Política

“As nossas águas são agora o berço para os ataques de piratas”

O retrato da situação actual da pirataria marítima em São Tomé e Príncipe, marcado por uma explosão de ataques quase que diários, é feito pelo Chefe das Operações navais da Guarda Costeira o Primeiro Tenente Hamilton Sousa.

«O que se passa é que os piratas deram conta da nossa fragilidade. Os piratas notaram que São Tomé e Príncipe não consegue estar presente no vasto mar que tem. Temos um mar vasto, e não estamos em condições de proteger o nosso mar…», afirmou o Chefe das Operações Navais da Guarda Costeira.

A Zona Económica Exclusiva de São Tomé e Príncipe, é 160 vezes maior do que o espaço terrestre do arquipélago.

«Os piratas deram conta que têm um mar calmo, sem pressão, para realizarem os seus ataques. Eles estão posicionados nas nossas águas, e depois vão lançando os ataques. As nossas águas são actualmente o berço dos ataques dos piratas», precisou o Primeiro-tenente Hamilton Sousa.

A guarda costeira avisa que a instabilidade que a pirataria marítima está a gerar no território de São Tomé e Príncipe, vai ter impacto grave a nível económico. O abastecimento do país através da navegação marítima pode ser condicionado, e toda a actividade económica por via marítima pode ficar bloqueada.

A pesquisa do petróleo na zona económica exclusiva de São Tomé e Príncipe, é uma das actividades que vai estar comprometida.

«Temos vários blocos de petróleo em fase de pesquisa. Os navios não vão fazer pesquisa nessas condições…. São 3 ou 4 navios para fazer pesquisa de petróleo. Sem protecção militar, de certeza que as empresas petrolíferas não vão correr riscos. Nós é que vamos perder…», alertou o Chefe das Operações Navais da Guarda Costeira.

A Guarda Costeira considera que a ameaça é grande sobre a segurança nacional, e com consequências desastrosas a nível económico. Um problema que só pode ser evitado, se houver acções para dar a guarda costeira meios navais capazes de fiscalizar o território marítimo nacional, e dissuadir a ameaça da pirataria marítima.

«A Guarda Costeira não dispõe de uma embarcação com autonomia para marcar presença no mar. …Temos apoio do navio Zaire. Mas o Zaire não é uma embarcação de São Tomé e Príncipe, é portuguesa. O mar é vasto, e o Zaire sozinho não consegue….», pontuou o Primeiro Tenente Hamilton Sousa.

Os militares consideram que uma embarcação nacional é fundamental para garantir e defender a soberania nacional.

«Com uma embarcação nacional, teremos uma prontidão de 10 à 15 minutos para a entrar em acção, e socorrer um navio que está a ser atacado. É diferente do navio Zaire que tem que pedir autorização a Portugal, para depois poder intervir. É diferente de pedirmos ajuda a Guiné Equatorial ou a Nigéria, para combater ou dissuadir uma ameaça no nosso território…É muito tempo perdido e os piratas terão feito das suas e fugido…», frisou.

O Primeiro Tenente Hamilton Sousa  disse ao Téla Nón que a guarda costeira está apetrechada com equipamentos que permitem fiscalizar e acompanhar quase todas as movimentações de embarcações nas águas nacionais e no Golfo da Guiné.

«Temos capacidade tecnológica de obter informações de quase tudo que passa nas nossas águas», assegurou.

A guarda costeira conta com radares e sensores que foram instalados no quadro da cooperação técnico-militar com a marinha dos Estados Unidos de América.

Para além de equipamentos de ponta para rastreamento do mar, a unidade militar beneficiou de várias acções de formação dos seus efectivos. O Primeiro Tenente Hamilton Sousa, foi formado pela marinha dos Estados Unidos de América. A Marinha de Guerra de Portugal, formou e continua a formar os efectivos da guarda Costeira. A Marinha do Brasil, também é muito activa na formação da força especial anfíbia santomense.

O Chefe das Operações Navais da Guarda Costeira, garantiu para o Téla Nón, que fruto da cooperação técnico – militar com os diversos parceiros internacionais, o país tem militares preparados para “encarar” os piratas e combatê-los. Só falta São Tomé e Príncipe ter um navio, com capacidade para colocar os fuzileiros navais e outros militares da Guarda Costeira, no teatro das operações marítimas.

