Opinião

Patrice Trovoada e a questão das viaturas do Estado

 

O problema do controle da circulação das viaturas do Estado foi sempre um cavalo de batalha do Primeiro-ministro Patrice Trovoada, foi aquando do seu governo em 2010, e foi também, dito por ele, na sua entrevista precursora da sua da tomada de posse para o novo mandato 2014.

Uma posição que eu também defendo e explico porque, as viaturas do Estado constituem uma despesa, em alguma circunstância, desnecessária para os cofres do Estado, sendo que nem sempre estão ao serviço do Estado e a sua manutenção, o talão de combustível e outras despesas são asseguradas pelo Estado. Num estado depauperado que depende de mais de 90% de ajuda do exterior para satisfazer as necessidades do Orçamento.

Um processo de contenção bem administrado pode ajudar a evitar uma série de problemas e resultar em melhores resultados para o Estado, seus funcionarios e a comunidade em geral. O Governo deve apresentar uma série de medidas de melhores práticas que podem ajudar a adminitracao publica e desenhar um plano abrangente de contenção. O desenvolvimento de tal plano é um requisito para investimentos financiados externos.

É verdade que um processo de contenção mal executado pode gerar perda de produtividade, desânimo e reduzir o desempenho econômico, mas este não é o caso. Embora seja sempre difícil manter o estado de ânimo dos empregados durante um processo de contenção, é provável que haja uma resposta melhor a um processo que pareça ser baseado em alicerces sólidos que os funcionários públicos possam entender e com o qual possam contribuir

Depois de este governo tomar posse, as viaturas deixaram de circular, a polícia efetuou algumas apreensões de viaturas, todos actores da vida socia do país falava sobre o assunto.

Hoje, passado que estão seis meses de governação, assistimos os carros do estado, a noite e dia a apanhar areia, nas discotecas, nos fundões, em tudo quanto é sitio e tudo quanto for as horas.

Para não variar, neste fim-de-semana, uma dessas novas aquisições do Ministério Público e dos Tribunais andou a fazer rally numa das discotecas do país.

Esta situação, levanta alguns questionamentos da minha parte:

Será que se tratou apenas de campanha publicitária do Senhor Primeiro ministro (sol de pouca dura) e agora que está no poder, considera que já não é necessário essa medida de contenção?

Será que o governo não encontra mecanismos necessários para controlar esta situação?

Será um problema relegado, apenas, aos polícias de trânsito?

Meus amigos me questionam, por que razão eu me preocupo tanto com essas coisas? Eu lhes respondo: Eu amo muito este país.

Olívio Diogo

 

 

    20 comentários

20 comentários

  1. Original

    23 de Junho de 2015 as 7:30

    As coisas funcionam assim porque o Estado não tem viaturas quem as tem são os que fazem uso delas.Estado só tem chapa de matrícula.

  2. santomense

    23 de Junho de 2015 as 7:57

    Claro que esta história de que carro de Estado não deve circular a noite e fins de semana, era sol de pouca dura, era conversa para boi dormir, foi uma promessa como tantas outras que não vão ser cumpridas. É claro que esta lei não vai permanecer porque a maior parte das pessoas que andam com carro de Estado são militantes do ADI, esta lei é só para as pessoas que não são do ADI. Vamos esperar para ver o desfecho deste longo filme de manipulações e mentiras.

  3. Manuel Jorge de carvalho do Rio

    23 de Junho de 2015 as 8:32

    Boa caro amigo Olívio. Quero te dizer que nós santomenses somos muito cabeça ríja. Muitos de nós, pouco contribuímos para ajudar no desenvolvimento do nosso País.Todas medidas que qualquer um governo toma é bandalizada por alguns Directores, Chefes de Departamentos,… entre outros. Esta questão de circulação de veículos do Estado não está a ser respeitada por muitos dirigentes e isso é mau!Mais mesmo muito mau. Para mim este é um mau indicador de governação e deve ser currigido quanto antes para não agravar mais a situação.
    Falamos que o País vive de ajudas externas. É uma verdade e quando vamos criar os nossos proprios recursos para sermos autonomos? Acho que, só poupando e tralhando mais vamos conseguir ultrapassar estes problemas.
    Senhor Chefe do Governo peço-o a implementação de mais rígor e control na vida da nação.
    Jorge Carvalho

  4. Mila Ramos

    23 de Junho de 2015 as 8:46

    Concordo contigo Olívio Diogo.
    Essa é uma pergunta que também até hoje não encontro resposta. As medidas quando são tomadas têm que ser para sempre, não devemos tomar medidas e depois fraquejar. Olha para medida que tomaram acerca da venda ambulante nos passeios, hoje já se vê as pessoas a venderem nos passeios, na porta do mercado Municipal virada para piu piu é constante a venda de peixe e tudo mais, pior de tudo é que os ditos Policias da nossa praça estão sempre la, a colaborarem com desordem francamente.

