Política

Entrevista : A questão de Taiwan

A imprensa internacional dá conta do momento de tensão no estreito marítimo que separa a República Popular da China e a ilha de Taiwan.

Numa entrevista dada ao Téla Nón Huang Kun, porta-voz da embaixada da China em São Tomé e Príncipe explicou a versão da República Popular da China sobre o que se passa no estreito marítimo e em torno da ilha de Taiwan.

TN : Analisando os aspectos históricos como é que se explica o litígio que se assiste hoje em torno da ilha de Taiwan?

Huang Kun : No final do século XIX, o Japão invadiu e ocupou à força a província de Taiwan. Após a Segunda Guerra Mundial, a Declaração do Cairo e a Declaração de Potsdam estipularam explicitamente a devolução à China da província de Taiwan, ocupada ilegitimamente pelo Japão. Foi de jure e de facto que a China recuperou a província de Taiwan. É o resultado da vitória de todo o povo chinês, incluindo os nossos compatriotas em Taiwan, na Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa. Estes factos históricos e jurídicos são inquestionáveis. A recuperação da soberania da província de Taiwan por parte da China constitui um legado essencial da vitória da Segunda Guerra Mundial e da ordem internacional pós-guerra.

Em 1971, a Assembleia Geral da ONU adoptou a Resolução nº 2758, ratificando os representantes do governo da República Popular da China como os únicos representantes legítimos da China perante as Nações Unidas e expulsando os “representantes” das autoridades da província de Taiwan.

O princípio de Uma Só China, consenso geral da comunidade internacional e norma básica universalmente reconhecida nas relações internacionais, é a base política para o estabelecimento e a manutenção das relações diplomáticas entre a China e os 183 países, incluindo São Tomé e Príncipe. A China expressa alta apreciação e sincero agradecimento pela posição firme do Governo de São Tomé e Príncipe no respeito ao Princípio de Uma Só China.

TN: Recentemente, no dia 18 de dezembro, os EUA anunciaram a venda a Taiwan de mais um pacote de armas avançadas, de cerca de 11 bilhões de dólares. Qual é a reacção da China?

Huang Kun : A questão de Taiwan é um assunto meramente interno da China. A venda de armas dos EUA, é uma interferência brutal nos assuntos internos da China, fornece sustentos militares para actividades secessionistas e impede o processo da reunificação pacífica da China.

Existe no mundo apenas Uma Só China, e Taiwan é uma parte inalienável do território chinês. O governo da República Popular da China é o único governo legítimo que representa toda a China. Isso é o verdadeiro status quo no Estreito de Taiwan. As Autoridades de Taiwan têm tentado procurar a secessão com o apoio dos EUA, e algumas pessoas nos EUA aproveitam Taiwan para conter a China. Isso deu origem à maior alteração do status quo no Estreito de Taiwan e a maior ameaça à paz no estreito de Taiwan.

No que diz respeito às sucessivas vendas de armas para a região de Taiwan, os EUA já assumiram, no Comunicado Conjunto de 17 de Agosto em 1982, o compromisso de que “as vendas de armas dos EUA não excederão, nem em termos qualitativos nem quantitativos, o nível das fornecidas nos últimos anos desde o estabelecimento das relações diplomáticas entre os EUA e a China”, e que «os EUA pretendem reduzir gradualmente a venda de armas para a região de Taiwan, com vista a alcançar, ao longo do tempo, uma resolução final». No entanto, depois de mais de quatro décadas, em vez de cumprir o compromisso, os EUA estão a vender para Taiwan, armas em maior quantidade e com tecnologia mais avançada, sob o pretexto de manter “status quo no estreito de Taiwan”. Isso infringe gravemente a soberania e segurança da China, exacerba a atitude provocadora das secessionistas de Taiwan, e torna vulnerável o status quo no Estreito, deitando mais lenha para a fogueira.

A questão de Taiwan diz respeito à soberania e integridade territorial, e é o núcleo dos interesses fundamentais da China. Não existe nenhuma margem de transigência ou concessão. A parte chinesa já fez uma interpelação séria e um protesto enérgico aos EUA, e tomou uma série de medidas necessárias para combater os secessionistas de Taiwan.

TN : Disse que a China tomou uma série de medidas necessárias. Poderia especificar quais são?

Huang Kun : Em resposta à recente anúncio pelos EUA da venda em larga escala de armas para a região chinesa de Taiwan, a China decidiu tomar contramedidas, de acordo com a Lei Contra as Sanções Estrangeiras da República Popular da China. 20 empresas militares norte-americanas e 10 altos executivos que se envolveram em armar Taiwan nos últimos anos foram sancionados. E desde 29 de Dezembro  o Comando do Teatro Leste do Exército de Libertação Popular (ELP) começou a conduzir exercícios militares em áreas próximas à Ilha de Taiwan.

As medidas tomadas pela parte chinesa são totalmente legais e justas. Trata-se não só duma sanção severa para as forças secessionistas, mas também um aviso sério para as interferências externas.

Reiteramos mais uma vez que qualquer tentativa de cruzar a linha vermelha e fazer provocações sobre a questão de Taiwan encontrará uma resposta enérgica da China. Qualquer empresa ou indivíduo que se envolva na venda de armas à Taiwan pagará o preço por esse comportamento ilícito. Nenhum país ou força deverá jamais subestimar a determinação, vontade e capacidade do governo e do povo chinês para salvaguardar a soberania nacional e a integridade territorial.

FIM

FAÇA O SEU COMENTARIO

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

To Top