Sociedade

Campanha de tratamento massivo do paludismo em São Tomé

A campanha de tratamento anti-palúdico das populações das regiões onde se regista aumento do índice do paludismo é promovida pela cooperação técnica da China em parceria com o ministério da saúde.

As acções de tratamento massivo contra o paludismo começaram no mês de Março e prosseguem até Junho próximo. Pelo menos 10 localidades do distrito de Água Grande, o mais populoso do país, e que envolve a cidade capital, São Tomé estão na lista da campanha de tratamento massivo contra o paludismo. São localidades onde se regista um aumento do número de casos de paludismo.

A equipa técnica e médica da China envolvida na campanha, em parceria com os técnicos do centro nacional de endemia estão a administrar aos grupos populacionais uma combinação de Artemisina + Piperaquina + Primaquina durante dois dias consecutivos. O tratamento é feito em 3 ciclos com um intervalo de 1 mês.

Medicamentos anti-palúdicos

Este método de controlo e combate do paludismo, é implementado pela equipa técnica da China e foi bem sucedido em algumas comunidades do país onde se registava um recrudescimento dos casos do paludismo.

O Bairro da Liberdade nos arredores da cidade de São Tomé, é um dos exemplos. Vasco Guiva representante da comunidade de bairro da Liberdade destacou o sucesso alcançado na luta contra a doença.  

«A nossa comunidade apresentava-se no hospital central diariamente por causa do paludismo. Em 2018 registávamos 336 casos de paludismo por ano, aqui no bairro. Em 2019 assim que começamos o tratamento em massa com a equipa do centro nacional de endemias, de 336 casos reduzimos o número para apenas 30 casos por ano. Foi numa luta forte», explicou Vasco Guiva.

O líder da comunidade de Bairro da Liberdade, garantiu que com o tratamento massivo contra a doença, em 3 anos o índice do paludismo reduziu em mais de 90% no bairro.

É esta experiência de sucesso que os técnicos de saúde pública da China e de São Tomé e Príncipe querem reproduzir em outras 10 localidades do distrito de Água Grande.

Xu Yingzhen, embaixadora da China em São Tomé e Príncipe aproveitou a cerimónia de lançamento da campanha de tratamento em massa contra o paludismo, para recordar que «o povo chinês também sofreu com o paludismo durante longo tempo, mas com esforço de décadas conseguiu eliminar o paludismo».

Equipa técnica da China

Segundo a diplomata chinesa o seu país acumulou experiências na prevenção e tratamento do paludismo. «Temos que partilhar com São Tomé e Príncipe. A equipa técnica chinesa tem ajudado a parte são-tomense na elaboração de uma nova estratégia de luta contra o paludismo, caracterizada pelo tratamento em massa com o auxílio de medidas de combate ao vector (mosquito que provoca o paludismo), e que já tiveram sucesso notável em várias comunidades epidémicas», pontuou a embaixadora Xu Yingzhen.

Bairro da Liberdade na cidade de São Tomé, e a Roça Lembá no norte da ilha de São Tomé são dois exemplos de sucesso na implementação da nova estratégia de luta contra o paludismo, promovida pela República Popular da China. Sensibilização e informação das populações, e a formação dos técnicos locais são as acções prioritárias que antecedem ao tratamento massivo das populações.

A Ministra da Saúde Filomena Monteiro, prometeu que até Junho próximo, as localidades com alta incidência do paludismo vão ser submetidas a um apertado processo de rastreio e tratamento.

«Apelar a população a aderir em massa a esta campanha colaborando com os técnicos que irão passar de casa em casa, para testagem e administração dos medicamentos», frisou a ministra da saúde.

As medidas de combate ao mosquito que causa o paludismo e o tratamento massivo das populações, dão confiança à embaixadora da China de que o arquipélago conseguirá eliminar o paludismo no ano 2025.

«Estou convicta que através do esforço de São Tomé e Príncipe e dos parceiros envolvidos, o país alcançará a meta de eliminação definitiva do paludismo em 2025», concluiu Xu Yingzhen.

No terreiro do Bairro da Liberdade, onde se fez o lançamento da campanha de tratamento massivo contra o paludismo, a República Popular da China manifestou o compromisso de dar todo apoio técnico, material e de formação para que São Tomé e Príncipe atinja a meta de eliminação da doença.

Uma doença que até o ano 2004 era responsável pelo maior índice da mortalidade e da morbilidade no país.

Abel Veiga

1 Comment

1 Comment

  1. Pedro Costa 2

    11 de Abril de 2022 at 11:04

    Desde que o país anda nesta luta!? Reduz-se e volta a aumentar!
    “O povo chinês também sofreu com o paludismo durante longo tempo, mas com esforço de décadas conseguiu eliminar o paludismo».”
    O povo chinês se chegou a eliminar o paludismo, de certeza que cumpriram regras; aliás o oriente são muito disciplinados e cumpridores de regras e normas. Vê-se o comportamento que têm tido com relação a covid.
    Agora em S.Tomé e Príncipe se o povo não for disciplinado, ao ponto de cumprir regras e normas (evitar criar água parada, por exemplo), o paludismo talvez não será eliminado. Estamos no Bô cá tlábá bilá começá e tlabá lindidú cá môlê cú dôlô de amblú.
    Muita indisciplina neste país.

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