Opinião

Conexão PALOP

É preciso dinamizar a mente, agilizar os transportes, drenar os pântanos e mares, remover os ingentes obstáculos, caso hajam, para viabilizar a aproximação e a troca de experiências entre os membros da comunidade PALOP. Cada um com as suas matrizes culturais e valores axiológicos, mas sempre a conviver uns com os outros.

Se num passado recente, fizemos um audacioso “djunta mó”, uma arrojada conjugação de esforço e lutamos, com bravura, com ardor e com sucesso, contra a barganha de um mal comum, que foi a desumana e depravada colonização, por que razão não haveríamos de fazer o mesmo, agora, na hodiernidade, para atacar e debelar os desafios comuns, que nos afligem. Com é possível não haver ligações diretas, nem marítimas, nem aéreas, entre Bissau e Praia, por exemplo? Ou entre Luanda, São Tomé e Praia?

E na direção inversa, como é óbvio.  Pois, é tão somente isso que as mulheres e homens da ciência, da cultura e dos negócios estão a pedir. Será demais? Não, não acredito. Não vejo nada de excessivo nesta legítima e prazerosa pretensão. Até parece que a massificação das novas tecnologias está a afastar os integrantes da comunidade PALOP, uns dos outros.

Quem estará por trás desta política de mercearia, de diminuta visão para devir e do ganha quase nada, neste quesito? Ou será apenas uma displicência estrutural, assaz congénita? Também não é plausível, nem a preguiçosa desculpa de longitude. Ou será uma imperdoável falta de vontade dos soberanos decisores do destino dos nossos povos?

Sou um fervoroso entusiasta no tangente a tudo quanto se refira à herança dos nossos gloriosos maiorais. Por isso, sejam quais forem as razoes de cada um, há um desafio conjunto, a elementar necessidade de facultar a ligação e o intercâmbio, cultural e comercial entre os cidadãos da nossa airosa comunidade.

Eu, no domínio estritamente pessoal, eu que de menino tinha o mar defronte da minha vista, eu que nunca temi oceanos e navios, gostaria que houvesse, de preferência, conexões marítimas, em barcos de recreio e de lazer, na linha entre Cabo Verde e Moçambique, passando por todas as costas das nossas terras, fraternas e solidárias. Devia ser um privilégio das nossas gentes e um desígnio supranacional, colocando este dossier em cima da mesa de todas as cimeiras e pertinentes negociações, envolvendo qualquer outro setor. Seria uma espécie de alargado “Eto Mudyeto”, do rei do Semba, Bonga Kuenda e do patriarca do quizomba, Eduardo Paim.

Por outro lado, a instituição da CPLP não deveria arrogar a si aquilo que é da exclusiva incumbência dos PALOP, nem engolir os ímpetos benéficos da esfera da nossa comum organização. Cada coisa a seu tempo e cada ente no seu lugar. Assim, ficaríamos bem.  Nenhum extraneus ou ádvena ao nosso círculo precisaria de insinuar ou recomendar algo nesse auspicioso sentido. Somos adultos e vacinados, com a premente missão histórica de resolver os nossos próprios e candentes problemas. Pois, com tal iniciativa estaríamos também a contribuir para a alavancagem dos negócios e da economia dos nossos países.

Domingos Landim de Barros

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