  5. Jacinto Novaes

    23 de Junho de 2015 as 9:10

    Caro Olivio,

    Eu tambem tenho a mesma preocupação, como santomense que sou. Eu devo confessar-lhe que fui um activista “ferenho”, fui apoiante do Partido ADI nas eleições, porque achava que o ADI pudesse vir a acabar com alguns dos problemas que o país tem. Todavia, devo dizer-lhe que fiquei chocado e muito frustrado com atitude do governo de Patrice Trovoada quando começou a nomear algumas pessoas para exercerem o cargo de directores na função pública. Depois, a entrega de viaturas novas para aos Tribunais e ao Ministério Público. Em seguida, “recuo” no processo de controlo das viaturas do estado. Tudo isso faz-me pensar que nem o Patrice Trovoada nem ninguem resolverá problemas desse país; nem hoje, nem em cem anos.

    Eu sou de opinião que as únicas pessoas que, de facto, precisam de viaturas de Estado são os ministro, os juizes e os procuradores. Todo o resto, que usem suas próprias viaturas. Caso não tenham viaturas, que faça emprétimos bancários e comprem suas próprias viaturas. Mesmo os que já referí que precisam de viaturas, seriam viaturas como um Jimmy ou coisa parecida, porque não há necessidade de se comprar grandes “carrões” para dirigentes. O gorverno pouparia uma “pipa de massa” caso vendesse em asta pública ou em leilão por propostas fechadas todos “carrões” que tem hoje e comprasse carros “pequenos” para aqueles que precisam. A sugestão para transporte das delegações estrangeiras, seriam as empresas de rent-a-car. Com o dinheiro poupado com a manutenção e combustivel para todos esses “carrões” o governo poderia cuidar de questões sociais gritantes que assolam o país.

    Eu percebo que isso dificilmente acontecerá, mas caso aconteça, eu deixarei de estar “frustrado” com este governo, e mais não digo.

    Bem haja!

    Jacinto Novaes

  6. madova

    23 de Junho de 2015 as 9:27

    Caríssimo Olívio! Alguém tem que começar e, o senhor tem consciência da tamanha ingovernabilidade que caracterizou e carateriza este País. Sua Excelência o senhor Dr. Patrice Trovoada fez e faz a sua parte, dia e noite pensando no desenvolvimento do País. Se as coisas não mudam, será culpa de quem pensa que tem que ser apenas o senhor primeiro-ministro que terá responsabilidade de mudar STP. Antes mesmo de constituir o Governo, já havia militantes, do próprio ADI disputando lugares, cargos, mesmo aqueles que já constavam na lista dos Deputados, que podiam hoje ajudar o Partido no Parlamento ou noutros lugares…Os que sempre estiveram ao lado do Povo, assegurando o Partido, quando não havia quórum na Comissão Política, 21 horas á espera para se reunirem, indo de viatura ligeiro, de motorizada, para Praia da Conchas…o que se fez destes? O problema de STP é outro, a mentalidade tem que mudar…minha, tua, nossa. Temos que trabalhar mais, fazendo uso de meios que estão á nossa disposição de maneira mais correcta. As Instituições trabalham aos fins-de-semana, as comemorações, as tertúlias, os lançamentos de livros, os Coktails, os voos, ocorrem á noite. O controlo deverá ser feito, mas a responsabilidade, a execução das suas tarefas, igualmente. Não pode um Director deixar de comparecer num evento onde a sua presença é importante, porque o Primeiro-Ministro proibiu-lhe de usar a viatura de estado…Quem tem, tem e, quem não, não tem? Até chegar-mos ao ponto de cada um usar o seu carro pessoal, dar ao País o que tem, entregar ao Estado sua fortuna e herança da sua família, temos que saber jogar: apertar e folgar. Até breve!

  7. Floli

    23 de Junho de 2015 as 12:09

    Este Governo só está preocupado com o populismo barato e em acabar com todos os festejos da nossa terra, começou com o 3 de Fevereiro, 25 de Maio, 1 de Junho, agora vamos esperar para ver qual será a surpresa que nos aguarda para o 12 de Julho.Boa sorte para nós todos.

