A comunidade agrícola de Boa Entrada, no distrito de Lobata, enfrenta sérios desafios na área da saúde. Com mais de mil habitantes, entre adultos e crianças, esta localidade situada a cerca de onze quilómetros da capital tem vivido com limitações no acesso a cuidados médicos.
“Na nossa comunidade, as doenças mais recorrentes são a febre tifoide e as infeções urinárias, consequência direta da má qualidade da água e da ausência de saneamento básico”, afirmou Rosa Maria, líder comunitária de Boa Entrada.
Pela primeira vez, a Ordem dos Médicos de São Tomé e Príncipe levou à comunidade uma feira de saúde, oferecendo consultas e serviços básicos de diagnóstico.
“Disponibilizámos um conjunto abrangente de serviços, iniciando com a triagem, onde cada utente foi orientado conforme as suas necessidades e queixas. Realizámos testes rápidos para hepatite, glicemia, HIV, paludismo, dengue e sífilis, além de exames complementares como raio-X e ecografias abdominal, ginecológica e cardíaca. Oferecemos consultas em diversas especialidades médicas, incluindo pediatria, infeciologia, cardiologia, oftalmologia, gastroenterologia e ortopedia. Todos os serviços, incluindo o acesso à farmácia, foram prestados gratuitamente. Acrescentámos ainda apoio psicológico, orientação nutricional e vacinação”, enumerou Lagchar Barreto, Bastonária da Ordem dos Médicos de São Tomé e Príncipe.
A iniciativa permitiu que muitos moradores, como Domingas Martins, aproveitassem a oportunidade para cuidar da sua saúde, num gesto que reforça a importância da medicina preventiva.
“Vim à consulta por causa da tensão alta e das dores no corpo. Esta oportunidade é muito importante para nós, porque evita os custos e dificuldades de deslocação até à cidade”, afirmou Domingas Martins, moradora da comunidade de Boa Entrada.
A feira insere-se nas comemorações do décimo aniversário da criação da Ordem dos Médicos, que será oficialmente assinalado no próximo dia 12, e reflete o compromisso da instituição em aproximar os serviços médicos das populações mais vulneráveis.
José Bouças
Célio Afonso
8 de Setembro de 2025 at 10:48
Excelente!
É disto que o país precisa.
O governo deve apoiar iniciativas do género de modo a agregar populações de outras zonas.