Opinião

Mais uma crise energética no país

É mais uma e provavelmente a maior crise energética que São Tomé e Príncipe vive. O mais grave é que não se vislumbra uma solução para esse problema a breve trecho.

Na estratégia deste Governo de Jorge Bom Jesus para o sector energético, foram delineados de forma estruturada, um plano para a construção de quatro novas barragens hidroelétricas, reabilitação das existentes com realce para a barragem do rio Contador, assim como instalação de peineis para a produção de energias solar fotovoltaicas e outras. Para o efeito, é necessário financiamentos externos, porque são investimentos avultados de que o Pais de longe não dispõe.

Tem sido anunciado através de órgão de comunicação social que o Governo está em negociações com algumas organizações financeiras mundiais e empresas privadas do ramo, algumas dessas negociações já em fase de estudos muito avançada, com vista a se encontrar financiamentos para esses projetos.

Esta estratégia que me parece muito acertada, vai permitir a transferência de produção de energias fornecidas através de geradores, alimentados por gasóleo, para a produção de energias limpas amigas do ambiente, como hidrelétricas, solar e outras.

Em qualquer uma dessas energias limpas, o Pais dispõe de potencial muito grande para a sua produção, pelo que, não será por aí que haverá algum obstáculo. Portanto, o único problema será mesmo os meios financeiros para a sua implementação.

Enquanto isso não for uma realidade, teremos ainda que conviver por muito tempo, com energias produzidas por geradores a gasóleo, com todas as consequências que temos vindo a ter, uma delas, gastos enormes com a importação de combustível.

Então, penso que o Governo terá que ter uma estratégia para esse período transitório que vai ainda ser muito longo. Acho que essa estratégia não existe ou se existe não está a ser aplicada corretamente, razão dessas crises cíclicas, o que não é nada agradável para a vida da população, a economia domestica, assim como para a economia do próprio Pais.

É preciso ter sempre em vista que a energia é um bem básico e indispensável para as nossas vidas. Por isso é que a sua satisfação deve ser a prioridade das prioridades.

Logo no início da atual legislatura, face a crise energética que se vivia no período antes das eleições legislativas, uma das primeiras medidas que foram tomadas pelo atual Governo, foi a aquisição de três grupos geradores. Na altura foi dito que esses equipamentos eram de emergência, pois, o seu uso constante poderia provocar muitas avarias. Sendo assim e se for verdade, por quê então essa opção? Por outro lado, não dispondo o Pais de muitas mais alternativas seguras, não se compreende por que razão não se pensou na aquisição de outros geradores alternativos ou a contratação provisória de uma central elétrica flutuante, usada por muitos Países com dificuldades energéticas?

Outra questão é no que concerne a peças sobressalentes. Apesar da situação imprevisível que surgiu com o aparecimento da pandemia de Covid 19, que foi a justificação para o atraso da manutenção dos equipamentos, acho que houve ai alguma negligência e falta de planificação. Peças fundamentais como aquelas, deve existir sempre em stock e ao mesmo tempo a encomenda de outras deve ser feita em tempo útil, contando sempre com situações inesperadas.

Para essa situação tem que haver sempre dinheiro, porque trata-se de um sector nevrálgico do Pais.

Estas e outras questões devem fazer parte da tal estratégia que referi acima, sem a qual teremos sempre crises energéticos no Pais. Volto a repetir que as novas fontes de energias para o Pais não serão para breve.

Tem-se verificado que o tempo que vai entre as negociações, elaboração de estudos dos projetos, a sua assinatura e o início da sua execução é muito grande. É necessário aferir se a culpa dessa demora é dos nossos parceiros ou a nossa incapacidade de negociação e da criação das condições para o início da execução dos projetos. Isto é um assunto que requer estudo e que é matéria para outra ocasião. Por isso é que temos que ter a consciência que vamos ainda ter que conviver por muito tempo com os geradores elétricos.

É referido com muita frequência, antes e agora, de uma possível sabotagem dos equipamentos das centrais elétricas. Sobre o assunto e se for verdade, gostaria de perguntar o seguinte: As instalações das centrais são assim tão vulneráveis? Não há zonas de acesso restrito? Como é feito o acesso dos técnicos ao sector? Não há um plano de segurança para essas instalações, tratando-se sectores vitais?

Por outro lado, fala-se muito da incompetência e falta de zelo e dedicação no trabalho dos técnicos da EMAE. Até que ponto isto é verdade? Haverá avaliação regular do desempenho profissional de cada um deles?

