A primeira missão médica de Moçambique em São Tomé e Príncipe está no terreno desde a última semana. 4 médicos especialistas moçambicanos estão a ajudar o sistema de saúde de São Tomé e Príncipe a descongestionar a lista de pacientes que aguardam por tratamento e cirurgias.
O doutor Pedro Machava de Moçambique é neste momento o único médico otorrinolaringologista, a trabalhar no sistema de saúde santomense. Numa altura em que as alterações climáticas e a estação seca, a gravana, atiçam as doenças respiratórias, os serviços do hospital central Ayres de Menezes estão abarrotados de doentes, e não havia um único médico nesta especialidade.
«Temos grandes problemas. Há especialidades em que temos apenas 1 médico para todo o país, e no caso de otorrino não temos nenhum. A lista de pacientes é vasta em otorrino. Agradecemos esta importante missão médica de Moçambique», desabafou a directora clínica do hospital central Ayres de Menezes, Bonanza Aragão.

Kanimambo na língua materna de Moçambique, significa obrigado. São Tomé e Príncipe agradece a equipa médica africana, que já operou dezenas de pacientes nas 4 especialidades médicas nomeadamente ortopedia, ginecologia, cirurgia geral e otorrinolaringologia. Só em otorrinolaringologia centenas de pacientes já foram atendidos.
«A cooperação sul-sul é fundamental, e é um processo que devemos continuar a promover. Além do apoio técnico eles trouxeram apoio material. Trouxeram-nos materiais como as malhas, que ajudam bastante na cirurgia. São materiais de que o país carece e muito», afirmou o único médico cirurgião de São Tomé e Príncipe Pascoal d´Apresentação.


Ao cooperar com os colegas de Moçambique no bloco operatório, Pascoal d´Apresentação explicou que a primeira missão médica moçambicana já operou 8 pacientes com cálculos ou pedras na vesícula biliar. «Não temos estatística, mas é um caso muito frequente no país».
Na especialidade de ginecologia, foram extraídos miomas uterinos gigantes em várias pacientes. «De acordo com as patologias locais, os colegas são-tomenses foram preparando os pacientes para as cirurgias», revelou Jotamo Come, o médico cirurgião geral de Moçambique.
A primeira missão médica de Moçambique em São Tomé e Príncipe acontece como resultado da parceria tecida em abril de 2025 entre os Ministros da Saúde dos dois países. Celso Matos de São Tomé e Príncipe recebeu o seu homólogo Uffene Isse de Moçambique, e projectou a realização da missão médica em São Tomé.

É a primeira presença de médicos moçambicanos no território santomense. Mas, Moçambique tem sido uma das principais bases de formação de médicos especialistas santomenses. Celso Matos, o actual ministro da saúde é o primeiro médico ortopedista santomense formado em Moçambique. Pascoal d´Apresentação o único cirurgião geral de São Tomé e Príncipe também se formou em Moçambique.
«Eu pessoalmente sou um deles, foi em Moçambique que fiz a licenciatura em medicina e depois a especialidade em cirurgia. Temos vários quadros formados em Moçambique, e ainda temos lá pessoal nosso a especializar. Uma das principais carências que temos aqui é exactamente especialistas», confirmou o cirurgião geral santomense.
O especialista Jotamo Come de Moçambique apelou o Estado santomense a incentivar o regresso dos médicos especialistas santomenses, pois é uma das maiores carências do sistema nacional de saúde. «O doutor Pascoal esteve connosco lá em Moçambique. O país (São Tomé e Príncipe) tem de criar incentivos para que os colegas que vão formar em Moçambique, possam regressar e responder aos problemas da população. Temos muitos colegas santomenses que se formaram em Moçambique, e que estão lá, não voltam mais», pontuou Jotamo Come.

A solidariedade médica de Moçambique para com São Tomé e Príncipe, vai colmatar também uma das grandes lacunas no atendimento às mulheres. Segundo a directora clínica do Hospital Central Ayres de Menezes, para além dos 4 especialistas em missão durante 15 dias, o ministério da saúde de Moçambique enviou um médico especialista em genecologia, que deverá permanecer em São Tomé e Príncipe durante 3 meses. Uma especialidade que segundo Bonanza Aragão, neste momento São Tomé e Príncipe não tem um médico para atender a grande demanda de casos que se regista no país.
Abel Veiga
Frederico Adriano
28 de Agosto de 2025 at 10:03
Isso chama-se “paradoxo”…!
Mas como é possível ir ajudar ao vizinho resolver problemas, na tua própria casa não consegues resolver algum se quer?
Isso é fantochada! Com problemas que nós temos aqui em Moçambique tinham que indicar médicos para S.Tome e Príncipe? Poraaaa…!
Simone
29 de Agosto de 2025 at 13:03
É sempre bom ajudar o próximo!
José Ventura
28 de Agosto de 2025 at 14:23
Está de parabéns a equipe Moçambicana