Opinião

Um Olhar Crítico sobre as receitas do Arzemiro dos Prazeres para a missão do próximo PR

Um Olhar Crítico sobre as receitas do Arzemiro dos Prazeres para a missão do próximo Presidente da República

Participei, no final da semana passada, num debate online, organizado por um grupo de cidadãos nacionais (Nós Acreditamos), sob coordenação do conterrâneo Leoter Viegas, tendo como recurso para a sua dinamização uma plataforma virtual. Neste mesmo debate, tive como parceiros Ana Maria Costa, Arzemiro dos Prazeres e Deodato Capela.

Foi a primeira vez que participei numa iniciativa deste tipo, organizada por um grupo de empreendedores cívicos (é o nome que me ocorre, neste momento, para caracterizar o trabalho exemplar que alguns conterrâneos têm feito pelo país neste âmbito).

Tenho, também, de reconhecer a coragem política e cívica do Arzemiro dos Prazeres, tendo em conta as características do contexto político-partidário, em presença, em que os protagonistas políticos detestam expor-se, publicamente, em nome dos ideais e propostas políticas que defendem.

Neste âmbito, o Arzemiro dos Prazeres é uma ave rara, pois, mesmo sendo um militante partidário (PCD) muito conhecido no nosso país, em contradição com aquilo que é modus faciendi do contexto, não abdica do exercício autónomo das suas prerrogativas cívicas quando muito bem o entender realizável.

Não concordando, em termos políticos, com muitas ideias que o mesmo defende, tenho de lhe reconhecer, todavia, a coragem e determinação em trazê-las para o espaço público e fazer a defesa das mesmas com uma convicção inigualável.

Politizar é, exatamente, isso, ou seja, “situar as coisas num âmbito de discussão pública, arrebatá-las aos técnicos, aos profetas e aos fanáticos” (Daniel Innerarity, A Transformação da Política, pp. 29).

Infelizmente, por solidariedade na manutenção do statu quo, com objetivo de transformar a política nacional numa coisa sui generis, alguns pseudointelectuais nacionais catalogaram as pessoas que não abdicam da manifestação da sua cidadania, decorrente da participação das mesmas em discussões públicas sobre a nossa vida comunitária, de “tudólugos”. Este epíteto, com a intenção de condicionar a ousadia de aqueles que ousam opinar e refletir sobre a nossa vida coletiva, diz tudo sobre a inércia e resistência que se apoderou de alguns sectores importantes da nossa sociedade.

Tendo em conta a riqueza e diversidade temática abordada no referido debate, após o encerramento do mesmo, fiquei com a sensação que, apesar da extensão temporal ajustada para o tratamento ou desenvolvimento dos temas propostos, haveria, ainda, campo, para, em jeito de contraposição, rebater algumas declarações ou posições defendidas no mesmo pelo meu conterrâneo Arzemiro dos Prazeres, estimulando-o, com tal, em jeito de provocação, para o desafio, de prolongarmos esta troca de argumentos neste espaço.

Por isso, decidi escrever este artigo de opinião. O meu conterrâneo Arzemiro dos Prazeres, afirmou, num dado momento do debate em causa, que <…as eleições presidências que se avizinham são fulcrais e representam uma espécie de continuação das eleições legislativas, anteriormente realizadas, tendo como objetivo primordial a consolidação do poder por parte da atual maioria governamental, ou, em alternativa, a eventual queda da mesma e o eventual regresso do partido ADI ao poder…>.

Na altura, em contraposição, tentei rebater tal tese, mas, tendo em conta as limitações de tempo e o desvio do enquadramento temático para outras vertentes, em análise, tal não foi possível.

Na minha modéstia opinião esta afirmação do meu conterrâneo Arzemiro dos Prazeres, apesar dele se autocaracterizar como um “político de águas profundas” no contexto nacional, comporta três problemas, sendo que, todos eles, para além de denunciarema ausência de um certo compromisso dos partidos políticos com os interesses da sociedade em geral, o que é muito comum na nossa terra, contribuem, também, para empobrecer as possibilidades de sucesso dos candidatos oficiais do MLSTP e do PCD nestas eleições presidenciais. Vamos, pois, ao que interessa.

Em primeiro lugar, presume-se, com tal afirmação do Arzemiro dos Prazeres, consciente ou inconscientemente, que a nossa comunidade é sinónimo de um agregado de indivíduos, (gentes do ADI, por um lado e gentes do MDFM/PCD/MLSTP/UDD por outro lado) que atuam em conjunto, periodicamente, em concertações estratégicas, como grupos de gangues, para assaltar o poder e manterem-se nele, a todo o custo, com o objetivo de repartirem entre si este bem comum que supõem seus.

