Economia

3 milhões de dólares para os “trabalhadores da terra”

No dia 30 de Setembro, última quarta – feira, Jorge Bom Jesus primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, repetiu o discurso que teve nas celebrações de 30 de Setembro de 2019. A retoma da exportação de produtos agrícolas para o mercado do Gabão e outros países da região da África Central.

30 de Setembro de 1975, é uma data histórica. As grandes plantações de cacau, café e copra, no fundo as Roças de São Tomé e Príncipe, passaram a pertencer ao novo país, nascido em Julho do mesmo ano, a República Democrática de São Tomé e Príncipe.

Nas celebrações do ano 2019, o Primeiro Ministro prometeu tudo fazer, para que as roças voltassem a ser fonte de divisas para São Tomé e Príncipe, através da exportação não só do cacau, café e pimenta, mas também de produtos alimentares para a sub-região da África.

Até os finais da década de 90 do século passado, “os trabalhadores da terra”, que também eram assalariados das grandes roças, garantiam o trabalho diário nas plantações de cacau ou de café, que na altura pertenciam ao Estado, e e ao mesmo tempo cultivavam  os seus campos. Produziam grandes quantidades de matabala, mandioca, e de hortaliças como tomate. Criavam também gado caprino.

“Os trabalhadores da terra”, contribuíam em duas frentes para a melhoria da balança de pagamentos do país, através da exportação do cacau, do café, da copra, pelas  empresas agrícolas estatais, e da matabala, do tomate, e do gado caprino, por via dos comerciantes que iam negociar os produtos no mercado do vizinho Gabão.

Este esforço dos trabalhadores da terra até a década de 90, fez nascer uma geração de comerciantes santomenses, que rapidamente se afirmaram como empresários, ou novos-ricos do país, fruto da venda de tomate, matabala e de cabras no mercado do Gabão.

A maioria dos trabalhadores da terra, daqueles tempos, ficou velho. A idade tirou força aos seus músculos para plantar mais matabaleiras, as terras das roças foram retalhadas para exploração familiar, e surgiram os agricultores de São Tomé e Príncipe.

Em 2019 Jorge Bom Jesus, prometeu retomar a exportação do excedente da matabala  para o Gabão, numa altura em que praticamente já não existem mais “trabalhadores da terra”.

A produção de matabala feita pelos agricultores, nem sequer satisfaz as necessidades internas do país.

Na celebração do 45º aniversário do dia da nacionalização das Roças, 30 de Setembro, Jorge Bom Jesus, anunciou desta vez, a abertura de uma linha de crédito para estimular os agricultores, e promover o aumento da produção agrícola, e galvanizar assim a exportação.

O excedente de matabala, tomate, e outros produtos, que se registava em São Tomé e Príncipe, no passado, até a década de 90, e que era exportado para o Gabão, foi conseguido sem qualquer linha de crédito a favor dos “trabalhadores da terra”.

O Primeiro Ministro que anunciou a mobilização pelo Governo de 3 milhões de dólares como linha de crédito para os pequenos agricultores, recordou que para a linha de crédito dar resultado, os agricultores tinham que ser “trabalhadores da terra”.

«Eu queria aqui dizer que neste momento há cerca de 3 milhões de dólares já disponíveis para, de facto, podermos atribuir crédito. Mas, eu estou a dizer créditos para aqueles que, de facto, querem verdadeiramente trabalhar», afirmou Jorge Bom Jesus.

Se Jorge Bom Jesus e o seu Governo, deixarem a linha de crédito alimentar apenas o novo agricultor santomense, e não chegar ao trabalhador da terra, a promessa de retoma da exportação agrícola para a sub-região jamais será cumprida.

O agricultor característico de São Tomé e Príncipe, poderá usar a linha de crédito para reabilitar a sua residência, comprar um televisor, sem falar da compra de uma motorizada Sukida, para fazer moto-taxi. A aquisição de uma motosserra para melhor desbravar o campo, e vender mais barrotes e ripas, será inevitável.

O trabalhador da terra como antigamente, fará diferente. Produzirá comida abundante, para sua família, e o excedente, será utilizado para abrir linhas de negócio para novos comerciantes, interessados em ganhar divisas no mercado sub-regional.

Abel Veiga

    1 comentário

1 comentário

  1. mais do mesmo

    5 de Outubro de 2020 as 10:01

    mas a maior parte das grandes parcelas de terras boas de cultivo pertencentes ás antigas roças/empresas estão na mão de quem? Não é das grandes elites? que fazem eles com a terra que tomaram de graça? plantar banana só?…povo piqueno quando vai procurar parcela no estado são tantos os obstáculos que pessoa desiste de frustração.
    Querem revitalizar agricultura? Tirem a terra que deram aos que não estão a fazer nada…sejam sérios e abram a possibilidade aos investidores já com credenciais noutros paises para explorarem e fazerem empresas como antigamente, deixa-los trazer sua tecnologia e conhecimento técnico e cientifico que isso vai gerar muitos postos de trabalho-logo logo vão aparecer pessoas interessados em trabalhar na agricultura- e impostos para o estado. Vão pegar dinheiro e comprar uns machim, umas enxadas, umas botas e andar a distribuir a algumas cooperativas de amigos e o resto desaparece nos projectos X e Y inventados por alguns para comer o dinheiro!

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