Durante uma conferência em São Tomé dedicada às políticas públicas e à sustentabilidade ambiental, Paulo Ferrão, professor catedrático do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, alertou para o ritmo insustentável do consumo atual, afirmando que o mundo está a gastar mais recursos do que aqueles que consegue regenerar de forma equilibrada.
“O planeta dispõe de recursos naturais limitados. Vivemos numa pequena ilha no vasto universo, sem acesso a novos recursos além dos que aqui existem — com exceção da energia solar, que nos é oferecida continuamente, mas cuja recuperação tem sido negligenciada. Persistimos na utilização de combustíveis fósseis, que são finitos e geram emissões de CO₂ responsáveis pelas alterações climáticas. É imperativo reverter esse ciclo”, afirmou Paulo Ferrão.
O antigo presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, destacou a transição energética como um dos maiores desafios do mundo contemporâneo e defendeu a necessidade de um contrato climático com as cidades, com mudanças no planeamento urbano e investimento em transporte público.
“As cidades são, cada vez mais, o espaço onde vivemos, e é essencial que se organizem de forma diferente. Dou um exemplo concreto: os transportes públicos. Não é possível alcançar uma poupança energética real se cada cidadão depender do seu próprio veículo. As cidades mais eficientes, onde se consome menos e a qualidade de vida é mais elevada, são precisamente aquelas que apostaram estrategicamente no transporte público.”
As autoridades de São Tomé e Príncipe reiteraram o compromisso com medidas alinhadas com políticas públicas e os princípios da sustentabilidade ambiental.
“O projeto WACA+ integra um conjunto diversificado de iniciativas com ações concretas na área da adaptação climática. Destaco também, o projeto de requalificação da marginal, que se assume como uma intervenção ambiental estratégica focada na proteção da orla costeira”, afirmou Nilda da Mata, Ministra do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável.
O ciclo de conferências sobre alterações climáticas faz parte do Festival “Fim do Mundo”, que decorre em São Tomé no quadro das comemorações dos 50 anos da independência nacional.
José Bouças