Opinião

O Dilema de chamar feiticeira ou feiticeiro a alguém

Um dos assuntos que muito se fala, lamenta, queixa e, inclusive, debate na comunicação social e, também, às vezes, nas redes sociais, é a questão de feitiçaria, principalmente quando haja massacre ou morte de alguém cognominado como feiticeira. 

Aqui menciono FEITICEIRA, tendo em conta que, habitualmente, é a mulher que é cognominada como feiticeira. Em muitos poucos casos o homem também chega a ser cognominado de feiticeiro. O homem é mais cognominado de CURANDEIRO. 

Ora, é preciso ver que a questão de chamar FEITICEIRO a alguém, parece estar no sangue dos são-tomenses. 

Se analisarmos bem as coisas, somos capazes de chegar a conclusão que a grande maioria, ou todos aqueles que são chamados, hoje, de feiticeiros ou feiticeiras, são aqueles que, outrora, também tiveram o vício de chamar feiticeiro aos outros. 

Passo a narrar uma história que pode não ser verdadeira, mas que tenho em mente e que me marcou: em 1985, salvo erros, pairou no ar uma informação, boca boca claro, em que um POLICIAL ESPETOU A SUA MÃE COM UMA AGULHA NO CORPO, porque aquele policial considerava que ela era FEITICEIRA. Como disse, a história pode ter sido falsa, mas representa a afirmação cultural dos são-tomenses. 

Chamar de feiticeira a alguém, parece estar enraizado na cultura são-tomense. Vejamos que o estado são-tomense, a polícia, as justiças só intervêm quando haja morte ou massacre do cognominado de feiticeira. 

Para que haja morte ou massacre é porque já houve muitos indícios de chamar de feiticeiro a essa pessoa. Mas só depois do massacre ou morte é que todo o corpo policial e jurídico aparece. 

Pode-se dizer que a polícia não teve conhecimento. Mas parece que em todos os locais onde não haja CORPO POLICIAL, há POLÍCIAS LOCAIS. Não me parece que alguma vez já houve alguma queixa da POLÍCIA LOCAL sobre algum caso desse antes da morte ou massacre.

Aliás, também nos grandes centros urbanos, da responsabilidade do CORPO POLICIAL, acontece massacre ou morte. 

É preciso ser franco e realista para dizer que todas instituições judiciais, são compostas por cidadãos são-tomenses e, como tal, estão criadas as condições sanguíneas e culturais para que qualquer processo legal nessa matéria, presumivelmente, só terá pernas para andar depois da morte ou massacre da cognominada de feiticeira. 

A POLÍCIA LOCAL, A POLÍCIA DE ORDEM INTERNA, APOLÍCIA JUDICIÁRIA, TODOS OS TRIBUNAIS, O MINISTÉRIO PÚBLICO, são constituídos por são-tomenses. 

Se alguém fizer uma queixa sobre o caso, isso é capaz de se alastrar por longos e muitos longos anos e nunca se chegará a uma solução judicial, antes da morte ou massacre. Também porque nessas instituições todos são são-tomenses e têm no seu sangue o vício de chamar FEITICEIRO aos outros. 

Em suma o cognominado nunca irá fazer a queixa, pois sabe que isso vai resultar sempre em nada. Mas é um mal que se deve lutar contra, se bem que isso é muito mas muito difícil, pois quem deve lutar contra também é são-tomense. 

Mas para todos os problemas há soluções. Para esse caso, entre as possíveis várias soluções há a solução de : 

– CONSIDERAR CRIME E LEGISLAR sobre o simples facto de CHAMAR FEITICEIRO A ALGUÉM,

– Considerar CRIME PÚBLICO só o facto de chamar feiticeiro a alguém, da mesma forma como se faz em relação a ABUSO SEXUAL DE MENORES.

– Não ser preciso fazer queixa para que o caso possa ser considerado crime.

– Desde que alguém seja chamado de FEITICEIRO, por brincadeira ou não, já é CRIME.

– Qualquer cidadão pode DENUNCIAR à polícia, ministério público ou etc.

Portanto, julgo que se assim for haverá a probabilidade de diminuir ou mesmo acabar com o caso de CHAMAR FEITICEIRO A ALGUÉM e casos de massacre ou morte por feitiçaria.

Mas, de qualquer modo, isso só acontece quando o Estado São-Tomense quiser que isso acabe e tomar as devidas medidas. 

Mas, feliz ou infelizmente, o Estado São-Tomense é dirigido por cidadãos são-tomenses, pois estes têm no seu sangue o vicio de chamar feiticeira ou feiticeiro aos outros.

De qualquer modo, e apesar de todas as dificuldades e percalços, devemos todos lutar para acabar com isso , ou pelo menos diminuir grandemente esses acontecimentos e não somente quando os nossos familiares são afectados é que fingimos considerar que esse é um mal.

JuvêncioAO

3 Comments

3 Comments

  1. Célio Afonso

    27 de Janeiro de 2025 at 9:00

    Subscrevo na íntegra.
    Isto é cultura da ignorância porque aqueles que chamam de feiticeiros (as) aos outros, é porque ainda não tiveram o privilégio de viver até atingir a terceira idade. Com efeito, esquecem-se de que um dia também poderão passar por esta situação, salvo se forem cidadãos de escalão social medio ou alto. Portanto, este comportamento é autêntica estupidez que caracteriza determinadas franjas da nossa população,
    razão pela qual as entidades com competência na matéria devem agir na prevenção e legislar sobre a matéria.

  2. Cleopter dos Santos

    27 de Janeiro de 2025 at 14:24

    Caros concidadãos. Estou confuso. Mas alguma coisa existe. Eu pessoalmente fui vitima aos meus 18 anos de uma bruxaria. No momento eu não podia encarrar a tal senhora de frente. Desculpa-me a ignorância, mas existe pessoas detentoras de alguma arte sobrenatural e que fazem mal a outrem.
    Um dia eu contarei os detalhes do que vivenciei.

  3. Lucas

    28 de Janeiro de 2025 at 9:43

    Vai ao médico mas não aqui vai na eurropa

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