Política

Fradique tentou pôr água na fervura política entre o PR e a Assembleia Nacional

«Todos dizemos que sim, queremos consenso queremos diálogo. Mas não temos diálogo…», declarou o ex-Presidente da República Fradique de Menezes, após encontro com o Presidente da República Carlos Vila Nova.

Foi na quinta-feira 11 de agosto, que Fradique de Menezes foi ao palácio do povo. Um encontro de cortesia, que serviu também para Carlos Vila Nova informar ao ex-Presidente da República sobre o conteúdo da sua comunicação à Nação de 10 de agosto.

Fradique de Menezes disse que não viu nem ouviu a comunicação de Carlos Vila Nova. Após reunião à porta fechada no Palácio do Povo, chegou a conclusão que Carlos Vila Nova e o primeiro-ministro Jorge Bom Jesus deveriam dialogar mais em torno da lei das actividades francas e offshore.

«É preciso diálogo entre as pessoas, fazer as coisas de forma concertada. Continuamos sempre com problemas que geram conflitos, porque toma-se decisões sem consultar outras pessoas. Criam isto, e quem paga por tudo isso é o país que não avança, não consegue avançar», alertou Fradique de Menezes.

Para o ex-Presidente da República só com consensos o país poderá avançar. «Todos dizemos que sim, queremos consenso queremos diálogo, mão não temos diálogo», reforçou.

A revisão da Lei das Zonas Francas e Offshore, gerou polémica entre a bancada parlamentar do partido ADI, e a mesa da Assembleia Nacional. Polémica que ficou mais complicada após o veto presidencial ao projecto de lei.

A Assembleia Nacional, que tinha clarificado o conteúdo da maioria qualificada, para aprovação do diploma em causa, reapreciou o diploma e remeteu ao Presidente da República, que deveria promulgá-lo num prazo de 8 dias. Segundo a Assembleia Nacional, não tendo promulgado o diploma no tempo definido por lei, ele entra imediatamente em vigor.

Na sua comunicação de 10 de Agosto o Presidente Carlos Vila Nova, avisou que o código das actividades francas e off-shore só poderá existir como lei, se ele o promulgar.

«Quero deixar claro tanto para dentro como para fora de São Tomé e Príncipe, tanto para os são-tomenses como para os estrangeiros, que não existe nem existirá se não houver promulgação do Presidente da República, o código das actividades francas e offshore. Repito para que não restem dúvidas, não existe e nem existirá se não houver promulgação do Presidente da República», declarou o Chefe de Estado.

Fradique de Menezes disse ao Presidente da República, que a instalação de zonas francas e offshore é importante para dinamizar o sector económico do país.

Fradique de Menezes no átrio do Palácio do Povo

«Eu disse ao senhor Presidente da República que temos que encontrar uma saída económica para este país. Mesmo se hoje produzíssemos 20 ou 30 mil toneladas de cacau, não conseguiríamos resolver os problemas deste país. Por conseguinte temos que arranjar alternativas, uma delas é a questão das zonas francas para provocar o movimento comercial do país», frisou.

No entanto sem entendimento entre os decisores políticos nada poderá ser feito.

« Acho que o Presidente da República deve pensar um bocado, em diálogo com o governo. O Presidente é o garante da constituição, e da moralidade do país, e ele não pode ficar de fora das decisões que são tomadas pelo governo. Acho que era bom que houvesse um entendimento entre sua excelência o Presidente da República e sua excelência o Primeiro Ministro», acrescentou Fradique de Menezes.

O antigo Presidente da República reconheceu que a situação social e económica do país, é grave. Para Fradique de Menezes, houve um erro de cálculo sobre a viabilidade de São Tomé e Príncipe como país independente. Erro cometido desde a independência nacional.

«Parece que o país está estagnado. Nós ficamos com estas ilhas, mesmo se celebramos a independência, se falamos e enaltecemos os que trabalharam para a nossa independência, os nossos heróis. Mas ao mesmo tempo temos que chegar a conclusão que não se pensou no país economicamente. Não se viu se o país tinha condições de ser completamente independente», afirmou.

Para São Tomé e Príncipe sair do fosso da pobreza e do atraso, «temos de arranjar outra maneira, e com pessoas com mentalidade progressista, que saía fora do quadro partidário, que tenta fazer com que o país seja lançado economicamente», concluiu.

Fradique de Menezes reforçou que é preciso colocar pessoas certas nos lugares certos. Pessoas despedidas do manto partidário.

Abel Veiga

7 Comments

7 Comments

  1. mezedo

    12 de Agosto de 2022 at 16:23

    Se essa lei fosse aprovada pelos malandros do Pinta Cabra já estaria promulgado.

    o maior problema deste PR, é que ele não quer que este Governo faça nada que traz benéficos para o país, apenas para deixar em maus lenções o Governo e assim favorecer politica do ADI.

    Mas São Tomé poderoso esta aqui para ver esses fugitivos pinta boys

  2. OLIVIO da Trindade

    12 de Agosto de 2022 at 18:22

    Bom trabalho sr.Fradique so conversando ê que os homens se entendem .Vamos trabalhar em conjunto para desenvolvermos o País ,vamos por STP em primeiro lugar. Esta ideia de lojas francas é a mais válida para S.Tomé,bem haja .

  3. Original

    12 de Agosto de 2022 at 21:00

    Achei o PR um pouco nervoso como se alguém lhe tivesse dado um puxão de orelha.

  4. ipnhá de dúmo

    13 de Agosto de 2022 at 12:51

    Oito meses depois da tomada de posse do Presidente Fradique de Menezes, São Tomé e Príncipe entrou numa era de instabilidade nunca antes vista: demite o Governo maioritário chefiado por Guilherme Posser da Costa; demite o Governo da sua iniciativa, chefiado por Evaristo Carvalho; forma um Governo de Unidade Nacional, dirigido por Gabriel Costa, demitindo-o seis meses depois; demite o Governo de Maria das Neves; Damião Vaz de Almeida pede a sua demissão como primeiro-ministro do Governo com justificação de não suportar as interferências do Presidente da República e, por último, Fradique de Menezes demite o Governo de Maria do Carmo Silveira.

    • Madiba

      16 de Agosto de 2022 at 9:14

      Esqueceu-se da demissão do governo de Engº Tomé Vera Cruz.

  5. gustavo lima

    13 de Agosto de 2022 at 13:01

    Desculpa-me povo de São Tomé e Principe mas este sr. cara de pau de nome Fradique de Menezes tem a lata de hoje vir dizer que é preciso diálogo. Acredito que qualquer cidadão santomense pode dizer isto mas senhor não tem vergonha na cara. Estas declarações vinda da boca deste senhor é um insulto e não vale a pena aqui dizer as razões porque todos nós vivemos e sofremos nos 10 anos do mandato deste senhor. Daí só quero concluir que este senhor não dá PONTO SEM NÓ. Sim com interveção deste senhor poderei dizer esse “angú tem carroço”. Motivo de alerta. Um bem haja a todos.

  6. Madiba

    16 de Agosto de 2022 at 9:21

    Desde o começo da nossa democracia, houve várias tentativas para implementação das seguintes zonas francas:
    -Zona franca de ilhéu das rolas;
    -Zona franca de Lagoa Azul;
    -Zona franca de Praias Francesa e Lagarto;
    -Zona franca de baía das agulhas no Príncipe.
    A minha pergunta é porquê que nenhuma delas conheceu a luz do dia? S. Tomé e Príncipe para se desenvolver é à luz das zonas francas? Deus, acuda S. T. P!

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