A Direção-Geral dos Recursos Naturais e Energia apresentou um projeto ambicioso que promete mudar a vida das comunidades que ainda vivem na escuridão. Trata-se do Projeto Nacional África Mini-Redes, que tem como objetivo criar condições técnicas e sociais para garantir o acesso à eletricidade através de mini-redes fotovoltaicas.
Segundo o coordenador do projeto, Selby Ramos, a iniciativa visa levar energia limpa e sustentável às localidades mais isoladas do país, onde a rede elétrica convencional não chega. “O nosso propósito é garantir que, num futuro próximo, todas as comunidades remotas possam beneficiar da luz elétrica».
O Governo de São Tomé e Príncipe e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) lançaram oficialmente, no Hotel Praia, o Projeto África Minigrid, uma iniciativa inédita que promete transformar a vida de milhares de famílias ao garantir o acesso universal à energia limpa.

Financiado pelo Fundo Global para o Ambiente (GEF) e coordenado pelo PNUD, o projeto prevê a instalação de uma planta solar comunitária de 0,7 MW, equipada com baterias de 1,0 MWh. A infraestrutura irá beneficiar diretamente 21.800 pessoas, sendo pelo menos metade mulheres, ao mesmo tempo em que reduzirá cerca de 26 mil toneladas de CO₂ equivalente.
O Ponto Focal do GEF em São Tomé e Príncipe, Darnel Baia, sublinhou na cerimónia oficial do lançamento do projecto ocorrido na sexta-feira, 19 de setembro, que a iniciativa “nasce de uma visão clara: assegurar o acesso universal a uma energia limpa, acessível e resiliente”.
Para a coordenadora do portfólio CESA no PNUD, Maria Teresa Mendizabal, o momento representa “um passo decisivo rumo a um futuro sustentável e inclusivo para São Tomé e Príncipe”.

De acordo com os responsáveis, o sucesso do projeto assenta em três pilares.
A criação de um modelo nacional para mini-redes de energia, o estímulo ao investimento privado em soluções locais, e a mobilização do setor financeiro, com mecanismos de crédito acessíveis.
Em representação do ministro das Infraestruturas e Recursos Naturais, o ministro da Agricultura, Pesca e Desenvolvimento Rural, Nilton Garrido, destacou que o lançamento “não ocorre de forma isolada, mas está plenamente alinhado com o programa de transição energética do país e com o plano de ação para a descarbonização e resiliência do setor energético”.
Garrido reforçou ainda que o projeto foi desenhado com um objetivo claro: “garantir que a energia limpa chegue a todos e se torne uma realidade acessível para as comunidades”.
Com esta iniciativa, São Tomé e Príncipe junta-se a outros 21 países africanos que assumiram o compromisso de acelerar uma transição energética justa e sustentável, colocando a eletricidade limpa no centro do desenvolvimento humano e do futuro do continente.
Waley Quaresma