A Etiópia inaugurou oficialmente a Grande Barragem do Renascimento Etíope (GERD), um projeto em construção desde 2011 e agora reconhecido como a maior usina hidrelétrica da África. O lançamento, em 9 de setembro de 2025, foi celebrado em Adis Abeba, onde o Primeiro-Ministro Abiy Ahmed Ali saudou o projeto como um “monumento de orgulho nacional”. A maior barragem hidrelétrica da África é inaugurada na Etiópia, mas o marco também reacendeu disputas de longa data com o Egito e o Sudão pelo controle das águas do Nilo.
A Grande Ambição da Etiópia
Construído ao longo do Nilo Azul na região de Benishangul-Gumuz, o GERD exigiu cerca de US$ 5 bilhões para ser concluído. Notavelmente, 91% do financiamento veio diretamente do Banco Nacional da Etiópia, com os 9% restantes arrecadados por meio de títulos e contribuições dos cidadãos. Esse financiamento interno, obtido sem qualquer apoio de instituições como o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional, transformou a barragem em um símbolo de soberania.
Quando estiver totalmente operacional, o Espera-se que a GERD gere 5,150 megawatts de eletricidade. Por enquanto, duas turbinas, produzindo 750 megawatts, estão em operação. Este é um passo significativo em um país com mais de 120 milhões de habitantes, onde quase metade das famílias rurais ainda não tem acesso à eletricidade. O vasto reservatório da barragem, que cobre uma área maior do que a Grande Londres, reflete tanto a escala da ambição quanto os altos custos locais.
A tensão aumenta com as objeções do Egito e do Sudão
Enquanto a Etiópia enquadra a GERD como uma vitória nacional, seus vizinhos veem uma crise iminente:
- O Egito, com uma população de 108 milhões de habitantes, depende do Nilo para obter quase 90% de sua água doce. Presidente Abdel Fattah el-Sisi descreveu a barragem como uma “ameaça existencial”.
- O Cairo continua exigindo um acordo juridicamente vinculativo para regular o enchimento de reservatórios, citando tratados históricos que a Etiópia rejeita.
- O Sudão expressou preocupações com a escassez de água, mas também reconhece potenciais benefícios, como redução de inundações e acesso a eletricidade mais barata.
A mediação liderada pela União Africana e apoiada às vezes pelos Estados Unidos não conseguiu garantir um acordo.
A Barragem da Etiópia e o Equilíbrio de Poder
A barragem não se limita à geração de eletricidade – é também uma ferramenta de influência regional. A Etiópia está explorando o acesso marítimo através da Eritreia e da Somália, um desenvolvimento acompanhado de perto pelo Cairo, dada sua participação estratégica nas rotas comerciais do Mar Vermelho.
Mediadores globais, incluindo as Nações Unidas, tentaram diminuir as diferenças, mas até hoje, tanto o governo de Abiy Ahmed quanto a administração de Abdel Fattah el-Sisi permanecem inabaláveis em suas posições.
Conclusão
A maior barragem hidrelétrica da África é inaugurada na Etiópia, um momento histórico para a Etiópia, mas que também aprofunda a incerteza em toda a Bacia do Nilo. Para a Etiópia, é um símbolo de independência e eletrificação. Para o Egito e o Sudão, é uma questão de sobrevivência e estabilidade.
Fonte : SigmaEarth