Economia

Novamente adiado o sonho petrolífero

O sonho petrolífero de São Tomé e Príncipe volta a ser adiado. Após a perfuração realizada em novembro no bloco 10, a mais de três mil metros de profundidade no mar territorial santomense, o consórcio Shell–Petrobras reuniu-se com o primeiro-ministro para anunciar que não foram encontrados indícios de petróleo no bloco denominado “Falcão”.

Não foi achado nada consistente com o que sabíamos. Em 2022 ficou comprovada a existência de sistema petrolífero, mas neste furo não se encontrou nada que confirmasse essa expectativa”, declarou Andrew Hepburn, gerente da Shell para São Tomé e Príncipe.

O consórcio apelou à paciência da população e assegurou que continuará a prospeção noutros blocos da zona económica exclusiva do país.

A Shell e a Petrobras são parceiras da ANP-STP em vários blocos — 4, 10, 11 e 13. O que precisamos agora é analisar os prospetos e avançar”, acrescentou Hepburn.

Este é já o segundo bloco perfurado na área exclusiva do arquipélago. O primeiro, o bloco 6, denominado “Jaca”, foi explorado em 2022 pelo consórcio Galp–Shell, onde se identificou petróleo, mas em quantidade insuficiente para exploração comercial.

A minha mensagem para a população santomense é paciência”, reforçou Hepburn.

Mais de três décadas após o anúncio do início do processo de prospeção, São Tomé e Príncipe continua sem resultados comerciais, quer na zona conjunta com a Nigéria, quer na sua própria zona exclusiva.

José Bouças

3 Comments

3 Comments

  1. IACER

    17 de Janeiro de 2026 at 14:33

    Acho que a autoridade de Estado responsável pela ANP-STP deveriam encontrar novas parcerias com outros parceiros com expertise para o setor do Petroleo de forma a se ter outras visões e decisões! Não é duvidar dos agentes participantes do processo mas tendo em conta as varias conclusões que ora animadoras e outrora desanimadores é tempo de se pensar em novas parcerias!

  2. Zagaia

    18 de Janeiro de 2026 at 7:22

    “Há males que vêm por bem’
    O país tem que procurar outra fonte de riqueza, porque a riqueza petróleo é uma maldição.

  3. Jorge Semedo

    18 de Janeiro de 2026 at 10:33

    STP tem 18 blocos na sua ZEE. A experiência nos demonstra que dos parceiros detentores/operadores dos vários blocos já adjudicados
    , apenas 1 tem feito furos de prospecção e com agravante de apenas 1 furo nas vésperas de cada eleições, ou seja de 5 em 5 anos. Com base nessa tendência, podemos concluir que a perspectiva nos aponta para 90 furos (1 em cada bloco) para daqui a noventa anos (quando nenhum de nós, nem nenhum dos nossos filhos ou netos estarão vivos).
    E nos pedem paciência. Sejais sinceros e digam-nos já: “esqueçam porque até lá vocês já nao estarão vivos”.
    É sintomatico e paradoxal:
    1. As igrejas nos pediam fé na felicidade, apenas após a nossa morte;
    2. Os nossos independentistas nos prometeram a felicidade, aqui na terra e enquanto vivos, após a expulsão dos colonos da nossa terra. Hoje, passados 50 anos, esses mesmos independentistas
    estão a viver as suas verdadeiras felicidades, exatamente nas terras dos antigos colonos, fruto dos saques perpetuados enquanto estiveram no poder;
    3. Os pais da mossa pseudo-democracia, venderam-nos o sonho segundo o qual, a verdadeira felicidade só seria alcançada, quando implementarmos o multipartidarismo. Hoje quando eles deixam o poder por força do voto ou por outros motivos quaisquer, eles se refugiam na felicidade das terras dos antigos colonos;
    4. Nos venderam o sonho de a nossa felicidade está no petróleo. Os cartazes/panfletos da campanha eleitoral do Fradique tinham uma foto de uma plataforma petrolífera gigante, simbolo da felicidade que se avizinhava com a exploração do petróleo na Zona Economica conjunta STP/Nigeria. Das chaminés daquela Zona economica conjunta, ja sabemos qual foi. D’alguns anos pra cá, já nao se houve falar dos furos nos blocos daquela zona conjunta;
    5. Da zona conjunta STP/Guiné-Equatorial muito se falou. A felicidade estava a vista na era Pinto da Costa vs Gabriel Costa, com vistas do Ministro dos Recursos Naturais da Guiné Equatorial s visitar o nosso país varias vezes confirmando de viva voz que o processo de exploração do bloco de petroleo dividido pela linha fronteiriça dos nos dois paises já estava num estado muito avançado e que só estavam só faltavam detalhes sobre a partilha dos dividendos. Naquela altura, circularam informações na midia segundo as quais Angola iria emprestar cento e oitenta milhoes de dólares em 3 anos (60 milhões /ano) que seriam pagos com os proventos.do referido bloco operados pelos nossos “pseudo-irmãos” mangoloides. Perante todos esses rumores de empréstimo, nem o Pinto, nem o Gabi disseram nem SIM, nem NÃO,nem NIM. Foi um silêncio supulcral.
    6. Criada a Zona Economica Exclusiva de STP e dividida em blocos pela empresa americana desconhecida no mundo do petróleo, acenderam as esperanças sobre a felicidade de cada um e de todos nos santolas aqui na terra e enquanto vivos. De balde. Sabemos que, cada uma das arebatadoras dos blocos leiloados pagaram cinco milhões de dólares por bloco. Uma amiga levou 2 de oferta. Mas esses blocos já foram revendidos pelos arrebatadores e os valores não foram revelados (o velho ditado: o sucesso do negócio é o segredo). Pelos vistos já recuperaram os valores investidos no leilão, sobre faturaram, deram umas migalhas aos poucos chicos espertos da linha da frente e a nossa felicidade continua a residir no além vida;
    Hoje, após 2 furos, nos pedem paciência. Ou seja, indiretamente, nos alertam: a vossa felicidade, só “além vida”.
    E continuamos a acreditar que a nossa felicidade não depende deles. Depende de nós. Todos nós.
    Mas o caricato é que não fazemos nada ao nosso alcance para reverter esta situação, continuando a espera que eles pensem por nós. Esta postura não nos levara a felicidade. Antes elo contrario: até o hospital central ficará sem água, coisa nunca vista. Estamos a afundar cada vez mais e a passos cada vez mais acelerados.

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