  8. Amilcar Deus

    23 de Junho de 2015 as 12:36

    Este é um assunto interessante. Mas deve-se ter em conta o seguinte:
    QUANTO MAIS DURO FOR, MAIS FRÁGIL SE TORNA.Por isso, deve agir com inteligência e cabeça fria, com justeza e seriedade. Antes de tomar qualquer medida, deve-se saber até que ponto é factível, fazível, realizavel, etc…senão será mais uma falação. Porque sabia-se de antemão que esta medida não seria factível, fazível e realizável. Seria a pensar que os ditos dirigentes que não têm transporte iria utilizar motoqueiro. Para que isso seja efectivado, deveria o governo facilitar aquisição de viaturas pessoas e por outro garantir estabilidade aos seus dirigentes. Ora pergunta, se porventura se conceder facilitar a um dirigente adquirir a sua viatura pessoal e em pouco tempo ele ser demitido. Como pagar a divida contraída com aquisição de viatura. Portanto são conjunto de coisas a ter em conta. Deve ganhar bem e ter uma estabilidade funcional. Essa é a minha modesta contribuição.

  9. Mulher Frustada

    23 de Junho de 2015 as 17:43

    Concordo plenamente com a explanação feita pelo Sr. Dr. Olívio Diogo.
    A questão de viatura não é apenas um assunto da responsabilidade do Governo, mas também da polícia do Trânsito.
    Sou uma simples simpatizante da ADI, e aproveito para criticar positivamente a maneira como o governo lidou com a nomeação de novos diretores.
    O abuso excesso na utilização das viaturas do Estado, deve-se a política de ânimo leve que o governo adotou para substituir os diretores.
    O que tem acontecido é que o atual comandante da polícia nacional não tem músculo suficiente para impor poder de autoridade.
    Infelizmente, o governo ainda não entendeu para que haja muita governação é necessário recorrer aos diretores experientes e que preencham os requisitos exigidos pela Lei do Funcionalismo Público.
    Senão vejamos:
    O atual governo dispõe na sua maioria de diretores inexperientes e sem formação adequada para o cargo.
    Temos instituições do controlo, como são os casos da Inspeção Geral de Finanças, do Serviço de Migração e Fronteiras e também as DAF`s, com diretores sem formação mínima, pondo assim em causa a imagem das mesmas e do país.
    Perante estas situações, nunca iremos avançar.
    Viva a Democracia e viva a liberdade de expressão!

  10. kilson pereira

    24 de Junho de 2015 as 10:53

    Estou de acordo com estas questões , nao se admite coisas dessas a acontecerem aos fins de semanas as viaturas do estado nas praias , e em locais inadequados , nos momentos de serviço é porque nao tem pneus , nao tem bateria etc . ate quando o governo vai tomar medidas coercivas com essa situação ……

  11. Blaga-pena

    24 de Junho de 2015 as 23:47

    Felicito Olívio pela forma coerente com aborda a questão. Infelizmente, trata-se duma decisão q não tem pernas pra andar, uma vez q ela só abrange os adversários do ADI. De resto,apenas os militantes d ADI gozam do direito de andarem com as viatura a qualquer momento e a torta e a direita!

  12. Alfredo Gentil

    25 de Junho de 2015 as 9:18

    Caro Olívio, parabéns pelo artigo. Na verdade esta medida tomada pelo PT, no calor da vitória, era uma zagaia com dois gumes, que apenas visava despojar todos os antigos diretores (da oposição) de viaturas para os humilharem e amputarem-lhes as pernas. Agora o cenário é outro. Pergunto quem são os atuais diretores? Todos do ADI. Diga-me qual é o polícia que vai atrever-se a aprisionar uma viatura. No dia que um deles apenas grampeou uma viatura que estava muito mal estacionada, quando o diretor chegou disse: O senhor não me conhece? Olha está aqui a chave depois leve a viatura para a minha direção. A procissão ainda vai no adro.

  13. Cassuma

    25 de Junho de 2015 as 12:14

    Meu grande companheiro, Olivio Diogo! Estamos na luta contra o colonialismo ainda em S.Tomé e Príncipe, a mentalidade de muitos funcionários é pródiga(esbanjadora, despende com excesso)dito é o que pertence ao Estado quem paga pelo abuso do poder é povo pequeno. A Corrupção, uso das viaturas do Estado fora do cumprimento, a Injustiça, falta de controlo na administração pública do Estado santomense são vícios de caracter transversal em todos sectores do Estado. Porem Não se sabe se o artigo 6º da nossa Constituição vigora em S.Tomé em todas vertentes sabendo que a finalidade, Justiça está morribunda para não dizer morta. É melhor o Governo não preocupar com acabar com problemas da Globalização mas sim procurar caminhar da melhor forma com problemas da globalização. Um bem haja para todos nós, os Santomenses.