«Temos homens treinados e capazes de estar em qualquer navio marcar presença no mar, e combater a pirataria no nosso mar. Mas não há meios navais», contestou.

O Chefe das Operações Navais da Guarda Costeira, concluiu a entrevista ao Téla Nón, com uma advertência às autoridades santomenses.

«As autoridades do país têm que ter isso em conta….», concluiu.

Abel Veiga

    16 comentários

16 comentários

  1. Auo

    17 de Fevereiro de 2021 as 16:28

    O governo de Gabriel Costa comprou embarcação vocês destruíram e incendiaram. O pixi ndala também destruíram. O falcão também destruíram. O que vocês militares querem afinal se não sabem conservar os barcos que o país vos dá. Agora vem dizer que a culpa é dos portugueses que ainda por cima nos ajudam. É muita ingratidão. Deixem de criar barrigas e conservem o que é nosso. Aliás nem as praias vocês protegem. O Geronimo papagaio amigo de primeiro ministro e camarada de partido mlstp está a criar grande pântano em micolo com extração de areia e ninguém diz nada. Está a provocar um grande problema ambiental aí. Daí a pouco vão inventar projecto de milhões para tapar o pântano que esse senhor está a abrir.
    Onde estão os militares para pôr cobro a isso?

    • voz do povo

      18 de Fevereiro de 2021 as 7:22

      Seja la quem for senhor ou senhora vai envestigar bem para depois nao falar merda, num país serio senhor Gabriel e compainha limitada poderia esta na cadeia por sub faturamento esse merda de barco nem da para pesca quanto mais fazer patrulha,vcs politicos poderiam ser todos presos, vai a Cabo verde vai ver o que é navio patrulha ladroes de merda, que eu sei 1º Tenente hamilton de Sousa é verdadeiro quadro e bem capacitado na materia e guande professor vai a liceu e IUCAI, Hamilton nao comprou deplomas como muito de vcs foi

  2. Zé de Neves

    17 de Fevereiro de 2021 as 17:37

    1 – Este senhor sente-se tão capacitado pela formação e utilização de meios que os europeus têm disponibilizado a STP que se dá ao luxo de decidir vir à imprensa pôr a descoberto as fragilidades de defesa e exercício de soberania de STP passando por cima de tudo o que é comando e chefe maior das forças armadas. Cuidado que os piratas também têm internet!

    2 – No dia em que STP tiver acesso a armas de guerra pesadas, temo que este país acabe de vez. Infelizmente, e conhecendo intimamente as estruturas militares e políticas deste país, não temos garantias suficientes de que estas armas não venham a ser utilizadas contra o próprio povo num golpe de estado de militares não eleitos para impor um novo regime.

    3 – Este senhor reivindica um “brinquedo” de guerra que custa mais a manter do que a adquirir. Daria 6 meses para a fragata / corveta / navio patrulha ou qualquer outra estar inoperacional por falta de técnicos de manutenção e peças de substituição. Nem os ferry boat civis conseguimos manter a navegar quanto mais um navio de guerra que tem de ser armado e aparelhado. Uma marinha de guerra requer uma estrutura de retaguarda brutal.

    4 – A solução, na minha opinião, é continuarmos com acordos de cooperação internacional conjunta o mais alargada possível no seio da CPLP e UE sendo STP responsável pela rendição de marinheiros, abastecimento combustível e fornecimento de víveres. Só isso já não é pouco! Está perfeitamente ao nosso alcance. Não é um passo maior que a perna em termos orçamentais e permite-nos enquadrar de forma capaz no esforço da nossa própria defesa.

    • Mundo Real

      21 de Fevereiro de 2021 as 5:20

      Você é português. Portugal já teve seu tempo em escravizar STP. Agora estão a promover a escravatura moderna. Pior é que vão conseguindo pouco a pouco porque alguns nacionais, filhos de STP, não querem ver ou têm medo de vocês.

  3. Andorinha

    17 de Fevereiro de 2021 as 18:07

    Este retrato traçado por esse militar Hamilton Sousa é preocupante e mostra bem o quando estamos vulnerável entregue a nossa sorte.
    Agora o Governo Português têm que proteger a eles e nos proteger também porque o nosso Governo pegam dinheiro do povo constroem vivendas para eles e boquitas compram casa na Europa e deixam o país depenado a faltar tudo.

