Política

Governo não conseguiu arranjar uma botija de oxigénio para salvar a vida de uma mãe de 4 filhos

A constituição política de São Tomé e Príncipe diz que a vida humana é inviolável, e garante que a saúde é um direito inalienável do cidadão. Mas, à cidadã Diamila Salvaterra de 34 anos de idade, mãe de 4 filhos, foi negado tal direito.

Aliás, à semelhança de dezenas de outros cidadãos nacionais que morreram e continuam a morrer no hospital central Ayres de Menezes, por falta de assistência médica especializada, ou por falta de medicamentos básicos. Um facto que foi recentemente denunciado pela Ordem dos Médicos e pelo sindicato da classe.

O sofrimento até a morte à míngua da cidadã Diamila Salvaterra denunciado pela “Rádio Somos Todos Primos” veio provar que o juramento que as autoridades governativas fazem quando são investidas nas funções, não tem sido cumprido. Juram cumprir a constituição e as demais leis.

Após 5 meses internada no hospital central Ayres de Menezes, por causa de uma doença rara, a Fibrose Pulmonar, a cidadã beneficiou de uma junta de saúde, que decidiu pela transferência da paciente de São Tomé para tratamento num hospital competente em Portugal. São Tomé e Príncipe não tem nenhum especialista em pneumologia.

Sendo uma doença que bloqueia o sistema respiratório, e segundo relatos dos familiares a paciente precisava de receber oxigénio durante a viagem até Lisboa.

A solução para a transferência aérea de Diamila Salvaterra dependia de uma botija de oxigénio. «Foram feitos vários contactos para arranjar uma solução. Mas os familiares não tiveram qualquer resposta concreta, sobretudo das autoridades governamentais», revela a “Rádio Somos Todos Primos”.

Patrice Trovoada primeiro-ministro e Chefe do Governo tomou conhecimento da situação na última semana e garantiu que estava «a acompanhar com carácter de urgência a situação da paciente Diamila Salvaterra».

Patrice Trovoada justificou a demora na transferência da paciente, com o facto de o seu governo ainda não se ter adaptado às alterações do regulamento imposto às companhias aéreas.

Uma justificação que não convenceu praticamente ninguém. Ainda mais, quando o governo tem um relacionamento bastante fluido com as companhias aéreas. Os familiares da vítima imputaram responsabilidades ao governo pela demora na transferência da paciente para Portugal.

Diamila Salvaterra morreu no hospital central Ayres de Menezes na tarde de segunda-feira , 19 de agosto.

Danilo Salvaterra activista social na diáspora acompanhou o desespero da família da vítima, e denunciou que o primeiro-ministro só reagiu depois da pressão feita pelos familiares da vítima. Foi assim que Patrice Trovoada orientou a Ministra da Saúde Ângela Costa para diligenciar no sentido de encontrar uma botija de oxigénio e consequentemente transferir a paciente.

No entanto a falecida poderia ter encontrado socorro em Portugal já no último fim de semana. Tudo apontava para que a viagem acontecesse no último sábado. Mas, segundo Danilo Salvaterra, nem esta possibilidade de socorro teve chance de ser materializada.

«A embaixada de São Tomé e Príncipe em Portugal, não deve ter dado diligências, ou não tem dinheiro para pagar a ambulância do aeroporto de Lisboa para o hospital… Telefonei várias vezes para o responsável da embaixada que se ocupa destes casos. Deixei mensagens, até porque havia muita gente que queria ajudar a paciente. Mas o responsável nunca atendeu, e nem fez questão de responder as mensagens», afirmou Danilo Salvaterra.

O activista social deixou no ar uma pergunta, que tudo indica paira na mente de qualquer cidadão santomense minimamente lúcido.

«Que país é esse, em que nem as palavras do primeiro-ministro, para um assunto tão simples, é fiável?».

Abel Veiga 

8 Comments

8 Comments

  1. Júlio Neto

    20 de Agosto de 2024 at 11:18

    Deus, Pai Eterno, São Tomé Poderoso e Santo António, farão justiça. Ontem foi ela, amanhã ou depois poderá ser um de nós. A doença nunca avisa, nem a morte é o sofrimento. Estamos – todas e todos – neste mundo de passagem. Jesus Cristo tenha piedade de nós.