  14. Gostoso

    25 de Junho de 2015 as 16:07

    Será necessário criar aa condições depois para exigir. Não é fácil manter uma decisão destas. OK, o governo decretou. Era suposto todos os órgãos de soberania colaborar com a ideia. Não é justo que os assessores do PR, os juízes, os procuradores do MP circulam com as viaturas a qualquer dia e a qualquer momento e em qualquer lugar e os diretores e chefes do departamento não podem ou não devem circular, porquê esta discriminação. Esta matéria é para reflexão e não para criticar. Haver vamos.

  15. João Gomes

    25 de Junho de 2015 as 16:41

    Oh Olívio Diogo…descanse em paz-em Cabo Verde, o uso e a utilização das viaturas do Estado são uma vergonha!!!

  16. pascoal de carvalho

    26 de Junho de 2015 as 14:10

    pois é amigos, mandar fazer quase nunca equiparasse com fazer o que se manda. digo apenas isso.

  17. trabalhador de S.T.P

    30 de Junho de 2015 as 14:57

    O povo já sabe que tudo que o senhor primeiro-ministro fala são fantuchadas,de modo que pela manha os povitos que ficam no jardim pensamento e os motoqueiros falam homem está a trabalhar agora sim , mais passando dois dias tudo volta de modo que era, um exemplo um deputado de A.D.I que dirige carro de Estado todos os dias as 20 horas sai de localidade de Monta passa na Vila de BOM-BOM com destino a Caminho Novo dirigindo carro de Estado.

  18. rui medeiros

    2 de Julho de 2015 as 6:47

    Caro Olivio,como fico feliz em saber que nao perdeste com o tempo umas das tuas grandes virtudes,porém acredito que isto nao so deve ser uma preocupacao do governo mas tambem de toda a sociedade saotomense.Poderemos comencar por postar fotos ,videos dos infratores.Um Abrc Rui Medeiros

  19. Democrático

    2 de Julho de 2015 as 11:47

    Caríssimos! Antes de mais, quero dar meus parabéns ao Olivio Diogo pela publicação da sua escrita/resenha ou artigo.
    Permita-me salientar, enquanto houver sobreposição de poderes em São Tomé e Príncipe, jamais o povo será feliz! Haverá sempre indignação pela má politicas públicas.
    Dei o meu voto de confiança ao nosso Primeiro Ministro e Chefe do Governo (Patrice Émery Trovoada), hoje estou a viver decepcionado.
    Existe um ciclo vicioso na Administração Pública de São Tomé e Príncipe em detrimento da competência, capacidade. Misturam politica e administração, amizade com competência/capacidade, família com tacho.
    – Como é possível o Sr. Primeiro Ministro garantir que dispõe de 98% do Orçamento Geral do Estado (OGE), e agora emitem Bilhetes do Tesouro?
    – Os principais problemas do cidadão são-tomense são: recursos hídricos (água), a luz eléctrica e estradas, não se vê mudanças em Beneficio do cidadão (orçamento do cidadão) em Pleno mês de Julho?
    – Senhor Primeiro Ministro acha normal, um ministério com cerca de 100 funcionários, somente 5 funcionários viajam porque são os que mais se agradam ao ministro, sabendo que a performance do ministério depende de um conjunto de funcionários.
    – Se o Senhor Ministro é Rei, logo deve reinar para todos, não se pode aceitar que uma lei seja publicada para uns e em detrimento dos outros, estou a referir-me das viaturas do Estado, todos os fins de semana vejo viaturas de Estado a circular com os ditos directores, e incrível que se pareça é aquisição/compra de ( 2015 Toyota Land Cruiser | Capable by nature), (2015 Toyota RAV4 FWD 4-Door LE (GS))para alguns directores e magistrados, temos condições para isso?
    – Sabendo que São Tomé e Príncipe é um Estado vulnerável e dependente financeira e económica dos seus parceiros de Desenvolvimento ( Bilateral e Multilateral), o Senhor Primeiro Ministro e Chefe do Governo tem em seu poder e na sua propriedade milhares de dólares, e é assaltado por um dos seus segurança e roubado milhares de dólares, não acha que deve declarar o seu rendimento bem como dos actuais ministros?

    Uma boa acção e politicas públicas Senhor Ministro poderá mudar o tipo do estado da nação.

    Abençoe Senhor o Vosso Povo, cansado de esperar!

  20. Sum Mé Doze Boca Doxi

    6 de Julho de 2015 as 9:14

    Acho muito pertinente esta questao.Ja devia ser resolvido si realmente no nosso país funcionaria um estado ou melhor um verdadeiro estado. Mais quando tens o aparelho do estado a funcionar politicamente, é extremamente dificil tomar esta decisao, pois o PT é obrigado a fazer favores a quem ele tambem tem sempre palavras nas nomeacoes. Enquanto o aparelho do estado funcionar politicamente, esta lei”já era” meu caro Olivio.

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