No dia mundial da saúde mental, 10 de outubro, o serviço de psiquiatria do hospital Central Ayres de Menezes avaliou a situação e divulgou os dados que indicam que o país tende a ficar cada vez mais doido.
De janeiro a setembro, o centro de psiquiatria do Hospital Central atendeu 1850 doentes de foro psiquiátrico. Segundo Mário de Sousa Pontes, director do centro de psiquiatria, «hoje em dia as perturbações, ou doenças mentais têm estado a aumentar consideravelmente, a nível mundial e São Tomé e Príncipe não foge a regra», afirmou.

O centro de psiquiatria tornou-se pequeno para o número de doentes internados. Tem 34 camas, para 70 doentes internados. «Temos uma capacidade para 34 camas e com este aumento vivemos alguma deriva, e não há espaço para o devido tratamento dos pacientes e para a sua reabilitação» acrescentou Mário de Sousa Pontes.
Dos 70 pacientes internados, a maioria são mulheres. «Temos cerca de 70 pacientes entre homens e mulheres com maior predominância para as mulheres», explicou o director.
As mulheres em São Tomé e Príncipe são normalmente chefes de família. A luta do dia a dia para garantir pão, bata ou uniforme para escola, e outras necessidades das crianças pode gerar stress na busca da solução, e consequentemente as perturbações mentais.
«Temos a esquizofrenia em primeiro lugar, também os transtornos psicóticos agudos, assim como a epilepsia, sem falar do consumo de substâncias psicoativas incluindo o álcool», detalhou o director da psiquiatria.
O director do centro psiquiátrico apelou às autoridades a investirem na ampliação do centro, ou melhor «na construção de um hospital psiquiátrico para responder à demanda que se verifica no país», frisou.

Perturbações mentais aumentam em todo o território nacional. O director da psiquiátrica sugeriu a realização de um estudo sobre a prevalência da doença mental, para melhor se apurar o nível da demência em São Tomé e Príncipe.
A estigmatização dos doentes, é outro problema grave. «Quando uma pessoa tem doença mental aqui no país, ela é abandonada e isso provoca recaídas. Há muita estigmatização dos doentes», pontuou o director Mário de Sousa Pontes.
A medicação para os doentes psiquiátricos é outro problema. Para além de escassear no mercado, os pacientes mentais são obrigados a comprar. «A medicação deve ser gratuita, pois os pacientes não têm capacidade para comprar», concluiu o responsável do centro de psiquiatria de São Tomé e Príncipe.
Abel Veiga
O Téla Nón põe à disposição do leitor o discurso do representante da OMS para São Tomé e Príncipe, Dr. Abdoulaye Diarra, por ocasião do dia mundial da saúde mental.
ANCA
13 de Outubro de 2024 at 11:07
Antes de levarmos a projetos há que ter em conta conceitos como a transparência, a justiça, a segurança e proteção, a sustentabilidade.
Esta realidade nos impõe reflexão, modificação, transformação profunda da realidade socio, econômica e politica do país.
Sabendo de que a população tende sempre a aumentar, esta tem sido a nossa realidade, há que acompanhar esta evolução, fazendo evoluir, as instituições, os serviços, as infraestrutura, as politicas, populacional/territorial, de modo a dar respostas as demandas, a questão deve ser posta não tanto que o país está doido, mas a causa porque o País está doido, todos sabemos, exige mudanças de paradigma.
Politicas de criação de emprego, de rendimento, incubação de empresas, empreendedorismo,…
Verdadeira politica de evolução salarial, anual.
Politicas de habitação e segurança alimentar
Comprometimento da classe e instituições politicas com as causas da pobreza, do subdesenvolvimento, da miséria, da fome.
A nossa pirâmide populacional é de base alargada, há que ter em conta esta realidade, as aspirações dos jovens e jamais esquecemos que somos ilhas, com dupla insularidade, que nos impõe melhor governança, pois aqueles que jamais têm por onde sair, encontrar solução para sua vida frustram, adoecem.
Repare que ao mesmo tempo que os números denotam esta realidade, também explicitam outras realidades como o aumento da criminalidade, roubo, violações, mortes, violências domesticas, violências infantil, gravidez precoce na adolescência, abandono de idosos, perseguição, morte,…
Isto deve fazer refletir a classe politica e dirigente do país, porque será impossível virmos a conviver com estas realidades( barril de pólvora, convulsão social) sem inverte-la, já lá vão quase cinquenta anos de condução do destino do país.
Exige, sentido de estado, organização, rigor, trabalho, responsabilidade e responsabilização.
A Justiça, a Educação, a Saúde, a Segurança e Proteção, a Economia e Finanças, sectores chave, a dar devida atenção.
Pratiquemos o bem
Pois o bem
Fica-nos bem
Deus abençoe São Tomé e Príncipe