  2. Sotavento

    20 de Agosto de 2024 at 12:26

    Triste, triste.
    Pésames a familia.

  3. Sem assunto

    20 de Agosto de 2024 at 13:35

    Enquanto isto o Patrice Trovoada viaja pelo mundo vadiando com benefícios zero para o país.
    Quantas botijas de gás estes passeios não comprariam?
    Que estória é está de um país não ter especialista médico para A, B, C?
    Será isto uma nação credível?

  4. João Gonçalves

    20 de Agosto de 2024 at 14:09

    Um governo não consegue arranjar uma botija de oxigênio para salvar a vida do seu cidadão. Que Estado eh esse.

  5. Original

    20 de Agosto de 2024 at 20:50

    Ela já se foi por não ter havido meios amanhã irá o rei com coroa com toda sua riqueza e mordomias não servirão para alterar aquela data e para ajustar contas com Deus escoltas ficarão na terra assim como todo ouro pratas.O caminho final para aqueles que julgam dono de mundo,será muito mais doloroso porque hão-de padecer.Muito embora,tendo carne na mesa apenas irão ver tudo e apenas lágrimas irão encher o prato.Deus proverá.

  6. ANCA

    21 de Agosto de 2024 at 8:34

    Trabalho de agua com cesto.

    Já nem vou entrar no pormenor, que se podia pedir, arranjar duas ou três botijas de gás, em Angola, ou Cabo Verde, ou outro País a volta, ou vontade do dirigentes para resolver e ajudar a salvar vidas

    A questão é mais profunda e tem sido relatada a anos, com conhecimento de todos os dirigentes no país

    De que é necessário mudar de paradigma, quanto a organização, qualidade objectivos, planos, acções no sector do ensino, na educação, na saúde, na justiça e segurança.

    Enquanto continuar mos com esta política de evacuação, ou tratamentos no exterior, de evacuação para formação no exterior, jamais resolveremos problemas internos no sector da saude, da educação, da justiça da segurança.

    Sabe-se das dificuldades económicas que as pessoas têm quando vão para tratamento no exterior nomeadamente em Porugal,…

    O do estado de que encontra a condições de saúde no país

    Sabe se que os estudantes no exterior tem dificuldade imensas, atrasos no pagamentos de bolsas,…

    Sabe-se de que o estado se encontra a justiça no país,…

    Sabe-se que o estado de a segurança, aumento de criminalidade no país,…

    A mudança de paradigma, impõe se olhar internamente, a organização destes sectores, a sua modernização, reforma das instituições, formação intetna de qualidade, escolas e universidades, apetrechamento formação nas instituições de segurança, modernização da justiça.

    Um dois, tres meses a espera da botija de oxigénio

    Ha que estado chegamos???

    Sem responsabilização de ninguém

    Num país pobre e desorganizado insular, dependente e periférico, a educação , saúde a justiça e segurança jamais podem ser gratis, tem de se pagar o mínimo, para que possa ser melhor organizado e boa prestação de serviço, o minimo dos mínimos

    Para quando a atracção de uma fabrica de produção de medicamentos no país.

    Universidades com faculdades de medicina e outros cursos relevantes para a construção desenvolvimento modernização do país

    Infraestruturas hospitalares, etc etc….

    Já ja vão quase cinquenta anos de independência, as condições continuam a degradar-se.

    Tenhamos juízo

    Pratiquemos o bem

    Pois o bem

    Fica nos bem

    Deus abençoe São Tomé e Príncipe

  7. Sabino Gumão

    21 de Agosto de 2024 at 9:14

    O Primeiro Ministro Patrice Trovoada está sempre a viajar. Porquê não arranjou o jato privado para levar a paciente ao Gabão ou a Guine Equatorial?
    Isto que é a SOLUÇÃO?
    Homem manda com o tempo.

  8. Fala Verdade

    21 de Agosto de 2024 at 11:42

    Mais de 40 ans de independencia para isto… Antigamente havia hospitais nas maiores roças do pais, hoje nem uma botija de oxigenio….

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

To Top