
Antes de enveredar por esta estrada, a caminho da Praia dos Tamarindos, fui abordada por um grupo de raparigas. Uma delas é irmã do Ju, disse-me. Também me disse para ter cuidado ao ir sozinha para a praia. (Eu não disse nada, mas pensei: “Então? Esta praia é perigosa?”)
A placa diz: “Seja bem vindo. Usem-me, mas não me deixem suja”.


Do Porto, carago! São portugueses e são do Porto!! Estão cá uma semana de férias!
E foi um dos meus compatriotas que me tirou uma de dúzia de fotos aqui a andar na praia dos Tamarindos.
É meio dia, vou almoçar. Recordo que acordei e tomei o pequeno-almoço às 4 da manhã. Já lá vão 8h. Despedi-me dos meus amigos branquelas iguais a mim, desejei-lhes continuação de boas férias, e fui almoçar o meu peixe Azeite. Como será o meu peixe Azeite.




A mim e à bicicleta. Ela foi saber. Voltou pouco depois e disse-me que são 150 dobras até Guadalupe. São 2,5 km até Guadalupe, tenham dó. De mota são 10 dobras. Se fosse até à cidade de São Tomé, ainda vá. Eu fiquei muito aborrecida e disse que já não gosto do restaurante nem do dono, pela exploração. Mas a Ju respondeu-me que o dono está em São Tomé, aquele é o jardineiro.
Ah é o jardineiro que quer levar-me 150 dobras por 2,5 km?! Perguntei-lhe então se não tem nenhum amigo que me leve. A Ju sugeriu-me ir de moto-táxi, e que eu levaria a bicicleta pela mão, a andar ao meu lado. Bom, isso parece-me difícil. Depois a Ju lembrou-se que conhece o Naí, foi lá fora e viu a moto dele estacionada lá à frente, ao longe. Eu fui lá de bicicleta e chamei-o: Naí! (Até parece eu que eu o conheço também).

Acabei por não ficar com o nome deste motoqueiro da direita. Ele prendeu a minha bicicleta tão rapidamente que eu nem dei conta. Fez tudo sozinho, nem quis ajuda. Até lhe perguntei se ele já está habituado a isto. Parece que sim, que já tinha levado outras bicicletas, pelo que percebi.




Fiz 32,7 km na bicicleta, e 23,5 km de moto.

Estivemos a ver preços de telemóveis junto dos seus conhecidos. Havia um Galaxy qualquer coisa por 4.000 dobras (160€). No segundo telefonema para saber se era novo ou em 2ª mão já eram 5.000 dobras.
E entretanto o meu telemóvel ligou-se. Ressuscitou. Voltou a funcionar às 15h quando o liguei à tomada para carregar. Esta é boa. Enviei novamente mensagens a várias pessoas em Portugal avisando que o telemóvel está mesmo a dar o berro, e que esteve morto hoje durante seis horas. Um amigo respondeu-me (por Whatsapp) que o meu telemóvel é bipolar.
Nesta foto o Célio Santiago está a ligar o gerador porque faltou a luz, eram 17h30. No entanto o resort fica no meio de duas ligações: falhou a de cima em direção ao Monte Café, mas a que vai para baixo em direção à cidade, mantém-se a funcionar. O Célio chegou a ligar o gerador (que faz muito barulho), mas desligou-o logo porque mudou o cabo para a ligação de baixo. Esta é boa também.



Mas eu começo a funcionar melhor com dobras, por aqui, já estou a habituar-me aos valores e aos cálculos. Ora se eu paguei 330 dobras, hoje, para me trazerem a Belém desde Morro Peixe, ida e volta seriam 660 dobras. O preço que o Arcelino me pediu pelo carro (750 dobras) é perfeitamente justo. Mas é muito caro. Relembro que tenho 29 dias de férias. Alojamento, comida e agora transporte, durante 29 dias, sai demasiado caro. Não me interessa gastar tanto dinheiro em transportes, tendo uma bicicleta.
O Célio já me tinha indicado que posso apanhar um táxi partilhado na rua, dividindo assim a despesa entre várias pessoas, mas eu não gosto de apanhar táxis sozinha. Tenho algum receio. Hoje foi uma verdadeira aventura. Neste caso de Morro Peixe seria um táxi desde o hotel até à cidade de São Tomé, e depois outro até Guadalupe.
E depois uma mota até Morro Peixe. Sim, porque os táxis partilhados funcionam como autocarros: têm um percurso fixo e não saem dele. Têm inclusivamente paragens fixas também, para apanhá-los. Depois no caminho podem fazer pequenos desvios aqui e ali, para levarem as pessoas até mesmo à porta da sua casa, mas a primeira paragem é num local fixo. E vão 5 pessoas num carro: quatro atrás, e uma à frente. Este lugar da frente é o melhor, claro. Também existem as carrinhas, que levam mais pessoas, mas aqui em Belém só há carros.
Deixo a nota, nesta despedida do 14º dia, que quase todos os dias tenho sms automáticos a pedir para eu ligar. Os chamados “Call Me”. Agora foi o Pajó, da moto-carrinha. Mas eu já gastei 50 dobras no Príncipe e carreguei outras 50, ao chegar a São Tomé. Foi o Célio Santiago quem mas carregou, no portátil. Eu dei-lhe o dinheiro, e ele carregou. Se eu me ponho a ligar a toda a gente que não quer gastar dinheiro a ligar-me, estou tramada. Estes tarifários existentes em São Tomé e Príncipe são maus. As pessoas andam sempre a conter-se para não gastar dinheiro. Conforme referi na crónica 3, existem duas companhias em São Tomé e Príncipe: a Unitel, que é a mais recente, e a CST, Companhia Santomense de Telecomunicações. O sistema que existe na Europa, de pagarmos uma mensalidade fixa que inclui chamadas (praticamente ilimitadas) para todas as redes, não existe aqui. Vim a saber que a CST tem um tarifário que inclui 60 minutos por dia de chamadas, mas apenas dentro da mesma rede. Ora há muita gente que tem Unitel. A Unitel não cheguei a saber se tem esse tarifário ilimitado, mas aparentemente não tem, senão as pessoas mudariam para ele, naturalmente. A guerra entre as operadoras aqui em São Tomé e Príncipe é feia e prejudica a população.
Ao final do dia comi este maracujá gigante, que entretanto amadureceu, três bananas-maçã e leite. E deitei-me tarde, quase às 9, depois de selecionar as fotografias, fazer o backup e preparar tudo para amanhã. Tendo em conta que irei levantar-me às quatro, 21h é muito tarde. Convém dormir 8h.
Crónica de viagem de Rute Norte













Elton Santo
3 de Novembro de 2019 at 14:23
Prestadores de servico publico, certifique de que voces nao pratiquen discriminacao no preco dos vossos produtos…
Edgar Rodrigues
4 de Novembro de 2019 at 0:34
maravilha