  4. Fuba cu bixo

    17 de Fevereiro de 2021 as 18:19

    Meu coração chora de ver meu pais neste estado, em 2018 acreditei nas promessas eleitorais de Jorge bom Jesus mas esta a ser uma desilusão total o Jorge bom Jesus não esta a fazer nada Jorge bom Jesus não esta a dar conta do recado precisamos de um Primeiro Ministro que garante a segurança da nossa soberania e condições hospitalares mais isso não esta a acontecer Jorge bom Jesus é um ilusionista.

  5. luisó

    17 de Fevereiro de 2021 as 18:32

    Uma correção: o 1º tenente Hamilton Sousa não foi formado pela marinha dos EUA. A sua formação de oficial de marinha decorreu na Escola Naval portuguesa durante 5 anos.

  6. JACA DOXI

    17 de Fevereiro de 2021 as 18:40

    É impressionante como podemos ter no país carros que nem mesmo os países que os fabricam é dificil de os encontrar e não termos a esta altura, meios para proteger a maior riqueza que temos que é o mar. Enfim, o cerebro da maioria dos dirigentes africanos está no ku.

    Mas de nada adianta reclamar. Dada a urgência dos fatos, ha que buscar uma solução imediata para oferecer aos nossos militares os meios que precisam e essa solução passa por adquirir uma embarcação, urgentemente, mesmo que seja a crédito.

    Se o governo suspendesse o aluguer da vivenda de DELFIM NEVES no valor de 9.500 Euros, já seria um bom começo para economizar algum para salvar a economia do país que está ameaçada com o recrudecer da pirataria marítima nas nossas aguas territoriais.

  7. Matabala

    17 de Fevereiro de 2021 as 18:46

    A análise já está feita por quem percebe bem do assunto. Este nosso compatriota está a ser muito claro: precisamos de meios. Ora, se não os temos-pelas mais diversas razões sobretudo as que dizem respeito às prioridades que os nosso governantes tem dado a Jeeps alta cilindrada a zero km em vez de coisas que realmente podem servir o país – sejamos humilde e vamos pedir apoio internacional. Esse apoio não deverá ser financeiro-conhecemos muito bem o que aqui fazem com fundos e donativos. Sejam claro peçam barco aos parceiros que seguramente será dada resposta positiva. Comecem aqui pela região pois eles também tem interesse nisso : Guiné equatorial, Camarões, Nigéria, por exemplo.

  8. jfernandes

    17 de Fevereiro de 2021 as 20:53

    Uns piratas a procura dos outros .
    podem continuar no vosso leve leve .
    Um dia irao acordar !

    Nao se ademiram , ate porque temos os nossos piratas de estimacao
    internos .

  9. Terra Boa

    18 de Fevereiro de 2021 as 8:57

    Se pais não consegue adquirir uma embarcação que liga a Ilha do Príncipe a Ilha de São Tomé, acham que vão adquirir uma embarcação para militares???

    E a própria ligação entre as duas Ilhas está em risco de ataques piratas, as nossas costas estão vulneráveis, já já vamos ser surpreendidos com ataque de “Bocoaram” e outros rebeldes dos países vizinhos.

    Estamos fodidos, temos Governos e Governantes que nem estão ai para o perigo que o Pais esta a viver.

    Povo deve acordar e tomar rédeas disso.

  10. Maria das Dores

    18 de Fevereiro de 2021 as 12:28

    Ganhe juízo homem!

    já que tem tanta expertise e capacidade, porque não começa por estruturar capacidade de navegação civil inter-ilhas, navegação de bombeiros busca e salvamento, de evacuação e, quem sabe, marinha mercante que bem precisamos.

    Este é só mais um exemplo de um gás intestinal transformado em verbo pela boca da elite deste buraco sem fundo chamado país.

    A falta de humildade e lucidez conduziu-nos ao ponto onde estamos hoje.