Quem, provavelmente, não faz parte destes dois grupos, tendo em conta a opinião do Arzemiro dos Prazeres, aparentemente, não deve fazer parte da sociedade política. Este maniqueísmo que começa a ganhar expressão de um monstro e envenena a nossa sociedade pode estar a contribuir, também, para a proliferação de candidaturas, mais ou menos importantes, nestas eleições presidenciais, tendo em conta que as pessoas não se sentem vinculadas num compromisso que deveria ter como objetivo o interesse geral.

Em segundo lugar, a afirmação do Arzemiro dos Prazeres denuncia a ideia, voluntária ou involuntariamente, que o papel do presidente da república deve ser equivalente ao de um chefe de fação, quando sugere que as próximas eleições presidenciais são uma espécie de continuação ou segunda volta das eleições legislativas. Ou seja, ele acredita, piamente, que, sendo o Pósser da Costa ou Delfim Neves, presidente da república, estão criadas as condições, de forma inabalável, para a consolidação do poder da atual maioria governamental.

Arzemiro dos Prazeres esqueceu-se, todavia, que o presidente da república, qualquer que ele seja, representa tanto o Estado como a comunidade nacional e entre as múltiplas competências que tem existe uma, de primordial importância, que é a de garantir o regular funcionamento das instituições democráticas.

Ou seja, Arzemiro dos Prazeres, vem nos garantir, antecipadamente, em forma de aviso ou recomendação, que o Pósser da Costa ou Delfim Neves, nunca deixarão cair a atual maioria governamental, apesar dos desmandos ou desorientação, política e institucional, que, eventualmente, venha a ocorrer no país nos próximos tempos.

Por outro lado, nem o próprio Delfim Neves acredita nesta teoria do Arzemiro dos Prazeres porque, ele próprio, no manifesto eleitoral de apresentação da referida candidatura, já concluiu que o governo e a atual maioria têm sido “impotentes” nas respostas que deveriam dar para responder aos problemas e anseios da população Santomense.

Estaremos, por isso, nos próximos tempos, diante de um grande dilema: como manter uma maioria governamental no poder, contando com a colaboração, política e afetiva, de um presidente da república de fação, apesar da eventual “impotência” da mesma para resolver os problemas do país ou decorrente do contributo provocado pela própria referida maioria governamental para a deterioração das instituições da república?

Como é que os Santomenses, de uma forma geral, irão interpretar este posicionamento absoluto do futuro presidente da república, pré-anunciado pelo Arzemiro dos Prazeres, de manutençãoda atual maioria governamental no poder, custe o que custar, somente por manutenção de uma afinidade grupal ou política?

Creio que o Pósser da Costa e o Delfim Neves têm de esclarecer, durante a campanha eleitoral, esta garantia absoluta e incondicional, decretada pelo Arzemiro dos Prazeres, tendo em conta a sua qualidade de militante importante do PCD e defensor acérrimo desta solução governativa, de não remoção do atual poder independentemente de todos os desmandos que vierem a acontecer no futuro.

Esta última questão, tendo em conta a afirmação do Arzemiro dos Prazeres, leva-nos para o terceiro problema, caracterizador do pântano em que se transformou a nossa política, que é o facto do compromisso dos agentes políticos, de uma forma geral, estar apenas relacionado com o poder, ou, melhor, com “o poder pelo poder”.

Para tal, como tem sido prática entre nós, é preciso eliminar os adversários de qualquer forma e ganhar eleições nem que para tal os interesses do próprio país sejam sacrificados. Por isso, o vocabulário político tornou-se muito bélico, as campanhas eleitorais são muitas caras e o Estado transformou-se numa espécie de coutada de grupos de interesses, que se vão revezando, por imposição de resultados eleitorais que custam uma pipa de massa sem efeitos concretos na mudança da realidade vigente.

Entende-se, por isso, a necessidade de cada maioria governamental ter um presidente da república que funcione, neste caso, como presidente de fação em contraposição àquilo que, de facto, é a natureza ou missão do cargo, esquecendo-se que, para o exercício do poder, a importância instrumental do Estado só é um fator de poder quando se tem uma noção clara e realizável do que se pretende fazer com ele.

Estamos no domínio da ilusão e das falsas racionalizações e, neste âmbito, os processos continuados de ocultação mais cedo ou mais tarde, acabarão por encontrar o obstáculo das realidades materiais e sociais que determinarão, sem qualquer sombra de dúvidas, o fracasso desta política.

Tenho, por isso, muito receio da receita do Arzemiro dos Prazeres para estas eleições presidenciais, e sobretudo da interpretação que ele faz do cargo ou missão de um presidente da república para a nossa terra, pois, configuram o que de pior existe entre nós, como forma de fazer política.

