Sociedade

São Tomé e Príncipe prepara nova temporada de desova das tartarugas marinhas

São Tomé e Príncipe já iniciou os preparativos para mais uma temporada de desova das tartarugas marinhas, um dos períodos mais importantes para a conservação destas espécies ameaçadas.

A época de desova decorre, habitualmente, entre os meses de setembro e abril do próximo ano e mobiliza diversas ações de monitorização, proteção e sensibilização ambiental, coordenadas pelo Programa TATO, que desenvolve atividades de conservação das tartarugas marinhas no país há mais de duas décadas.

Em entrevista recente à Rádio Nacional de São Tomé e Príncipe (RNSTP), a técnica do Programa TATO, Alice Pessoa, explicou que a presença constante de pessoas nas praias pode comprometer o sucesso da reprodução das tartarugas, razão pela qual são implementadas medidas de proteção dos ninhos.

A presença de pessoas nas praias pode influenciar o sucesso dos ninhos. Por isso, quando as tartarugas desovam, procedemos à identificação e marcação dos ninhos, instalamos redes de proteção e sinalizamos o local com estacas de bambu. Desta forma, as pessoas conseguem identificar os ninhos e evitam danificá-los“, explicou.

Segundo Alice Pessoa, as principais ameaças à desova continuam a ser a degradação das praias, provocada pela acumulação de lixo e pela extração de areia, bem como a poluição luminosa e sonora, fatores que afastam as tartarugas dos locais tradicionais de reprodução.

As tartarugas desovam, sobretudo, durante a noite, ao amanhecer ou ao pôr do sol. Procuram sempre praias escuras, tranquilas e seguras, onde haja pouca presença humana e reduzidos níveis de ruído“, apontou.

De acordo com a técnica, atualmente são quatro as espécies que desovam regularmente nas praias de São Tomé e Príncipe: Tató, Ambulância, Mão Branca e Sada (ou Assada), constituindo um património natural de elevado valor para o país.

Alice Pessoa destacou ainda que as tartarugas marinhas desempenham um papel essencial na manutenção do equilíbrio dos ecossistemas marinhos.

As tartarugas são fundamentais para os ecossistemas marinhos, pois contribuem para o seu equilíbrio e para a preservação da biodiversidade“, sublinhou.

Cada tartaruga pode depositar, em média, cerca de uma centena de ovos por ninho. O período de incubação varia entre 45 e 60 dias, dependendo da espécie e das condições ambientais.

Apesar dos desafios naturais, Alice Pessoa refere que o Programa TATO tem registado resultados encorajadores na proteção dos ninhos.

Infelizmente, nem todas as crias conseguem sobreviver até à idade adulta. No entanto, temos alcançado uma taxa elevada de sucesso nos ninhos protegidos, permitindo que um número significativo de filhotes chegue ao mar“, referiu.

A técnica explicou ainda que fatores como a temperatura da areia, a profundidade dos ninhos e a subida da maré influenciam diretamente o sucesso da incubação dos ovos, razão pela qual o acompanhamento permanente das praias continua a ser uma prioridade durante toda a época de desova.

Com mais de 20 anos de atuação em São Tomé e Príncipe, o Programa TATO mantém o seu compromisso com a conservação das tartarugas marinhas, apelando à colaboração da população na proteção das praias e dos ninhos durante toda a temporada de reprodução.

Waley Quaresma

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