  11. Lima

    18 de Fevereiro de 2021 as 13:02

    Se nessa zona ha petroleo para ser explorado,acham que é por acaso que existe ataques precisamente la?Talvez assim esses que devem explorar o petroleo vao prpopor-vos uma seguranca,uma protecao,assim voces vao ter que pagar.E com que dinheiro?Com esse do petroleo que vao explorar e assim voces nunca verao,nem sentirao o cheiro desse petroleo.Porque o dinheiro todo saindo dessa exploracao vai pagar a seguranca da zona que stp nao tem meios economicos para pagar.Estao leixados. Pois é uns estuda
    ram como manobrar as coisas e os outros so sabem aceitar e com sorriso.Nao podem refletir nao sabem negociar porque nao conhecem o valor das coisas.Se teem casa com piscina o resto nao importa.Quem conhece e sabe, quem, necessita manobra bem as coisas e entao obtem muito mais.Quanto mais estiverem na escuridao intelectual como financeira e mesmo nessa escuridao por falta de energia mais terao ajuda de tal ou tal organismo mais ficarao sempre considerados como pobres e incapazes.Porque que no Koweite,na Arabia Saudita,no katar nao ha coisas dessas?Quando se tem petroleo nao é o outro que vem ditar as suas leis.Nao se pode ser considerado como o pais mais pobre du mundo.
    Isso deveria eu fixo o preco e depois negocia-se.Mas como STP andou a crear dividas dizendo que sao ofertas entao nao podem ter navios para proteger o seu territorio e nem pode negociar a venda do famoso petroleo obtendo assim dinheiro para resolver os seus problemas.Como em STP mostra-se tudo o que se tem em casa penssando que é beleza e nao sabem proteger entao, o outro que nao vai com intéresse so de ver, ele v^e e aproveita para saber como roubar e trazer denovo para vender ao proprietario.E vai vender a que preco?O preco que o outro nao tera dinheiro para comprar.O outro esta falando contigo olhando-te nos olhos enquanto a mao dele esta no teu bolso,e voces esta sorrindo achando que é um grande amigo porque trosse-te os restos daquilo que ele nao quer mais,porque esta estragado e ele nao sabe como fazer destruir.Povo de STP ,intelectuais de STP nao existe nada dado gratuitamente.Aquele que recebe vai pagar de uma maneira ou outra.Nao se sintam felizes com as digamos ofertas. Depois de 45 anos,os espanhoes dizem:basta.

  12. Toni

    18 de Fevereiro de 2021 as 13:43

    Mais uma vez… STP não tem condiçoes para ser um Pais independente. Mesmo depois de 45 anos, com milhoes de USD/EUR de ajudas, com população de 200 mil habitantes, como é possivel encontrar-se numa situação de miseria, ainda por cima STP é um pais rico em recursos !!!

    Em relação ás forças armadas, STP tem um exercito obsoleto, sem qualquer experiencia, sem equipamento de combate, que para mim só serve para dar alguns empregos a inuteis! Nunca tiveram uma luta armada. STP não precisa deste exercito, precisa sim de uma boa Policia. O custo de manter esta brincadeira deveria sim ser atribuido a Policia e a equipamentos de vigilancia maritima.

    A marinha é uma força armada a ter em conta para a defesa de STP , importante dada a area maritima de STP.

    Se continua esta pirataria, preparem-se porque as companhias maritimas comerciais vão começar a debitar taxas de segurança para mercadorias com destino a STP, logo tudo vai chegar mais caro e também poderao deixar de escalar STP o seria uma catastrofe.

    STP é brincadeira !!!

  13. Zagaia

    18 de Fevereiro de 2021 as 15:44

    Sr.presidente da República(Evaristo de Carvalho) que vá pedir ajuda ás Nações Unidas, já……..
    Temo todo o direito de fazer o pedido á ONU, pois trata se de uma invasão ao nosso território e não temos meios para o combater, ou não temos o pagamento das quotas em dia?

  14. Pedro Costa

    18 de Fevereiro de 2021 as 17:19

    Acabem com as forças armadas, desmobilizem todas estas gentes e metem-no a trabalhar nas empresas agrícolas. Fortaleçam a guarda costeira e polícia de ordem pública. Quanto a meios marítimos tentem acordos de pareceria com os nossos amigos e mais nada. Andar a gastar com toda esta gente que não faz nenhum, um país sem guerra, enquanto a única preocupação são as nossas zonas marítimas.

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