Economia

Banco Mundial alerta: Sem a transição energética STP não vai crescer

O Banco Mundial é o parceiro internacional que mais investe no sector das infraestruturas de São Tomé e Príncipe. O arquipélago é dependente em quase 100% do gasóleo como fonte de energia.

País com vários cursos de água, São Tomé e Príncipe tem uma e única central hidroeléctrica que foi construída na era colonial, a central hidroeléctrica do rio Contador. Inoperante há mais de 20 anos, a central do contador é alvo há cerca de 10 anos de um projecto de reabilitação suportado pelo Banco Mundial.

Numa conversa com os jornalistas após a revisão da carteira de projectos do Banco Mundial em São Tomé e Príncipe, o Téla Nón questionou o representante da instituição financeira internacional, sobre o destino da reabilitação da central hidroeléctrica do Contador.

«Reconhecemos que este projecto está em fase de implementação há 9 anos. O que aconteceu foi que quando licitamos as obras, o montante que tínhamos definido era de 20 milhões de dólares. Mas, quando a empresa a que licitamos a obra, apresentou a sua proposta de orçamento, o valor foi de 80 milhões de dólares. Portanto você não pode financiar uma obra que não tens dinheiro suficiente», respondeu Juan Carlos Alvarez, director do Banco Mundial para São Tomé e Príncipe e Angola.

Sem dinheiro suficiente, a reabilitação da casa das máquinas da central hidroeléctrica ficou adiada. Segundo Juan Carlos Alvarez para não perder o financiamento já desbloqueado o Banco Mundial e o governo santomense decidiram por uma nova estratégia. O financiamento disponibilizado de 20 milhões de dólares, foi direcionado para um novo projecto de transição energética.  

«Nesse processo de transição energética é fundamental contar com a energia hidroeléctrica. Assim, para salvaguardar o projecto decidimos mudar a estratégia, e não ficar simplesmente na infra-estrutura da central hidroeléctrica de geração de energia. Agora estamos num processo de licitação para reabilitar a casa das turbinas», explicou.

Com o mesmo valor de 20 milhões de dólares, o Banco Mundial lançou o projecto de construção de uma central fotovoltaica com capacidade de 15 megawatts de energia.  «Vamos financiar uma planta de energia solar na região de Água Casada. Um projecto de 5 anos. A unidade deve produzir 15 megawatts», confirmou o director do Banco Mundial para São Tomé e Príncipe e Angola.

Pelas contas do Banco Mundial, São Tomé e Príncipe precisa de uma produção na ordem de 21 megawatts, para ter energia estável e sustentável, para alimentar todos os sectores da economia. Em comparação com outros países, a potência de energia que São Tomé e Príncipe precisa para impulsionar o desenvolvimento sustentável é muito reduzida, 21 megawatts.

Daí que o parceiro internacional acredita, que através da transição energética será possível o arquipélago unir o desenvolvimento ao equilíbrio com a natureza. Enquanto o país não conseguir a transição energética, a dependência do gasóleo anula qualquer possibilidade de crescimento económico.

«Se junto ao governo e aos outros parceiros de desenvolvimento não conseguirmos resolver o problema de energia no país, vai ser muito difícil para São Tomé e Príncipe atingir o crescimento económico e social», concluiu Juan Carlos Alvarez.

O Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) são os principais parceiros de São Tomé e Príncipe na reforma do sistema eléctrico nacional.

Abel Veiga

2 Comments

2 Comments

  1. ANCA

    10 de Fevereiro de 2025 at 18:17

    ANCA

    10 de Fevereiro de 2025 at 18:15

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    Para um país, pequeno de dupla insularidade, implicações e condicionalismo do isolamento duplo, São Tomé estar longe do Príncipe, São Tomé e Príncipe, estarem longe dos grandes centros económicos, de informação, de tecnologias, do conhecimento, etc…país descontinuo, insularidade interna, insularidade externa, mercado económico de pequena dimensão, população reduzida, instituições fracas,…dez ano, vinte anos num projecto, como têm sido investimento em África, é um terceiro isolamento, insularidade tripla,…

    Nos dez anos decorrentes e passados mercados ocidentais evoluíram mo que as infraestruturas de energias renováveis evoluíram significativamente, tornando mais uma vez países que jamais têm capacidade económica, financeira de conhecimento, de investigação e desenvolvimento, de tecnicas, de formações, para desenvolverem, ou adquirirem estas tecnologias, tornando assim cada vez mais dependentes destas economias, assim se criam dependências, economias subdesenvolvidos,…assim acontece, no que a educação/formação, saúde, serviços, finanças,… diz respeito.

    Necessidade de países pequeno insulares têm, transparência, de organização, rigor, de justiça, segurança, proteção, fortalecimento institucional, e sustentabilidade.

    É necessário que os dirigentes do país, tenham noção desta realidade, volto a frisar,conhcer bem o país, que é de todo marítimo, de dupla insularidade, a localização, a geografia física, a geografia população, estatísticas, a conjuntura interna, a conjuntura externa, plano de desenvolvimento nacional, plano de desenvolvimento regional, planos de pormenor ou de desenvolvimento local, tendo em conta, o mar, a agricultura, a agropecuária, o desenvolvimento dos serviços, do comércio, dos transportes, da justiça, da segurança, da protecção, a pensar na sustentabilidade, crescimento e desenvolvimento homogéneo nacional.

