O desporto é uma das melhores, ou senão , a melhor forma de um país desconhecido no mundo fazer-se conhecer.
Os países altamente desenvolvidos mostram a sua musculatura usando o desporto.
STP é um país que é muito pouco conhecido mesmo em países aqui do golfo da Guiné. Penso que uma participação constante em eventos desportivos internacionais pode ser um mote para aumentar consideravelmente o conhecimento pelo país.
Fala-se no desenvolvimento do turismo pelo que tem-se que aproveitar, também, o desporto para isso.
Aliás, o desporto é a “muleta”, ou mesmo os dois pés do desenvolvimento do turismo.
O desporto faz-se com os clubes que devem possuir os seus espaços desportivos próprios para o exercício das suas actividades. Mas tendo em conta que os clubes estão muito mal organizados e não se vislumbra um tempo curto para isso, as Câmaras Distritais podem assumir esse protagonismo e ter um papel prático que possa contribuir para o desenvolvimento do desporto.
Aliás, julgo que as Câmaras Distritais (CD) não possuem um seu património para além dos cemitérios.
Assim, sou da seguinte opinião:
1. Em primeiro lugar devo dizer que os Clubes devem obrigatoriamente possuir seus espaços desportivos com todas as condições exigidas internacionalmente para a prática de actividades desportivas pelo menos os clubes que podem ocupar os lugares de campeões nacionais ou das taças.
E como em STP aos clubes não são exigidos essas condições e não se vislumbra que eles possam criar essas condições muito em breve, deve-se então imaginar e mesmo solicitar por uma intervenção das Câmaras Distritais e do Governo Regional do Príncipe.
Entretanto, vale a pena que as CD discutam entre si e vejam a possibilidade de se intervirem nesse assunto.
Aliás nem é uma intervenção direta no desporto mas é simplesmente uma questão de obterem mais um seu património que, neste caso, poderá ser um complexo desportivo que, certamente, será usado pelos clubes localizados nesse distrito e não só.
De qualquer modo, para o desenvolvimento do desporto nacional, as CD, por serem capazes de mais facilmente conseguirem parcerias, fundamentalmente externas, elas podem começar com o interesse de obter para cada Câmara um complexo desportivo que, no início pode só ser constituído por : (i) um estádio para o futebol 11 preparado para o atletismo e suas diversas modalidades; e (ii) um pavilhão desportivo para diversas actividades desportivas (basquetebol, andebol, voleibol, futebol 5, etc) e outras actividades lucrativas que cada CD vier a considerar.
De realçar que tanto os estádios como os pavilhões desportivos deverão possuir
todas as condições internacionalmente exigidas para a prática;
2. Considerando que pode ser mais difícil as CD fazerem isso individualmente, elas podem unir seus esforços em um conjunto de todas as CD do país, ou as câmaras que estiverem interessadas, mais o Governo Regional do Príncipe e o Governo Central (de realçar que um complexo desportivo pertencente a câmara distrital será um património público), a fim de conseguirem atingir esse desiderato.
3. Levando em conta que as CD optem por trabalhar em conjunto nesse assunto, elas devem também optar pela lei de vantagem, ou seja, construção, primeiro e em seguida em distritos onde há maior número de habitantes que é onde também haja maior probabilidade de mais adeptos no estádio.
4. As CD podem elaborar um projeto de construção que será um protótipo a seguir por todas ou que cada uma terá paulatinamente o seu projeto, o que exigirá maior esforço de financiamento para cada uma.
Depois de selecionar o modelo a seguir, se optarem por um protótipo universal para todas CD, organiza-se um concurso para selecionar uma empresa ou um gabinete de projetos para a elaboração do respetivo projeto. Depois da seleção da empresa ou gabinete, todas as câmaras colaborarão para a elaboração do projeto buscando parcerias para financiamento.
Aliás a busca do financiamento para a elaboração será um trabalho de todas as câmaras e da RAP assim como do Governo central.
Após a elaboração do projeto haverá a fase de construção que também terá a busca de financiamento nas parcerias das câmaras e do Governo central.
5. No final, as CD terão um património que será desportivo, em que os clubes desse distrito podem utilizar, assim como as seleções nacionais, enquanto ainda não conseguem possuir um estádio e um pavilhão desportivo com as condições adequadas e internacionalmente exigidas.
Esses complexos desportivos devem ser geridos pelas CD, devendo as utilizações serem feitas em moldes financeiros previamente a determinar e que pode ser que os lucros sejam divididos em 70% para as CD e 30% para os clubes que os utilizarem, ou qualquer outra forma de divisão que as CD vierem a considerar.
6. Outra questão a se considerar é que parece já haver uma legislação sobre a questão de “mecenato”.
O “mecenato” também pode ajudar no desenvolvimento dos clubes, em diversos aspectos, fundamentalmente nas participações internacionais tanto dos campeões como dos vencedores das taças.
Aliás, se tem havido qualquer dificuldade burocrática para a intervenção do mecenato, essa dificuldade deve ser seriamente discutida por todos os intervenientes do desporto para que ela seja sanada.
Está é uma pequena contribuição que pode ajudar a que o desporto nacional tenha um suporte para o seu desenvolvimento que, por conseguinte, ajudará no desenvolvimento do turismo.
É verdade que as opiniões são simplesmente opiniões, não são e nem podem ser vinculativas, pelo que podem não servir para nada, mas podem ajudar a que os dirigentes nacionais e, fundamentalmente, os presidentes das Câmaras Distritais, tenham uma base por onde começar, se desejarem começar e se desejarem fazer alguma coisa pelo desporto.
A ver vamos. Já estamos em outubro de 2025.
JuvêncioAO