Ele acha, contudo, que é preciso muito estudo e conhecimento invulgar do contexto para se prever os malefícios desta política que nos vai arruinar como comunidade, no longo prazo, e considera que todo o esforço, analítico ou reflexivo, neste âmbito, para arrepiar caminhos, é lirismo. Prefiro ser lírico e não embarcar nesta ilusão, como, aliás, muitos Santomenses já começam a fazer!

 

Adelino Cardoso Cassandra

    21 comentários

21 comentários

  1. Dória Pequeno

    29 de Abril de 2021 as 13:24

    Meu caro, não há volta a dar nisso. Muda os atores e tudo continua a seguir o seu caminho. Eu já não acredito em ninguém e digo mais que tenho medo de continuar a viver cá em S.Tomé e a criar os meus filhos neste pais onde toda a gente poderia ser feliz. A realidade que se vive aqui é dramática e não dá esperança nenhuma porque se antigamente as pessoas tinham alguma vergonha ou receio de dizer certas coisas, neste momento parece que perderam até a vergonha e estão a transformar o país numa guerra fratricida de um grupo contra o outro e estão na disposição de lutar até a morte de um dos grupos para manterem o poder e distribuir as regalias entre os seus. Nesta luta vale tudo. É triste dizer isso mas é a realidade que estamos a viver neste momento. Se eu pudesse tirava os meus filhos deste o país.

  2. Teté

    29 de Abril de 2021 as 13:43

    Mal deste país são os homens. O resto é conversa fiada. Batemos no fundo e será muito difícil sair de lá com estes políticos que temos neste momento.

  3. XYZ

    29 de Abril de 2021 as 14:23

    Cada um a lutar pelos seus interreses. Kuá ê dá…

  4. Martinho

    29 de Abril de 2021 as 15:59

    Este não é o PCD/GR que eu ajudei a formar. Infelizmente. Só lá ficou ratos e vampiros.

  5. Fuba cu bixo

    29 de Abril de 2021 as 16:55

    Alzemiro dos Prazeres veio desvendar o pântano político que estamos mergulhado a 46 anos nenhum destes políticos Santomenses estão comprometidos com o bem estar do país sempre tiveram interessados em interesses pessoais e de grupos.

  6. Andorinha

    29 de Abril de 2021 as 18:33

    S.tomé bateu no fundo acabou só resta a República das balbúrdia de salfa quem puder uma pena, e Jorge bom Jesus como é especializado em mentiras de palavras da treta é testa de ferro desta nova maioria para o saquiamento total de S.Tomé e Príncipe, ja se esta a dar banhos em Portugal estão a dar pernas de frango com cervejas em S.tomé estão a dar caixas de vinhos o dinheiro do Covid-19 vai servir para dar banhos nas eleições para perpetuarem no poder.

  7. Sem assunto

    29 de Abril de 2021 as 19:44

    Nada diferente poderia se esperar do PCD.
    Um partido que vive e convive “na boa” com uma figura, no mínimo sinistra, na pessoa de Delfin Neves, é um grupo que deveria ser destruído até as cinzas e no seu lugar espalhar água e sal, seguido de uma missa….pois ali reside Diabo.

  8. Vanplega

    29 de Abril de 2021 as 19:48

    O Senhor Arzemirodos Prazeres, ès homem

    Venha a praça explicar aos Santomenses, o que aconteceu com os barcos de pesca.

    O que aconteceu com co REI Amador, 30 de Setembro e os barcos de pesca que fizeram do JAPĀ0.

    Tenha coragem e explica os santomenses. 1 descarrega essa carga?

  9. Celeste pita

    29 de Abril de 2021 as 20:29

    Adelino Cassandra, gosto dos teus escritos mas confesso que cada dia que passa os políticos são Tomenses incluindo Jorge bom Jesus, estão pior.
    Estragaram esta terra, já não dá gosto viver aqui. Até energia tem falhado. Quando chove é um caos. Não há estradas em condições. Mesmo assim os polícias exigem imposto de circulação aos automobilistas.
    Com a pandemia o país recebeu muito dinheiro e não se viu nada feito.
    Esta nova maioria tem sido um inferno.
    Rapazes jovens como o Osvaldo Abreu ficaram tão gananciosos que de um dia para outro têm quase tudo. Pergunto de onde veio esse dinheiro todo?
    Ainda assim perseguem os quadros honestos.
    Jorge Jesus está a ser uma desilusão completa.

