O comandante da Guarda Costeira, capitão de fragata, Hamilton Sousa fez as contas e apresentou os resultados. Antes confrontou as autoridades políticas e governativas com uma questão.
“Qual é o valor do Orçamento Geral do Estado?”, interrogou.
O Téla Nón sabe que para o ano 2026 a Assembleia Nacional aprovou um orçamento de Estado de 233 milhões de euros.
O Comandante da Guarda Costeira prosseguiu «um navio arrastão a pescar ilegalmente durante 1 ano, faz aproximadamente 48 milhões de dólares».
Hamilton Sousa voltou a interrogar as autoridades decisoras do Estado são-tomense. «A pergunta sobre a qual São Tomé e Príncipe deve reflectir é : Quantos navios arrastões pescam ilegalmente nas suas águas?».
Os Estados Unidos da América, equiparam a guarda costeira com radares e sensores, que monitoram toda a actividade marítima nas águas nacionais. O comandante da Guarda Costeira já tinha dito antes, que são inúmeras as ameaças registadas nas águas nacionais.
«Será que há 10 arrastões pescando ilegalmente nas nossas águas?», voltou a interrogar.
Ele mesmo deu a resposta. «Se a resposta for sim, são cerca de 480 milhões de dólares que São Tomé e Príncipe perde, por ano, só com arrastões ilegais», pontuou.
Com as contas feitas, e para concluir a sua explanação, o Comandante da Guarda Costeira voltou a interrogar os decisores políticos do país. «Qual é o valor do Orçamento do Estado São-tomense?».
Não é a primeira vez que o agora Capitão de Fragata Hamilton Sousa confronta as autoridades nacionais com a necessidade de investir na guarda costeira, e na segurança marítima, como factor de protecção da riqueza nacional e consequentemente do desenvolvimento económico.
Em fevereiro de 2021 ainda como primeiro tenente, e chefe das operações navais da Guarda Costeira, Hamilton Sousa deu uma entrevista ao Téla Nón, onde denunciou a ausência por parte do Estado de uma política que permitisse apetrechar a guarda costeira com meios navais capazes de fiscalizar o mar territorial, que é 160 vezes maior que o espaço terrestre.
«A Guarda Costeira não dispõe de uma embarcação com autonomia para marcar presença no mar. Temos apoio do navio Zaire. Mas, o Zaire não é uma embarcação de São Tomé e Príncipe, é portuguesa. O mar é vasto, e o Zaire sozinho não consegue…» declarou o então primeiro tenente da guarda costeira.
Para o oficial da guarda costeira, o país tem de garantir autonomia e independência.
«Com uma embarcação nacional, e temos pessoal formado para tal, teremos uma prontidão de 10 a 15 minutos para entrar em acção, e socorrer um navio que esteja a ser atacado. É diferente do navio Zaire que tem de pedir autorização a Portugal, para depois poder intervir», frisou em fevereiro de 2021.

O Exercício Obangame Express aberto pelo ministro da defesa e ordem interna, o Brigadeiro Horácio Sousa, é realizado em simultâneo em cerca de 13 países africanos banhados pelas águas do golfo da Guiné. Pela primeira vez os Estados Unidos não comandam o exercício, que conta com a participação de 7 países membros da OTAN. O comando da operação naval multinacional passou para os Camarões.
Abel Veiga