O acesso à roça Queluz na região centro da ilha de São Tomé deixou de ser difícil. A estrada em calçada permite o escoamento rápido da produção agrícola para as Vilas da Madalena e de Santo Amaro, assim como para a capital São Tomé.
Queluz é uma das 41 comunidades agrícolas membros da Cooperativa de Exportação do Cacau Biológico, a CECAB.
A construção da estrada em calçada resultou de uma parceria eficaz entre a CECAB e o Governo do primeiro-ministro Américo Ramos. Avaliada em 118 mil euros a obra contou com o financiamento do governo na ordem de 50 mil euros.
«A única luta que se perde é aquela que se abandona. É fundamental que nos entreguemos todos ao trabalho», alertou António Dias o Director Executivo da CECAB.

Na cerimónia de inauguração da estrada em calçada, a CECAB que tem reabilitado as infra-estruturas de várias comunidades agrícolas, destacou o objectivo filantrópico da obra feita em Queluz. «Consiste na mitigação da pobreza no meio rural, é uma obra filantrópica», pontuou António Dias.
Para além do troço de estrada que dá acesso à roça, a CECAB reabilitou todo o sistema eléctrico e instalou iluminação pública para dar mais luz a Queluz.
Américo Ramos, primeiro-ministro e Chefe do Governo foi quem cortou a fita em parceria com a direcção da CECAB. O primeiro-ministro enquadrou a parceria com a CECAB nas iniciativas da agenda 20/30 das Nações Unidas, ou seja, na prossecução dos objectivos de desenvolvimento sustentável.

Segundo Américo Ramos o país precisa acelerar os passos para cumprir com a agenda dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. A parceria com a CECAB que deu nova estrada para Queluz, é um exemplo da aceleração necessária.
«São iniciativas para combater a fome, a pobreza e a exclusão que ainda afectam as comunidades rurais».
O Chefe do governo renovou o slogan de “não deixar ninguém para trás”, Queluz à semelhança das comunidades da região de Mé-Zochi, no centro da ilha de São Tomé, tem enorme potencial agrícola capaz de aumentar a exportação de cacau, e combater a insegurança alimentar, através da produção de frutas, hortaliças e tubérculos.
No entanto, a fuga da força de trabalho jovem para o exterior do país começa a ter impacto na produção agrícola.

Os agricultores e criadores de animais do interior do país temem, no entanto, que a nova estrada de Queluz se transforme numa pista para o transporte rápido de produtos roubados na comunidade e nas parcelas agrícolas. O roubo de cacau, banana, de aves e do gado nas roças já se transformou num flagelo nacional, que afunda os agricultores e criadores na mais profunda pobreza.
Abel Veiga