    Desafio das infraestruturas para São Tomé e para o Príncipe, jamais se limitam somente a energias renováveis, embora premente e urgente a demanda da energias limpas, por ser mais baratas em custo de produção, manutenção, continuam a existir desafios, dos transportes marítimos, do desenvolvimento da economia do mar e dos rios, o cluster do mar e do rios,(portos, serviços aduaneiros, reparação e abastecimento de embarcações, o turismo, exploração de hidrocarbonetos, investigação e desenvolvimento, pescas, cosméticos, gastronomia….)desafios da digitalização dos serviços, tecnologias de informação e comunicação, da educação e formação, quer tecno-profissional, quer superior de excelência, desafios da evolução das infraestruturas, transportes do espaço aerodinâmico, aeroportos, fortalecimento de serviços, do comércio, do turismo, da administração pública, da justiça, da saúde, da agricultura, agropecuária, produção transformação, comercialização, habitação, fortalecimento dos serviços bancários e financeiros, captação de investimentos internos/externos, empresas,…tendo como centro pessoas, populações que neste momento são essencialmente jovens, mediante a nossa pirâmide populacional.

    Nasceste aqui, cresceste aqui, estudaste aqui, ajuda a desenvolver o teu país, a tuas gentes, o teu território.

    Praticaquemos o bem

    Pois o bem

    Fica-nos vem

    Deus abençoe São Tomé e Príncipe

  2. Jorge Semeado

    10 de Fevereiro de 2025 at 18:57

    Conversa para boi dormir. 9 anos para reabilitar uma Central hidro eléctrica de 3 MegaWatts a 20 milhões (quer dizer: 6 milhões por cada Megawatt de energia hídrica)? Isto é muita maldade do Branco Mundial, pois eles sabem que os dois últimos governos também instalaram energia fotovoltaica a razão de 1 milhão por Megawatt. E o Banco Mundial vem com essa lenga lenga de 1,3 milhões por Megawatt? Pelas experiências práticas dois 2 últimos governos, cada Megawatt custou 1 Milhão, então 15 MegaWatts custarão no 15 Milhões ou menos. Porquê que o BM nos vem instalar 15 MegaWatts a 20 milhões? Para onde irão os 5 milhões de sobre-faturação? Para os governantes e dirigentes em conluio com os responsáveis de BM e dos Mangoloides? Os mangoloides hão-de pressionar os Responsáveis do BM para adiarem este projecto ad-eterne. 15 MegaWatts de energia a ser instalada em 5 anos? A razão de 3 MegaWatts por ano? Credo!!! Será por falta de mão de obra? Dupliquem a mão de obra, dupliquem o financiamento para acelerarem o tempo de instalação para 1 ou 2 anos. E possível desde que haja vontade, foco e determinação, o que parece não haver. Quem beneficiará com essa demora? Será a ENCO (que continuará a faturar) e os mangoloides que continuarão a nós humilhar por causa deste maldito presente envenenado – o combustível. E depois dos 5 anos, inventarão outra desculpa, para adiar o futuro deste país. Que tipo de especialistas de Organizações Internacionais são esses que nunca acertam em STP? BM e a Empresa construtora com cálculos desencontrados (9 anos para reabilitar uma mini-hidrica de 3 MegaWatts?. 80 milhões de dólares para reabilitar uma mini-hidtica de 3 MegaWatts? Com 80 milhões instalarmos 80 MegaWatts de energia solar contra 3 MegaWatts de energia hídrica.
    Este PM não pode nem deve ir na lenga lenga destas instituições internacionais. É um absurdo, o BM ter 20 milhões desbloqueados e cativos durante 9 anos sem usá-los. O Sistema eletrônico financeiro de controle do BM não permite isso. Onde andaram estes valores. No entanto estes 20 milhões não foram usados em benefício de STP e provavelmente estão a contar como dívidas de STP para com BM durante estes 9 anos, acumulando juros chorudos para o BM. E STP sempre no leve-leve e a ver navios. Isto é muita maldade do BM por manter todo um povo, toda uma nação, todo um país a sofrer durante 9 anos por capricho. Sabiam que existem condições em STP para implantar centrais fotovoltaicas em 5 anos e ficaram estes 9 anos a contemplar os 20 milhões e a inventar discursos de intenções de transição energética durante 9 anos? Repito, estes especialistas do BM são maldosos.
    Este PM é Economista. Se não andou na escola a cabular, ele tem o dever e o know-how para reverter o quadro energético de STP e atingir a autosuficiência em energia solar em 1 a 2 anos no maximo. Já vimos que 20 milhões estão aí disponíveis e sonegados há 9 anos (isto é um crime), e portanto estes 20 milhões podem e devem ser usados para instalar 15 MegaWatts de energia solar em 1 a 2 anos no maximo, para compensar os 9 anos que o BM andou a nos sonegar para alimentar a ENCO e os seus “mutchatchos”.
    Paralelamente ao projeto do BM na Agua Casada, o PM deve gizar um plano B de 6 a 10 MegaWatts, com outros parceiros, noutro ponto do país (não esquecendo o Príncipe) para precaver os possíveis atrasos do BM, que já nos habituou a sonolência.de 9 anos. Credo!!!
    Não nos foquemos em vinganças e ódios. Isto nos rouba muita energia, nos coroe s alma e nos prende ao passado. O PM deve manter o foco em anular (o mais rápido possível) os gastos de mais de 28 milhões de dólares anuais em importação de combustíveis pars geração de energia. E nestes 9 anos de sonolência do BM, STP já gastou mais de 200 milhões de dólares com importação de combustível, quando, com central fotovoltaica de 20 milhões, teríamos poupado mais de 200 milhões de dólares que teriam sidos injectados na economia real nestes últimos 9 anos
    Sr PM, a prioridade das prioridades em STP neste momento é a instalação de 30 MegaWatts de energia solar. As mini-hidricas levam muito tempo e por isso serão para depois. STP tem que poupar os 28 milhões de dólares de importação de combustível o mais rápido possível. Sejamos duros para as lengas lengas dos especialistas internacionais. Estes são maus, vigaristas e só nos sonegam com discursos.

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