Economia

Fradique de Menezes garante que o Cacau de STP continua a ter mercado no estrangeiro

Os desafios da exportação em São Tomé e Príncipe, foi o tema de um debate público, promovido pelo Governo. O evento que congregou antigos e actuais exportadores de produtos e serviços, contou com a participação do ex-Presidente Fradique de Menezes.

O homem que foi o maior exportador de cacau no país, garantiu que apesar da Covid-19, o mercado internacional continua aberto a comercialização do cacau de São Tomé e Príncipe.

Fradique de Menezes discorda assim das justificações apresentadas pela empresa SATOCAO, de que suspendeu a compra do cacau no país, por causa da Covid-19, que congestionou o mercado internacional, ao ponto de não ter liquidez para comprar mais cacau.

«Problemas com a venda do cacau no mercado, não.  Logo que eu soube disso, pessoalmente por uma questão de curiosidade consultei o mercado de cacau de São Tomé e Príncipe. Me perguntaram se eu tinha cacau ou não para vender. Perguntaram-me…..», declarou o antigo maior exportador de cacau de São Tomé e Príncipe.

Homem de negócio que decidiu abandonar a comercialização do cacau, Fradique de Menezes, considera que a administração da SATOCAO deve dar uma boa explicação ao país, sobre esta crise que se regista na compra e exportação do cacau.

«É bom que alguém nos diga qual é a dificuldade que existe. Se está cá o senhor da SATOCAO ou não, para nos dizer qual é o problema dele…., e se quiser uma ajuda a gente dá. Não estou cá como antigo Presidente. Estou cá como antigo homem de negócios, que era o maior exportador de cacau», precisou.

A crise que se regista na comercialização do maior produto de exportação do país, o cacau, preocupa o ex-presidente da República e antigo maior exportador do produto.

«Ouvi que há dificuldades de exportação do cacau, e que os agricultores estão com dificuldades de escoar os seus produtos. Sobretudo sabendo que estamos em Agosto, e normalmente entre agosto e Setembro começa a grande colheita de cacau. E toda gente quer vender cacau…», frisou.

Fradique de Menezes disponibilizou-se para apoiar as empresas que estão no mercado, a encontrarem uma saída para a exportação do cacau.

«Vamos dar as mãos e ajudar para sairmos disto. Porque enquanto não houver algo que substitua, precisamos continuar com o cacau, e até melhorar e aumentar a produção», concluiu.

Enquanto perdura a crise na comercialização do cacau, o Governo defendeu no debate sobre os desafios da exportação, a diversificação dos produtos para exportação. Mais do que diversificar, segundo o Primeiro-ministro Jorge Bom Jesus, é preciso produzir e exportar com alta qualidade.

«Há outros produtos, por exemplo temos toda a área das plantas medicinais. Hoje a aposta nos produtos biológicos é extremamente importante. Temos que alterar este desfasamento em termos da balança comercial», sublinhou o Chefe do Governo.

No entanto os exportadores de São Tomé e Príncipe, deverão beneficiar nos próximos tempos, de um vasto mercado. Trata-se da zona livre de comércio de África. Um projecto pan-africano para desenvolvimento integrado, que São Tome e Príncipe vai aderir.

«A secretaria de Estado e o Governo estão a trabalhar na perspectiva dessa adesão para que os nossos produtos possam circular livremente nesta costa africana», assegurou o Secretário de Estado do Comércio, Eugénio Graça.

Exportação em tempos de Covid-19, é um desafio para a economia de São Tomé e Príncipe.

Abel Veiga

    9 comentários

9 comentários

  1. António cunha dos santos

    14 de Agosto de 2020 as 17:40

    Gente, SAOTOCAO é negocio de Pinta Pinta
    Não sabe

  2. Jorge Trabulo Marques

    15 de Agosto de 2020 as 3:31

    Mas quem duvida que a solução de S. Tome e Príncipe não esteja nos seus recursos agrícolas – É que, o turismo, nestas maravilhosas Ilhas, só poderá continuar a ser atraente enquanto não for pervertido o seu património urbano e não for devassada a sua paisagem natural com explorações selvagens ou construções fantasmas – Fradique Menezes é, de facto, uma das pessoas mais experientes da comercialização do cacau – Deu-me o prazer de me receber em sua casa, o ano passado, onde falámos, em duas tardes, sobre muitas coisas do passado e da atualidade E também da agricultura e do cacau. – Tenho esses registos, que conto vir a editar. Que me desculpe não o ter feito há mais tempo, por via de uma certa dispersão. Pena agora estar na minha aldeia onde a internet da rede pública é muito lenta para editar vídeos. Levei duas horas para editar um de menos de seis minutos. – São quatro e tal da manhã e ainda não me deitei. Conheci o seu pai, o Sr. Menezes, chefe do Escritório na antiga Roça Rio do Oiro, atual Agostinho Neto – Uma pessoa simpática. Já ele tinha um grande conhecimento da exportação do cacau – Por isso, quem sai aos seus não degenera. – Tenho Fradique, como um bom amigo e um valoroso patriota santomense, terra onde nasceu – Na antiga Roça Rio do Oiro, atual Agostinho Neto, também ali conheci o pai do Coronel Victor Monteiro – Era o serviçal da vacaria, o leiteiro – Um homem muito culto, simples e comunicativo – Pois até tinha servido na marinha mercante. Ali nasceram os seus dois filhos, mas, disso, só vim a saber, em 2014 quando o Victor me reconheceu. – Uso a ortografia atualizada

  3. República de bananas

    15 de Agosto de 2020 as 9:17

    Esse fradique esteve 10 anos no poder e não fez nada vem agora dar sermões. Queremos nova geração de políticos. Estamos cansados das mesmas caras.