Todas essas questões devem ser devidamente analisadas entre o Governo e a EMAE, de modo a se verificar o que é que não esteve bem, apurar responsabilidades, estabelecer um plano e procedimentos técnicos, para que essa situação de crises energéticas constantes não volte a acontecer e sempre com a mesma justificação. As pessoas pagam as suas faturas de energia e precisam de um fornecimento regular desse produto precioso e indispensável.

São Tomé, 16 de Maio de 2021

Fernando Simão

    13 comentários

13 comentários

  1. Ito rosario

    17 de Maio de 2021 as 10:25

    Esse governo so veio provar que é tão incompetente quanto oss outros que já passaram.
    Nem vale a pena vir com bla bla bla de barragem e outras coisas porque que é só conversa para boi dormir.
    Bandidos.

  2. Rita

    17 de Maio de 2021 as 11:56

    Por mim o director da emae e outros responsáveis deviam ser demitidos imediatamente e presos logo à seguir.
    Da outra vez prenderam o Mário por falta de energia.
    Onde anda ministério publico?

  3. Povo

    17 de Maio de 2021 as 12:05

    Pois. Governo está preocupado só na campanha. Baixar salário de procuradoria regam da república para juiz conselheiro. Baixar presidente assembleia regional e governo regional para nível de secretário de estado. Até aqui sempre foi ministro e agora secretário. Isto é insultar humiliar autonomia. Presidente regional é parte na conselho estado. Pk n baixoi ministro também. Casas sociais pra pobre mesmo? Problema energia até quando. Mais importante k tudo é respeitar povo.

  4. Verdade divina

    17 de Maio de 2021 as 12:49

    Senhor defensor do governo já vimos que a nova maioria não tem competência para gerir esse país. Por isso vão receber uma boa derrota nestas e nas próximas eleições. E nem vale a pena virem com notícia de 3 três portos de águas profundas.
    Já não enganam ninguem.

  5. Andorinha

    17 de Maio de 2021 as 16:00

    “Vai libertando da escuridão energia e água energia e água não é favoor é obrigação do poder o MLSTP vai lutar para dar a energia mais barata energia esta muito cara”.By Jorge bom Jesus na campanha eleitoral de 2018.
    Nem o senhor que escreveu este artigo nem Jorge bom Jesus deveriam ter vergonha na cara.

  6. Fuba cu bixo

    17 de Maio de 2021 as 16:44

    O senhor diz que o governo dele tem planos para construir quatro garagem e reabilitar outro diga o seu governo para parar de fazer promessas falsas.
    Estamos ainda a espera de 20 mil casas sociais.
    Estamos ainda a espera da sona franca de malanza.
    Estamos ainda a espera do novo hospital com fundo do Kuwait que ja esta disponível para o governo.
    Estamos ainda a espera da reabilitação da Marginal na íntegra que ja tem verbas disponíveis que foi conseguido por anterior governo.
    Estou chateado no baixo de escuro não vem com trukes.

