As redações do país podem mergulhar no silêncio a partir de 10 de setembro de 2025. Microfones e câmeras desligados, e jornais parados, este é o cenário que se avizinha com a greve geral por tempo indeterminado anunciada hoje, 01 de setembro, pelo Sindicato dos Jornalistas e Técnicos Santomenses (SJS), através de um pré-aviso de greve endereçada ao ministro de trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Joucerll Tiny dos Ramos, e ao Primeiro-ministro, Américo Ramos.
“Sim. O documento foi enviado ao governo e uma cópia foi partilhada com os órgãos de comunicação social“, aponta a classe.
Segundo a Direção do sindicato composta por Jorge Do Ó (Presidente), Edmilson Numbe (Vice-presidente) e Fernanda Costa Alegre (Secretária-geral), o Executivo “vive de promessas verbais e nunca assinou compromissos concretos”, deixando a classe sem alternativas senão partir para a paralisação.
“O governo ficou de elaborar um compromisso escrito, mas até ao momento tudo foi apenas abordado verbalmente, o que não nos satisfaz. Precisamos de garantias formais, através de um memorando de entendimento, que estabeleça prazos e compromissos claros para resolver os problemas“, acrescentou o sindicato.
Entre os pontos que alimentam a revolta dos profissionais estão, melhorias de condições salariais, enquadramento do pessoal administrativo, excluído do Decreto nº 23/2022, o que gera desigualdade e injustiça dentro dos órgãos, a revisão da grelha salarial, prevista para ser feita de três em três anos, mas ignorada pelo Executivo.
De acordo com o memorando assinado em 2022, a grelha salarial deveria ser revista de três em três anos. Este ano já se completou o prazo, pelo que exigimos essa revisão. Caso contrário, iremos reforçar a luta sindical.

A questão das taxas audiovisuais, a aplicação do quadro privativo aprovado em 2022 e problemas relacionados com a gestão financeira e operacional dos órgãos de comunicação social, o pagamento irregular da taxa audiovisual e do subsídio de turno, suspeitas de desvio de verbas e inclusão de cinco funcionários afecto ao gabinete do Primeiro-Ministro como beneficiários.
“Confirmámos que pelo menos cinco pessoas do gabinete da Secretaria do governo, incluindo o diretor administrativo, recebem parte da taxa audiovisual, sem justificação plausível. O primeiro-ministro disse que iria mandar retirar esses nomes, mas, novamente, foi apenas uma promessa verbal. Queremos ver isso formalizado por escrito“.
Um dos pontos mais graves revelados pelo sindicato refere-se à gestão obscura da taxa audiovisual, que são destinados à televisão, e à Rádio Nacional e a STP-Press. No entanto, o remanescente, que deveria cobrir despesas básicas de funcionamento, “desaparece”. Há indícios de desvio de verbas, refiro me ao subsídio de turno, avançou a direção do SJS durante a conversa ao telefone desta segunda-feira, 01 de setembro com o jornal Tela Non.
“O governo justificou que algumas verbas foram desbloqueadas para reparação de veículos, mas de forma desigual entre os órgãos. Ficou evidente que a distribuição não é transparente nem equitativa“, reforçou o sindicato.
O sindicato aponta ainda para uma dívida de pelo menos um ano de receitas de 2023, em atraso por parte da EMAE.
Apesar de o próprio diretor da empresa reconhecer a dívida, o Primeiro-Ministro alegou desconhecer o caso e prometeu esclarecimentos. Para a classe dos jornalistas e técnicos dos órgãos públicos (TVS, RNSTP & STP-PRESS), mais uma promessa que não saiu do papel.
“A EMAE deve pelo menos um ano de receitas, correspondentes a 2023. O próprio diretor da empresa já confirmou essa dívida. O primeiro-ministro diz que não tinha conhecimento e prometeu pedir esclarecimentos à EMAE, mas receamos que isso seja apenas uma forma de adiar soluções“, apontou a classe sindical.
Desde julho, houve apenas dois encontros oficiais entre sindicato e Governo. O primeiro encontro foi formal e serviu para fazer apresentação da direção do sindicato ao executivo. O último, em 29 de agosto, terminou com a promessa de um relatório que nunca foi entregue.
“Não há atas, não há memorandos, não há compromissos assinados. Apenas palavras soltas”, acusa a classe.
O SJS exige agora a assinatura imediata de um memorando de entendimento, com prazos claros e responsabilidades definidas.
Caso contrário, a partir do dia 10 de setembro, São Tomé e Príncipe poderá assistir à maior paralisação nos sectores informativos estatais da sua história recente.
“Sem jornalistas e técnicos, não há transparência. E sem transparência, não há democracia que resista”, alerta o sindicato.
A posição do sindicato é clara, “precisamos de um memorando de entendimento com compromissos escritos, prazos definidos e soluções concretas. Não podemos continuar com promessas verbais. Caso contrário, avançaremos com a greve, pois é a única forma de garantir que as reivindicações da classe sejam respeitadas“.
Waley Quaresma
Sem assunto
2 de Setembro de 2025 at 11:12
Este governo é manipulador, dos mais sinistros já constituído nesta república.
Apostam forte na propaganda e desinformação como arma para enganar e massagera as pessoas, mentem a todo momento,falam de projetos megalómanos e efeitos inéditos como se fossem realidades, tudo indica que acreditam nas suas próprias aldrabices e conversa fiadas. Gente pequena!
Vivem na lógica de pirâmide invertida, aonde o ministro da economia e finanças é todo poderoso e chefe, e o primeiro-ministro é mero figurante e vogal.
A comunicação social é cumplice desta corja, aos domimgos um tal de José Manuel Noronha, apodera dos microfones, da rádio nacional, das 09h:00, às 13h:00 para falar atôa, animar as pessoas com conversas sem nexo, colocar músicas atrás das músicas e abrir espaços de participação dos ouvintes limitados a sua vontade e bel prazer, sem que haja crítica ao sistema, qualquer tentativa de opinar sobre a desgovernação é logo barrado por este sentinela de plantão, deste modo, não vêm para aqui verter lágrimas de crocodilo.