Segundo o governo de São Tomé e Príncipe a União Europeia é até então a única organização económica e comercial que o país atribuiu licença para pescar nas águas territoriais. Assim, há vários anos que de forma legal, mais de 3 dezenas de barcos de pesca dos países da União Europeia capturam pescado na Zona Económica Exclusiva de São Tomé e Príncipe.
O acordo de pesca em vigor foi assinado no ano 2019 e com validade para 5 anos. Segundo o Ministro da Agricultura e Pescas Abel Bom Jesus, o acordo vence em dezembro próximo.
O governo e uma equipa técnica da União Europeia, estão a renegociar o acordo. A primeira ronda de negociações na sede da União Europeia em Bruxelas, não foi conclusiva. Segundo o Ministro Abel Bom Jesus, a segunda ronda realizada esta semana em São Tomé, também não gerou consenso.
«Apresentamos algumas propostas, que foram analisadas na primeira ronda negocial em Bruxelas a na segunda em São Tomé, mas ainda não chegamos a um ponto final. Esperamos que a União Europeia reanalise a nossa proposta», afirmou o ministro da agricultura e pescas.
Abel Bom Jesus recusou dar pormenores sobre o conteúdo da proposta do governo para revisão do acordo de pesca. Mas, deixou escapar que a parte santomense exige que a duração do acordo seja reduzida de 5 para 3 anos. Também deixou escapar que para além da redução do tempo do acordo, o governo propõe o aumento da contrapartida financeira anual, por tonelada de peixe que é capturado pelos navios pesqueiros dos países da União Europeia nas águas nacionais.
Note-se que no acordo em vigor, a União Europeia paga anualmente a São Tomé e Príncipe 1 milhão e 400 mil euros, pelas operações de pesca nas águas nacionais realizadas por 34 embarcações. Por 5 anos de pesca de cerco e de palangre, São Tomé e Príncipe recebeu da União Europeia o valor de 7 milhões de euros.
Note-se que o Ministro da Agricultura e Pescas falou sobre as negociações em curso, na cerimónia de inauguração de um centro para capacitação das mulheres e raparigas em empreendedorismo no sector das pescas. Foi na comunidade piscatória de Morro Peixe no distrito de Lobata.

A União Europeia financiou a construção do centro na ordem de 140 mil euros. Uma unidade que tem o objectivo de promover a pesca sustentável e a economia azul.
Cecile Abadie, embaixadora da União Europeia em São Tomé e Príncipe que inaugurou o centro na companhia do ministro da agricultura e pescas, realçou que a pesca é «o eixo fundamental da cooperação bilateral com São Tomé e Príncipe, e é um elemento fundamental para a diversificação da economia».

Para o Ministro da Agricultura e Pescas, a promoção do empreendedorismo jovem no sector das pescas, prova que o governo «quer trabalhar lado a lado com a população. Vocês têm um potencial que precisa ser desenvolvido», declarou Abel Bom Jesus.
Um estudo realizado pela FAO no ano 2017 indicou que a pesca artesanal em São Tomé e Príncipe movimenta mais de 30 milhões de dólares por ano na economia santomense.
Abel Veiga
AFRICA WILL BE GREAT
23 de Outubro de 2024 at 18:55
Seria mesmo bom, analisar este acordo, e a redução não devia ser de 5 para 3 anos, mas sim para dois anos. E deve-se analisar os valores propostos no acordo. Chega a ser vergonhoso o valor que a União europeia paga anualmente para pesca ano todo nas nossas águas. É hora de começar a avisar a União Europeia, que o povo Santomense, e os povos africanos, cansaram. Se não quiserem, o valor Justo, viramos para nossos irmãos africanos, cujo os países não têm mar.
E se nós achamos que eles se importam connosco, porque que o FMI, não aceitou ajudar quando se precisa. Como o acordo está a chegar ao fim o DAB, promete redobrar apoio e FMI promete arranjar formas de assinar acordos. Senhor primeiro ministro, senhor ministro de agricultura, não aceitem chantagem, se não quiserem viramos para países africanos, e vendemos para eles, somos 55 países africanos, e é hora de começar a pôr a UNIÃO EUROPEIA, O FMI, O BANCO MUNDIAL no seu devido lugar.
Eliseu Alvaro
27 de Outubro de 2024 at 10:16
É mais a verdade é que o São Tomé só sabe pedir com 7 milhões de euros anteriores dava para usar como cana e podemos pescar por nós mesmos mas não agora no final do contrato querem renegociar para ganhar o deles em nome do país
vamplega
24 de Outubro de 2024 at 9:12
Vejam o documentário “Seaspiracy,2021” produzido pela Netflix, depois decidam.
Eleutério Fernandes
24 de Outubro de 2024 at 14:41
Nós os Santomenses, temos muito pouca capacidade de negociar.
António Fernandes
5 de Novembro de 2024 at 10:15
Realmente devemos ter mais força e competências para negociar.
Entretanto, já contactaram as frotas de pesca do Japão, China Rússia e África do Sul!? Quanto pagam? É que andam muitos a capturar atum!!!!
Enfim, façam por ser competentes para o país e esqueçam os seus bolsos!