Economia

CECAB resgata 800 agricultores afectados pela crise do cacau

A crise na comercialização do cacau convencional, forçou a Cooperativa de Exportação do Cacau Biológico (CECAB), a elaborar um plano para o resgate de pelo menos 800 famílias de agricultores que perderam a sua fonte de renda.

Uma crise provocada pela falência da empresa SATOCAO, a antiga grande compradora do cacau convencional. SATOCAO, empresa criada por investidores suíços, abandonou os agricultores.

«É um momento difícil, de incerteza e de retracção das suas rendas», declarou António Dias(na foto), director executivo da CECAB.

Numa entrevista ao Téla Nón, o Director Executivo da CECAB, explicou que a cooperativa composta por 36 associações de agricultores, e que envolve 2200 famílias produtoras de cacau biológico, havia decidido «não mais alargar a sua família».

No entanto, a crise que está a sufocar centenas de produtores de cacau convencional (produzido sem normas biológicas), obriga a cooperativa a socorrer os mais aflitos. Socorro, que no entanto, não vai ser imediato como desejam os agricultores que foram abandonados pela SATOCAO.

Para pertencer a família de produção biológica do cacau, há uma série de procedimentos a serem cumpridos. «A CECAB é uma cooperativa de produção do cacau biológico, faz parte do comércio justo. Somos auditados por instituições internacionais de certificação biológica e do comércio justo. Por isso a integração desses agricultores não será de imediato», confirmou o Director Executivo.

No entanto António Dias, assegurou que já há acções em curso com vista a organizar as comunidades agrícolas, para se aderirem a cultura biológica do cacau.

«Estamos a apoiar as comunidades na criação de mais 6 associações. Na Roça Milagrosa e arredores, em Água Francisca e arredores, na comunidade de Boa Entrada, também nas roças Margão, Vanguarda, e Quinta da Graça», detalhou.

Segundo o Director Executivo da CECAB, o trabalho técnico que está a ser feito nessas comunidades já permitiu identificar áreas para construção de infra-estruturas de processamento do cacau, nomeadamente os secadores solares, e as estufas para fermentação do cacau.

O processo de formação dos agricultores sobre as técnicas de produção biológica, e a instalação das infra-estruturas de produção, vão exigir da CECAB um investimento na ordem de 150 mil euros.

«A CECAB vai sair de 36 associações de agricultores, para 42 associações. Vai sair de 2200 agricultores para cerca de 3 mil agricultores. Vai poder sair de uma produção de 1000 a 1100 toneladas de cacau por ano, para 1500 toneladas de cacau seco por ano», pontuou António Dias.

A partir de 2021, a família de produção de cacau biológico em São Tomé vai ser reforçada com mais 800 membros.

Abel Veiga

    2 comentários

2 comentários

  1. Talrich

    23 de Outubro de 2020 as 13:32

    O sistema cooperativo é a única organização económica sustentável a ser considerada para o desenvolvimento das exportações de produtos agrícolas orgânicos de stp.
    Muito coragem para todos!

  2. Sem assunto

    24 de Outubro de 2020 as 6:49

    Este senhor tem uma força de vontade, visão e dinamismo a ser aproveitado. Não é agrónomo, nem gestor de formação, porém dá aulas aos assumidos engenheiros agrónomos e gestores em matéria de dsenvolvimento agrícola.
    Siga em frente senhor António Dias.

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