Mergulhado numa crise interna com impacto negativo sobre a governação do país, o partido ADI que domina todos os órgãos de poder em São Tomé e Príncipe acabou por demonstrar com os sucessivos adiamentos da reunião do conselho nacional, que vive um mau momento interno.
Marcada para o dia 8 a reunião passou para 15, mas só foi realizada no dia 16 de novembro. Os choques internos não puderam ser camuflados na abertura da reunião do conselho nacional.
Patrice Trovoada presidente do partido, ausente do país desde janeiro de 2025, liderou a reunião por videoconferência. Altercações tensas entre o Presidente da ADI e alguns membros da direcção foram testemunhadas antes dos jornalistas terem sido convidados a abandonar o anfiteatro do Palácio do Congressos, onde decorreu a reunião.


O Vice-Presidente da ADI Orlando da Mata e o Presidente Patrice Trovoada tiveram acesa discussão. Também o líder por videoconferência teve alguma discordância com o actual primeiro-ministro Américo Ramos, que esteve sozinho na primeira plateia do palácio do anfiteatro.
Foi uma a lavagem da roupa suja da ADI. «Desde janeiro o partido tem vivido um momento estranho, com clivagens internas», afirmou o secretário-geral Elísio Teixeira.
Segundo o secretário-geral, o partido teve de promover uma auscultação aos militantes antes de reunir o conselho nacional.
«O partido precisa de coesão, e temos de trabalhar para que o partido se mantenha unido e coeso, porque só assim conseguiremos vencer os embates», acrescentou Elísio Teixeira.

A auscultação feita aos militantes e a aproximação das eleições gerais de 2026 acabaram por dar a volta à agenda do conselho nacional da ADI.
Num comunicado assinado pelo Presidente Patrice Trovoada e divulgado em outubro, a agenda do conselho nacional na altura marcada para 8 de novembro, indicava a marcação do congresso electivo como o principal ponto da agenda da reunião do conselho nacional.
Mas na reunião realizada no dia 16 de novembro, tudo mudou. A marcação do congresso para eleição de uma nova direcção saiu da agenda. Sob a presidência de Patrice Trovoada via on-line, o conselho nacional da ADI decidiu marcar para 4 de abril de 2026 o congresso extraordinário que terá apenas um objectivo, a indicação do único candidato do partido às eleições presidenciais de 2026.
«O congresso indicativo de 4 de abril do próximo ano, analisará diversas situações. Mas acima de tudo será para definir o candidato às eleições presidenciais. É um congresso para definir a estratégia para as eleições de 2026», declarou o secretário-geral Elísio Teixeira.


No entanto, o mesmo secretário-geral garantiu que o actual primeiro-ministro Américo Ramos anunciou ao conselho nacional da ADI que é candidato à Presidência do partido.
«O actual primeiro-ministro, o nosso companheiro Américo Ramos declarou que ele é um dos candidatos à liderança do partido. Veremos nos próximos tempos. Pois na altura em que se fizer o congresso electivo, ele será já um candidato declarado», disse Elísio Teixeira.
Um congresso electivo para a direcção do partido que não tem data, e sobre o qual o conselho nacional não se pronunciou.
«Poderá haver a necessidade dentro do partido de organizar um outro congresso, para eleição dos órgãos do partido após o congresso de 4 de abril de 2026», defendeu o secretário-geral da ADI.

Patrice Trovoada enquanto Presidente da ADI viu renovada a confiança dos militantes do partido para que possa continuar a pilotar a maior força política do país, mesmo à distância. O conselho nacional aprovou por unanimidade a moção de confiança ao líder.
Até ao congresso de 4 de abril em que a ADI vai escolher o candidato único às eleições presidenciais, Patrice Trovoada vai agir, segundo o secretário-geral Elísio Teixeira, para conseguir «uma coesão plena no seio da ADI».
Abel Veiga