Economia

Angola e São Tomé e Príncipe em ascensão sofrem impacto da Covid-19

PARCERIA – Téla Nón / Rádio ONU 

Países de língua portuguesa devem sair do grupo de Países Menos Desenvolvidos em 2021 e 2024, respetivamente; Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento diz que pandemia coloca pressão sobre o processo.

Angola e São Tomé e Príncipe marcam este quinquênio a saída do grupo de Países Menos Desenvolvidos, PMD.

Mas com a pandemia, a Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, afirma que o processo será afetado.  Em alguns países de língua portuguesa, a agência é conhecida pelo acrônimo Cnuced.

Saúde e economia

Falando à ONU News, de Genebra, o chefe da Sessão dos Países Menos Avançados da Unctad, Rolf Traeger, citou os impactos da Covid-19 em áreas como saúde e economia.

Calendário prevê a transição de Angola à economia de renda média em 2021.

“Do ponto de vista da saúde pública, até agora as consequências em Angola foram relativamente moderadas. Em agosto, havia ainda uma densidade de infecções em Angola de 80 pessoas por milhão de habitantes. Em São Tomé e Príncipe, eram 4 mil pessoas infectadas por milhão de habitantes, ou seja, no caso de Angola é muito mais reduzido.”

O especialista considera que o fato de a doença ter afetado as economias do mundo inteiro pode favorecer o apoio a estes países de língua portuguesa. No entanto, deverá haver ajustes.

“Nessa situação de crise econômica muito profunda e de uma recessão muito forte, vários elementos de progresso econômico e social que tinham sido conseguidos por Angola, do tipo aumento da renda per capita e melhoria na população e em termos de saúde também, por causa do choque do Covid-19 levaram um baque muito forte”.

Exportação

Segundo a agência da ONU, a queda do petróleo e do volume das exportações foi violenta para a economia angolana. A dependência do país pelo recurso tem inibido o desempenho desejável do lado angolano nas cadeias de valor globais.

A situação limita ainda a participação plena na exportação de produtos manufaturados e nos serviços de valor agregado.

OMS/Dalia Lourenço
Hospital Geral de Luanda, a capital de Angola

 

Com a pandemia, esse fator deverá levar o país a desafios cada vez maiores, tendo em conta a perda “em ganhos modestos” que foram alcançados na redução da pobreza e outras formas de progesso social durante a última década.

Tecnicamente, a riqueza do petróleo colocou Angola como uma economia de renda média.

Exemplo de Cabo Verde

Já a economia são-tomense deverá ainda lidar com as dificuldades de seu perfil insular. Para este caso, o especialista disse que um exemplo próximo a ter em conta nessa graduação seria o da economia cabo-verdiana.

Cabo Verde graduou-se há 13 anos e de acordo com as autoridades a aposta é  alcançar o patamar da economia de rendimento médio e médio alto.

Unctad/Jan Hoffmann
Porto em São Tomé e Príncipe

 

“Desenvolver atividades nacionais, indústrias etc é muito mais difícil especialmente se não há toda essa renda do petróleo que existe no caso de Angola. Ela não está presente no caso de São Tomé e Príncipe. Os desafios são muito maiores, num certo sentido, porque também não detém todos os recursos naturais, para além do petróleo, que Angola tem. Falo em termos de terra, clima e outros. Então, talvez um tipo de desenvolvimento ao qual São Tomé e Príncipe poderia olhar é o caso do desenvolvimento que aconteceu em Cabo Verde.”

A agência da ONU aponta Cabo Verde como modelo por ser um Estado insular, isolado de principais mercados fornecedores e pelos indicadores em áreas como educação, serviços, turismo, transporte e finanças.

A Rádio ONU coloca a disposição do leitor um vídeo que reflecte a produção do cacau orgânico em São Tomé e Príncipe : 

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