O Sindicato dos professores novos chamou a imprensa para denunciar que há 7 meses que o governo não paga os salários.
«Há caminho de 7 meses, mais de duas centenas de professores novos continuam a prestar trabalho à entidade patronal em diferentes níveis de ensino …sem, no entanto, receber até a presente data os seus salários», afirmou Adilson Boa Esperança, líder do SINAPRON.
Para além de instar o governo a cumprir com a responsabilidade, o sindicato dos professores novos avisou que «também fazemos parte da administração pública, mediante o vínculo contratual que foi estabelecido com o ministério da educação, cultura, ciências, e ensino superior desde outubro do ano passado».
O Ministro de Estado, da Economia e Finanças, Gareth Guadalupe, reagiu de imediato tendo explicado ao Sindicato dos Professores Novos, que no mês de fevereiro as finanças estavam a resolver a situação dos funcionários não docentes do ministério da educação.
«Estávamos a atender a situação dos não docentes, que é um conjunto de servidores públicos que está a trabalhar a muitos mais anos, que os novos professores. Decidimos priorizar os não docentes que já vinham há 3 anos a trabalhar sem receber», precisou o ministro das Finanças.
Segundo Gareth Guadalupe só no mês de março é que os serviços deram início ao processo para o pagamento dos professores novos. «Quando deram a conferência de imprensa, já tínhamos o processo concluído, e pronto para enviar para os bancos de forma que seja procedida a ordem de pagamento. O pagamento será feito ainda neste mês de abril», frisou.
O Ministro de Estado, da Economia e Finanças aproveitou para rejeitar o ataque do Sindicato dos Professores Novos. «O sindicato não pode instar o governo. O governo está aqui para trabalhar, sabe o seu papel, e reconhece o trabalho prestado por esses professores nos últimos 7 meses. Não gostaríamos que se fizesse política com isso, por se tratar de um ano eleitoral», concluiu Gareth Guadalupe.
Abel Veiga
Jxecove
13 de Abril de 2026 at 12:20
É difícil não ver aqui um padrão… Incapacidade na gestão, seguida de justificações apressadas quando a pressão aumenta. Invocar prioridades administrativas para justificar salários em atraso não é governar, é admitir falhanço. Quanto à tentativa de deslegitimar o sindicato, fica mal a um membro do governo confundir escrutínio com ataque. Ou será que a transparência só incomoda quando expõe fragilidades em pleno ano eleitoral? Fica a impressão de que, para este governo, o calendário político pesa mais do que a dignidade de quem trabalha, e isso, Sr. Ministro, não é gestão, é oportunismo disfarçado de governação. Ao jornalista Abel Veiga, importa também sublinhar: quando a cobertura se limita a reproduzir declarações oficiais sem o devido contraditório crítico, corre-se o risco de transformar jornalismo em veículo de conveniência política. Num contexto sensível como este, exige-se mais do que relato, exige-se escrutínio firme, perguntas incómodas e independência real face ao poder.