  4. Jorge Trabulo Marques

    15 de Agosto de 2020 as 15:04

    Talvez não seja de todo despropositado recordar este comentário expresso no Téla Nón – “Acho um disrespeito`o que o Governo deste Sr. PT anda a fazer com os agricultores de Ôbo Môrro. Não se pode de forma alguma aceitar que se tira terras cultivadas, repito, terras cultivadas aos filhos da terra para as entregar a grupos, que segundo rumorres o proprio PT é sócio, deixando os filhos da terra a sua sorte.
    Tudo tem um porquê. Acho que para que se Governe um país é necessário que os governantes amem este país. Este amor pela terra só é possivel se houver um verdadeiro sentimento de pertença, de identidade umbilical com o país em causa e isto não é, nem de longe, o caso do sr. Patrice Vianjante Trovoada.
    Acho que já é altura de se dar um basta a situação…Espero que nas proximas eleições as lagrimas de crocodilo (tipica da familia Trovoada) não venham a comover o povo…e que este Sr. suba num avião ou barco e vá para Gabão = seu lugar, sua terra e nos deixe em PAZ para sempre
    em NOME DO SR. JESUS. Aqui não tem Alá…
    Saudações de um verdadeiro Santomense. “https://www.telanon.info/economia/2012/06/14/10627/agricultores-de-obo-morro-continuam-com-catanas-erguidas-contra-a-satocao-e-o-governo/

  5. Sem assunto

    15 de Agosto de 2020 as 20:20

    Qualquer Santomense minimamente atento sabe de que é difícil por fé nas palavras do Fradique de Menezes, aquele indivíduo apresenta muita palavra, nenhuma ação, e zero know how.
    Esteve uma eternidade no poder nada fez, e agora diz estar pronto para ajudar, pirou, só pode ser. Contraverso.
    Curta a tua reforma milhonaria em paz, e não atrapalhe ainda mais este explorado e enganado povo.

  6. António ALT Tavares

    16 de Agosto de 2020 as 0:18

    Na realidade, não precisam de trabalhar arduamente para que os produtos circulam livremente! Já existe este mecanismo, com o Tratado de Lisboa e com o Acordo de Cotonu, entre Europa e os países do ACP! Ela é desporpocional devido a fraca visão dos nossos dirigentes e representações diplomáticas…(debate)!
    O meu apelo aos governos dos PALOP é para criarmos as fábricas de transformações internas!
    – Ao invés de vender cacau que fabriquemos e exportemos chocolates e tudo que se pode fazer com cacau…
    Ao invés de acordo de pesca que invistemos na compra de barcos de pescas industriais e fábricas de transformações de pescados para exportação…
    Isto ajudará São Tomé e os PALOP à se posicionarem no equilíbrio da Balança do Poder e desenvolvimento económico!

  7. SEMPRE AMIGO

    16 de Agosto de 2020 as 10:27

    Minha gente! Refiro-me evidentemente ao GOVERNO,aos representantes do povo(ASSEMBLEIA NACIONAL).Por respeito ao povo a quem jurasteis
    servir e por respeito ao cargo que exerceis, venham ao público, através das rádios (nacional, regional e distrital) explicar para não deixar terreno aberto aos agentes da instabilidade,ansiosos por complicar ainda mais a situação.Venham explicar ao público: a)Como e quando surgiu o SOTOCAO;b)Quem são os seus sócios; c)Porque razão os dirigentes estrangeiros abandonaram a empresa?Até que ponto as autoridades(o Governo)estavam informadas das intenções dos “fugitivos”? d)Quais foram as medidas já tomadas e a virem a ser tomadas para proteger os produtores nacionais das eventuais consequências do fecho da SOTOCAO?

  8. Paulo Durães

    16 de Agosto de 2020 as 20:34

    Muito Fraco este Sr. Devia sim, deixar de negociatas partidárias com fim lucrativo para a corja. De presidente da República passa e negociante de partidos políticos. Lamentável.

  9. Ralph

    17 de Agosto de 2020 as 6:59

    Diversificar a economia é boa ideia e deveria ser perseguido. Porém, é difícil e demora muito para mudar as atividades que se têm feito ao longo dos anos. Acaba por ser que uma crise dá uma oportunidade a muitos países mudarem de direção porque, muitas vezes, o que têm sido feito há muitos anos não se aplica no mundo novo depois da crise. Porém, se for feito de modo astuto, poderá apresentar oportunidades valiosas para melhorar o rumo de uma economia para o melhor.

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