Economia

Mais de 30 anos depois, São Tomé avança para revolução contábil

Após mais de três décadas a utilizar um modelo contabilístico desatualizado, São Tomé e Príncipe prepara-se para uma viragem que promete sacudir a forma como o país produz e interpreta os seus dados financeiros. A mudança virá com o novo Sistema de Normalização Contabilística (SNC), previsto para entrar em vigor em 2027.

O presidente da OTOCA, Hamilton Barros, admitiu sem rodeios que o sistema atual já não cumpre com as normas internacionais, sublinhando a necessidade urgente de requalificar os técnicos e harmonizar o modelo nacional com os padrões globais.

“Há toda uma necessidade de capacitar os profissionais para responderem a este novo desafio”, afirmou Barros, destacando que a contabilidade moderna deve ser mais do que mera burocracia deve ser um instrumento de transparência, de gestão eficiente e de responsabilização.

O novo sistema, além de alinhar São Tomé com as boas práticas internacionais, poderá funcionar como uma alavanca para a melhoria da confiança nos dados públicos e privados. Contudo, o sucesso da transição dependerá da qualidade da formação e da capacidade de adaptação das instituições.

A implementação do SNC representa mais do que uma simples atualização técnica: trata-se de uma mudança de cultura na forma como o país olha para as suas contas. E, segundo Barros, é preciso que todos os envolvidos, governo, empresas, técnicos e cidadãos, estejam preparados para esse novo tempo.

E adientou que está em marcha uma verdadeira transformação silenciosa na forma como as empresas e o Estado vão lidar com as finanças. O novo Sistema de Normalização Contabilística (SNC), cuja implementação foi oficialmente adiada para 2027, promete mudar profundamente o panorama da contabilidade em São Tomé e Príncipe.

A formação que arrancou esta segunda-feira, 23 de junho, e se estende até o dia 27, marca o início de uma nova fase. Ministrada pelo formador Rui Ferreira, a capacitação é apenas o primeiro passo de um processo exigente que visa alinhar o país com as normas internacionais. E os impactos não serão apenas técnicos — serão também políticos, económicos e sociais.

Será um desafio, mas estou certo de que os profissionais vão superá-lo”, declarou Rui Ferreira, reconhecendo que a adaptação exigirá esforço contínuo e requalificação em massa. Um primeiro grupo de técnicos da OTOCA já teve contacto prévio com os novos padrões numa formação em Lisboa, mas muitos ainda desconhecem o que está por vir.

O presidente da Ordem dos Técnicos Oficiais de Conta e Auditores de São Tomé e Príncipe, OTOCA, Hamilton Barros, afirmou que o sistema utilizado pelo país há mais de 30 anos já não corresponde às normas internacionais, por isso há toda necessidade de capacitar os técnicos para dar resposta a este este novo desafio, e avançou para já as vantagens do novo Sistema Normalizado de Contabilidade, que será implementado no país a partir de 2027.

A nova contabilidade não será apenas mais moderna — será também mais exigente. A promessa de maior transparência fiscal e melhor gestão de empresas vem acompanhada de dúvidas sobre a capacidade de adaptação do setor privado e dos próprios serviços públicos. Com um sistema tributário em evolução e empresários ainda pouco habituados a uma contabilidade gerencial rigorosa, o caminho até 2027 poderá ser turbulento.

O adiamento de um ano – de 2026 para 2027 – não foi apenas uma decisão técnica: foi também um sinal claro de que o país ainda não está preparado. E o tempo até lá terá de ser bem aproveitado.

Para o Estado, o novo modelo representa uma ferramenta eficaz de arrecadação. Para os empresários, pode ser a chave para uma gestão mais profissional — ou um entrave à sobrevivência de negócios mal estruturados. Tudo dependerá de como esta transição será conduzida, e sobretudo, de quem terá acesso à formação e aos meios de adaptação.

As próximas formações serão cruciais para evitar uma mudança desigual e garantir que a revolução contabilística beneficie todos. A contagem decrescente começou.

Waley Quaresma

2 Comments

2 Comments

  1. Fiá d'otagi

    25 de Junho de 2025 at 11:27

    O que deve ser conjugado com a reformulação também da fiscalidade, com os mecanismos de poupanças, ou captação de poupancas/rendimentos/investimentos/lucros/seguros

  2. EX

    25 de Junho de 2025 at 12:55

    Isso e mesmo de louvar, o pais bem precisa do novo sistema, com a imp[lementacoa do IVA, e para melhor funcionamento das empresas.
    Ai os Tecnicos terao mesmo que verdadeiros profissionais de Contas, devem ser Certicados, e os que nao sao perdem direito de representatividade perante as financas. E as empresas terao que lidar com melhor transparencia, e havera muitos beneficios para os Tecnicos de Contas, as Empresas e acima de todos o Estado, melhorara e muito a arrecadacoa de receitas.
    Mas o Sistema tera que ser bem implementado e divulgado

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