instituição que dirige disse: “«A primeira exigência que fazemos a qualquer investidor, é o estudo de impacto ambiental. Pode ser um bom projecto que traz muito dinheiro, e emprego. Mas se não respeita o impacto ambiental recusamos a sua aprovação». Gostaria que ele não se esqueça que ele pessoalmente é mais um daqueles TRAVÕES contra os investidores.
    Agindo desta forma quase nenhum projecto fica por ele aprovado. Ao inves dele converter a APCI numa instituicao de REPROVACOES deveria dar-se ao trabalho de ajudar aos potenciais investidores a encontrar solucoes reais ou alternativas para diminuir impacto ambiental dos projectos apresentados. APCI devia sim ser um conselheiro muito activo para com os poucos potenciais investidores. Acho que desta forma a APCI estaria sim contribuindo para o desenvolvimento do nosso Pais. Basta de dimagogias e hipocrisias.

  4. Metido a Besta

    18 de Agosto de 2019 as 7:17

    Existem bandos de caloteiros que so pensam viver a custa alheia.

    4 Paletes de vinho e ja vao 3 anos e ate hoje nao recebi nenhum centavo.

    Deus havera de julgar o meu caso.

  5. Vanplega

    18 de Agosto de 2019 as 9:11

    Do que voce queixa.

    Foste 1 Ministro, porque nao inverteu a situacao?

    Tudo conversa dos mais gestores

  6. Vanplega

    18 de Agosto de 2019 as 11:31

    A hipocresia deste senhor, e lamentavel

    Tantos anos a comer e beber na politica deste pais, so agora deu conta disto?

    Da lugar a outros. Vai a reforma

  7. Amar o o que é nosso

    18 de Agosto de 2019 as 17:39

    Os políticos comem tudo. É sugam tudo, até aos ossos!

  8. FERNANDO SILVA SIMAO

    18 de Agosto de 2019 as 23:16

    Já estou farto de constatações. Passa-se a vida a dizer a mesma coisa e não se toma medidas com vista a acabar com essa pouca vergonha que tem bloqueado o desenvolvimento do Pais. Agora está na moda atribuir-se a justiça a culpa de todos os males que enfermam o Pais. Esquece-se dessa nossa Administração Publica que é um autentico monstro despesista, com tantos Ministérios, Direções, Institutos, Empresas Publicas, Câmaras etc. que absorve rios de dinheiro dos parcos recursos que o Pais dispõe, mas que em vez de facilitar complica tudo. Estou convencido que uma Administração Publica pequena, competente e eficiente, condicionaria de algum modo algumas ações maléficas dos Tribunais.

  9. antonio dias guadalupe

    19 de Agosto de 2019 as 7:18

    Realmente até que a crítica é justa porque todos os sectores envolvidos na atribuição de licenças e autorizações cobram tanto dinheiro ao investidor que os mesmos fogem logo que tiverem a primeira oportunidade. Há muita corrupção nos sectores….e os dirigentes como o senhor Rafael Branco que estiveram no governo há tantos anos nunca viram nada ou se viram ignoraram completamente. E quanto a este governo acredito que também não vê nada…
    Agora pergunto quem é que vai investir neste País de bandalheira?
    O governo enganam a população fazendo de contas que estão a fazer alguma coisa(no fundo faz a mesma coisa ou pior que os outros governos), dando dinheiro para as pessoas beberem distraírem com festas de zonas (agora todas as zonas têm festas religiosas e o bispo parece que incentiva isso)fechando estradas e ruas quase todos os fins de semana, o que tem incentivando a pequena criminalidade, desordem faltas de respeito…daí pergunto que pais desenvolverá quando as pessoas pensam apenas em festas?

  10. apavorado

    19 de Agosto de 2019 as 8:52

    Relativamente ao que disse meu caro Vamplega dos velhos dar lugar aos outros neste caso aos mais novos, estou plenamente satisfeito, hoje o actual governo ao invés de integrar os jovens nos postos de serviços , chamam os mais velhos já reformados para ocuparem lugares, isso não deve ser e alegam que esses mais velhos transmitem experiências aos mais novos , puramente mentira. Prometeram empregos aos jovens durante campanha , neste momento fazem o contrario, integram os já reformados nas funções publicas , os seus militantes outros até ocupam lugares de directores , chefes de departamentos, isso não deve acontecer.Os jovens devem se erguer, as nossas organizações juvenis devem estar alertas estão sendo enganados, as promessas não estão sendo cumpridas, alertem se dessa realidade , caros compatriotas .

  11. Libreville

    19 de Agosto de 2019 as 15:23

    Políticos hipócritas…
    Não valem nada…

  12. Coerência

    20 de Agosto de 2019 as 6:49

    Tudo o que o cidadão Rafael Branco disse, é mais que pura verdade. Conforme está a nossa administração pública, ou melhor as instituições do Estado, com principal destaque para o sector da justiça, o país não vai a lugar nenhum no que respeito diz aos investimentos externos privados. Tenho dito sempre que as instituições do Estado São Tomense estão completamente discredibilizadas e é preciso inverter está situação. Como um cidadão culto que é, o Dr. Rafael Branco pode perfeitamente aconselhar o atual executivo, presumo que sejam seus amigos dado a filiação partidária, a focar-se nas causas que visam o desenvolvimento do país e deixar por exemplo de protagonizar atos de ingerência no sector da justiça. Pode igualmente aconselhar os dirigentes dos tribunais a pautarem pela legalidade e não pelo partidarismo e vingança, o que só está a destruir a justiça e a classe dos juízes São Tomense.

  13. antonio dias guadalupe

    20 de Agosto de 2019 as 8:03

    Enfim gente que não sabe estar a querer dar lições de moral aos outros quando na altura em que estiveram no governo fizeram muito pior. Compraram todos os bens de Estado que eram possíveis comprar na altura, sobretudo os edifícios na capital. Enfim só com Cristo. E depois de tudo isto o governo de Jorge que de Bom Jesus não tem nada (como aliás se vê pelas acções de perseguições aos bons quadros deste País só porque não são dos partidos que suportam o governo) anda a chamar reformados para ocupar lugares chave na administração pública como se não existissem outros no activo com competências. Então pergunto porque é que mandam as pessoas para reforma? Assim sendo a regra devia servir para todos, não se devia reformar e pronto ficavam todos a trabalhar até a morte.

  14. Adelino Santos

    20 de Agosto de 2019 as 12:09

    Alguns Directores actuais estão ultrapassados no tempo e no espaço. Na minha humilde opinião o actual Director da Agência não tem condição moral para estar a frente da Agência de investimento. Alguns investimentos que entrou ao País pela mão do actual Director não respeitou no mínimo a leis nacionais.
    Como exemplo: O contrato celebrado com tal fulano para implantar o projecto no ilhéu das rolas, A venda directa das acções da Enco, existe mais.
    Penso eu que devemos criar condições para atrair investimento estrangeiro, mais no estreito respeito pelas leis nacionais. Portando o tal senhor deve ler a lição do Hegel e não estar a falar coisas sem nexo. As politicas são temporárias e as leis são duradouras. O contrato assinado pelo tal senhor lesa o interesse do Estado e o povo de S. Tomé e Príncipe, basta dizer que não recebemos até o momento um cêntimo de renda pela concessão do nosso famoso ilhéu.

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