  10. Tia Zenha

    29 de Abril de 2021 as 20:59

    O povo é culpado também desta porcaria toda. Estar a alimentar os abusos destes políticos de meia tigela que ainda gozam connosco. Tanto abuso que eles fazem e vamos votar sempre nos mesmos nas eleições. eles fazem festa e reunemm comem e bebem e ainda dizem que eles enganam o povo com migalhas. Aproveitam da situação de miséria que existe para bancarem gozação connosco. Abrem olho minha gente. Come dinheiro e votam nos candidatos decentes.

  11. Londres City

    29 de Abril de 2021 as 21:04

    Estes políticos consegue me surpreeder todos os dias. Eu admiro isso. Cada vez que eu penso que a maluquice deles acabou aparece mais um cromo como o senhor arzemiro dos prazeres para me surpreender outra vez. SINCERAMENTE…

  12. Diasporana

    29 de Abril de 2021 as 21:45

    Fechem este país ou entrega a Portugal coisa dele outra vez. Eu só vejo e ouço barbaridades todos os dias neste país. Tenham vergonha um bocadinho. É energia que não tem. É ministra de justiça que vai para casa de diretor de preso para exigir que ele entrega preso para polícia judiciária. É preso que morre na cadeia de polícia judiciária espancado. É presidente da Assembleia Nacional que vai para Marocos pedir dinheiro para campanha. Todos os dias é só escandalos de corrupção. São ministros qie são todos incopetentes. É concurso no Banco Nacional que contrata só filhos de Diretores e funcionários. Porra tenham um bocado de vergonha na cara. Não envergonham o país desta forma também.

    • Toni

      30 de Abril de 2021 as 10:12

      De facto, devia-se entregar STP a uma equipe de Gestores Internacionais ai durante uns 10 anos, para colocarem STP como Pais sério, organizado, financeiramente viável…

      Estes politicos, desde a independencia , são meramente incompetentes , até me custa acreditar que não exista competencia em STP, mas é verdade não existe competencia e honestidade, assim o unico caminho seria entregar a gestão do Pais a profissionais ou tornar região autonoma de Portugal, embora esta ultima seria muito complicado, não sei se o povo Portugues iria aceitar tamanha despesa.

  13. Zeme tan

    30 de Abril de 2021 as 10:27

    Estou muito aborrecido com aquilo que se passa neste país. Até energia que eu pago todos os meses não tenho. Esse governo está a afundar o país.
    Depois querem ser presidente da República. Pido…
    Uma cambada de ladrões que so fazem concursos públicos para suas famílias, camaradas e boquitas.

  14. desilusão

    30 de Abril de 2021 as 10:33

    S.tomé não tem partidos políticos. São todos iguais que vivem a custa do dinheiro do povo e nós estamos a comer o pão que o diabo amaçou e eles estão a ficar com barriga grande só. Jorge Bom Jesus é uma grande desilusão para mim. Nunca pensei que ele fosse igual a todos outros.

  15. Pereirinha

    30 de Abril de 2021 as 10:54

    Esses políticos realmente têm mente quadrada falam de turismo e depois fazem de tudo para o país não ter energia.
    Esses jovens ministros so sabem fazer paleio quando se espreme não sai nada. São como o limão verde.
    Outra coisa que noto é que há muita corrupção no país.
    Eu não vou votar novamente nestes ladrões.

  16. Fia glesa

    30 de Abril de 2021 as 10:58

    Meu caro Cassandra os políticos são Tomenses apenas merecem os seguintes adjectivos :
    Incompetentes, burros, arrogantes, ladrões, aldrabões,mesquinhos e corruptos.

  17. Desculpa de morcego

    30 de Abril de 2021 as 11:21

    E esse tal de osvaldo abreu, não fala da crise energética?
    Também se abrir a boca é para nós enganar dizendo que a culpa é dos morcegos.
    Vocês não são culpados.
    Queimaram viatura de juíza e nada aconteceu. Ainda assim ficaram com o poder.
    Um dia isso tudo vai acabar.

  18. Zochi

    30 de Abril de 2021 as 13:24

    tambem ter um Presidente a ser teleguiado por outro em fuga em Portugal? isso doi

  19. WXYZ

    1 de Maio de 2021 as 1:17

    Afinal desde quando começou a ser posto em pratica o PLANO MAQUIAVELICO para dividir os Santomenses?

    • jfernandes

      3 de Maio de 2021 as 18:55

      Essa resposta aguarda se vinda da boca de que vendeu a alma do partido ADI

      O senhor Levi Nazare .
      So ele sabe como e quando andou a preparar o plano
      de terroresta politico .

      Depois com cara de santo

      Agora prepara se para abertura de vala comum para enterar os santomenses vivos

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