Sociedade

Covid-19: Portugal doará 6 milhões de vacinas à CPLP pede união nesse propósito

PARCERIA – Téla Nón / Rádio ONU

Em entrevista à ONU News, chefe da diplomacia defende programa específico de cooperação; um terço do total já foi colocado à disposição de nações de língua portuguesa; Augusto Santos Silva quer paciência e compreensão devido a medidas para a entrada no território português após a descoberta da variante Ômicron. 

Portugal convidou os Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, a colaborarem na doação de vacinas contra a Covid-19, após anunciar que triplicará a quantidade de unidades já entregues a algumas nações.

Em Nova Iorque, o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse à ONU News que a medida pretende assegurar um maior acesso aos imunizantes que é vista como necessária em tempos da nova variante Ômicron.

Programa de cooperação

ONU News – Augusto Santos Silva, Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

“Portugal é dos países do mundo com maior nível de vacinação. A nossa população adulta está praticamente toda vacinada. Nós já estamos a vacinar os mais velhos com a terceira dose. Desse ponto de vista somos uma exceção, a maioria do mundo não está neste estágio. Por isso mesmo é que é muito importante para nós, ao mesmo tempo que vacinamos a nossa gente, ter um programa de cooperação com os países de língua portuguesa, especialmente os de África e Timor-Leste, um programa de doação de vacinas. Neste momento já doamos 2 milhões de vacinas e o nosso propósito é chegar aos 6 milhões. Mas isso é um esforço que nós temos que fazer todos, porque uma coisa é certa: enquanto houver região do mundo em que a vacinação não esteja generalizada, nenhuma outra região do mundo pode dizer que está segura.”

Portugal mantém a suspensão de voos de e para a África Austral com vista a conter a Ômicron. O país confirmou pelo menos 37 casos da nova variante.

Tivemos que pedir às pessoas um sacrifício mais.

Moçambique detectou dois infectados. Para a prevenção, Angola suspendeu as ligações aéreas com sete nações do continente. Fora da região africana, o Brasil relatou os primeiros casos da variante na América Latina.

O chefe da diplomacia portuguesa pediu paciência para os afetados pelas novas restrições em seu território, explicando que as medidas durarão enquanto as autoridades de saúde tentam entender a variante, seus efeitos e como combatê-la.

Compreensão

“Tivemos que pedir às pessoas um sacrifício mais. Neste momento, todas as pessoas que entram em Portugal, mesmo que estejam vacinadas, têm que apresentar um teste negativo. E eu vou para Portugal hoje à tarde e já fiz o meu teste para esse efeito. Portanto são sacrifícios que se pedem às pessoas. Nós pedimos a compreensão porque queremos combater este vírus, queremos evitar que ele se espalhe.”

Em outubro, a Cplp pediu um acesso rápido aos imunizantes para assegurar a mitigação dos efeitos da Covid-19.

O bloco de nove países apoia a iniciativa Covax, que defende a partilha de doses de vacinas, chamando a atenção para “um sul global desprotegido, frágil e ainda sem programas nacionais consistentes em andamento”.

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