  7. Engenheiro

    17 de Maio de 2021 as 19:04

    Vamos lá a ver se nos entendemos, e pomos os pontos nos “is” e os traços nos “tês”
    1º – um motor a gasóleo, seja num gerador seja numa viatura tem obrigação de durar anos a funcionar 23h por dia, 7 dias da semana e 365dias no ano desde que… desde que sejam feitas as manutenções periódicas, nas viaturas é medido pelo numero de km, nos geradores e maquinas agrícolas, pelo numero de horas.
    2º por Manutenção, entende-se a troca de filtros de oleo, gasoleo e de ar, e a mudança de óleo, bem como a verificação do estado das correias do alternador e da distribuição~
    3ºos geradores em funcionamento em STP, seja os novos seja os antigos, requerem Manutenção mais ou menos mensal – quando completadas 500horas de trabalho. Significa mudar oleo, filtros oleo e gasoleo e filtro do ar, a cada 500hrs. Quando a Manutenção não é feita de acordo com os requesitos do motor, o óleo começa a ficar mais espesso, perde capacidade de lubrificação das peças metálicas, e as peças têm desgaste físico, por falta de lubrificação. Quando isso acontece, a Manutenção não é suficiente, é preciso REPARAÇÃO, o que implica substituição de peças. A reparação a curto e médio prazo, é sempre mais dispendiosa do que a manutenção periódica!
    4º os novos geradores da Caterpillar podem até estar dentro do prazo de garantia, mas se não tiver sido respeitado o calendário de Manutenções, a garantia perde a validade! De nada serve tentarem por as culpas nos representantes da marca, porque os geradores “falam” por si e o desgaste físico das peças é a 1ªevidencia de falta de Manutenção adequada e atempada!
    5º sabotagem é desculpa para falta de dinheiro para pagar as Manutenções e agora, pagar as peças para as reparações; sabotagem é também a desculpa para a falta de dinheiro para pagar o combustivel.
    6º energias alternativas… desde 2009 que apareceu o primeiro projecto de 9 mini-hidricas, apresentado pela Soares da Costa, com todos os estudos feitos. Desde aí, varias outras empresas apresentaram projectos e propostas! Já houve países que iriam financiar energias alternativas, mas os governos tinham outros planos para as verbas, e esses projectos nunca chegaram a ser executados, muito menos financiados, porque o país doador se recusou a entregar as verbas a serem usadas noutras “prioridades governamentais”. Se desde 2009 até 2021 ainda precisam de fazer mais estudos… Então quem está mesmo a precisar de ir estudar, são os membros dos diversos governos, desde 2009 até agora.
    7º sobre planos de segurança nas instalações da EMAE: começem por controlar a entrada de combustiveis e óleos, controlar o consumo/hora e responsabilizar os supervisores de turno, quando o gasóleo “ganha pernas ou asas” e desaparece das instalações!

    • Matabala

      18 de Maio de 2021 as 11:00

      Muito bem meu caro. Exponha toda essa vergonha a publico. Vamos desmascarar esses bandido que vem por areia nos olhos do povo. Estamos cansado de ser tratado como criança, como burro para esses sem vergonha. É demais politico e técnicos sem coração. ..muita maldade nessa terra. Praga para todos eles.

  8. Fla com vom

    18 de Maio de 2021 as 7:57

    Desde que membros desse governo pilantra queimaram a viatura da juíza e nada lhes aconteceu senti que não iam trazer nada de bom para o país.
    Agora estamos a ver o inferno.

  9. Peter

    18 de Maio de 2021 as 9:38

    Claro que este governo tem plano estratégico para energia. Este plano chama se roubar o património público. Me explicam como é que ministros como osvaldo abreu que não tinham nada hoje aparece como rico ao ponto de levar família e amigos para seu casamento em Lisboa? De onde vem todo esse dinheiro?
    É claro que só pode vir de corrupção. Por isso não temos estrada nem água nem energia.

  10. Matabala

    18 de Maio de 2021 as 10:53

    O meu caro falou muito mas não falou do essencial: PRIVATIZAR ESSA EMPRESA. Tudo o resto é tipo tapar burraco e obra mata pau….Estado já provou não ter capacidade e a incompetência na gestão tem que ver com esta promiscuidade entre politicos gananciosos e técnicos e directores corruptos…gasóleo é grande negócio, compra de geradores e manutenção destes é saco azul de cada Governo que entra….Chega de mimimi
    …aqui só solução radical. Deixa problema de fornecimento de energia e manutenção /reparacao de equipamento e gestão com privado que de certeza vai funcionar bem pois o dinheiro é respeitado coisa que esses político não tem respeito. Deixa Estado cobrar seus impostos e dedicar a outras áreas onde não possam prejudicar todo um país para seu benefício proprio e de algumas elites.

    • Tony

      21 de Maio de 2021 as 11:14

      Caro Matabala, sim o estado é um péssimo gestor, seja qual o estado que for, e o estado de STP ainda é pior!!

      O problema em STP é sempre o pensamento comunista que continua enraizado nas politicas e na gestão do bem publico, e caso me informem do contrario, este comunismo nunca geriu com eficiência nem nunca construiu algo de bem, seja em STP ou em qualquer parte do mundo, alias veja se o estado em que os países comunistas estão.

      Em qualquer Pais mais ou menos desenvolvido as empresas publicas estão a ser geridas por privados, tais como gestão portuárias, distribuição de energias, agua, aeroportos etc. Simplesmente fazem com que se acabe com o job para os amigos, conferem gestão profissional, erradicam corrupção e dão melhores serviços aos consumidores.

      O problema é que STP não quer acabar com nada atras enunciado !

  11. Pascoal Carvalho

    19 de Maio de 2021 as 19:40

    o problema das sucessivas crises energéticas de e em STP, é uma reprodução de casos de incompetência e desacerto geral.

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