Política

Rendição no comando do navio Zaire destaca cooperação militar exemplar

Em São Tomé e Príncipe, a cerimónia de rendição do Comando do Navio Zaire da marinha portuguesa, que está desde o ano 2018, em missão de fiscalização marítima e formação da guarda costeira santomense, destacou o aspecto singular e exemplar da cooperação militar no quadro da CPLP.

Duas nações, uma guarnição. Assim se define o dia a dia do navio Zaire. Militares portugueses e santomenses, formam uma e única guarnição da embarcação que está destacada em São Tomé desde o ano 2018.

Com a missão de capacitar a Guarda Costeira, o navio garante também a fiscalização da zona económica exclusiva de São Tomé e Príncipe. Um espaço marítimo 160 vezes maior do que o espaço terrestre do país, e localizado no Golfo da Guiné, a região do mundo onde ocorre mais de 70% dos ataques de pirataria marítima.

Aliás no passado dia 13 de Novembro, piratas atacaram um navio comercial nas águas territoriais de São Tomé e Príncipe, tendo ao que tudo indica feito reféns 14 tripulantes da embarcação, pois até agora são dados como desaparecidos.

Em 3 anos de operações e patrulhamento no mar territorial de São Tomé e Príncipe, as autoridades militares portuguesas, consideram que o Zaire elevou as capacidades da Guarda Costeira.

«Tendo-se registado um salto significativo nas capacidades da guarda costeira de São Tomé e Príncipe, que importa aqui sublinhar», afirmou o capitão-de-mar-e-guerra da armada portuguesa, Paulo Cavaleiro Ângelo.

O oficial superior da marinha portuguesa, que é coordenador da missão de fiscalização conjunta e capacitação operacional marítima de São Tomé e Príncipe, destacou o exemplo que a cooperação militar no domínio da segurança marítima no arquipélago santomense tem sido para a Comunidade de Países de Lingua Portuguesa, a CPLP.

A capacitação de equipas de fuzileiros para operações de abordagem, até ao grau não cooperativo, tem vindo a ser consolidado graças a uma sincronização exemplar entre Portugal e Brasil. Um excelente exemplo no seio da CPLP, em termos de sincronização cooperativa».   Sublinhou o capitão-de-mar-e-guerra da marinha portuguesa.

Uma cooperação exemplar, que segundo , Paulo Cavaleiro Ângelo, «tem concorrido para dissuasão das actividades ilícitas nas águas santomenses, em particular, por  uma alteração de percepções na região acerca das reais capacidades existentes em São Tomé e Príncipe, no exercício da sua acções de soberania do seu vasto espaço marítimo», concluiu o capitão de mar e guerra.

O discurso de estratégia militar para defesa da zona económica exclusiva de São Tomé e Príncipe, e a garantia de segurança marítima na região do golfo da Guiné, foi feito pelo oficial da marinha portuguesa, na cerimónia de rendição do comando do navio Zaire.

Tratou-se da quarta rendição de comando nos últimos 3 anos. Tenente Guilherme Rosinha, terminou a missão de 10 meses como comandante do navio.

«Vieira …estás prestes a assumir o comando deste singular navio. Uma missão única, desafiante e de elevada responsabilidade», afirmou o Comandante Cessante, dirigindo-se directamente ao seu sucessor, o tenente Miguel Vieira

O novo Comandante reconheceu que a missão é desafiante, sobretudo para um marinheiro que regressa ao mar. «Pelo meu passado profissional ligado a navios dessa classe torna-se ainda mais relevante estimulante e desafiante. Considero-me assim afortunado por me ser dada a oportunidade de voltar ao mar e privar de perto com a verdadeira essência da organização que todos servimos, os navios…», frisou, o novo comandante do navio Zaire.

Durante os 3 anos de operações em São Tomé o navio já percorreu mais de 24 mil milhas náuticas., tendo realizado 25 acções de fiscalização marítima conjuntas, 14 acções de busca e salvamento, 7 vistorias a navios no mar, e 5 acções de segurança marítima no âmbito da pirataria.

Abel Veiga

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