O Presidente da República e Chefe de Estado foi confrontado mais uma vez com a preocupação dos agricultores e criadores de aves e gado, relacionada com o roubo generalizado no país.
Um fenómeno que segundo o Presidente da República tem desencorajado as iniciativas empreendedoras seja no campo como na cidade. «Há agricultores que dizem – me que simplesmente abandonaram a sua plantação», afirmou o Presidente da República em resposta à preocupação manifestada pelo técnico agrícola Carlos Tavares.
Foi durante a visita às instalações do Centro de Aperfeiçoamento Técnico-agropecuário (CATAP) e a Base Experimental de Culturas Alimentares e Frutícolas. Duas unidades estratégicas para o incremento da produção agrícola e pecuária no país.
«É um assunto que está a se transformar num fenómeno, e é preciso encontrar uma solução, e farei dentro das minhas competências para que possamos minimizar e solucionar este problema», pontuou Carlos Vila Nova.

Sementes para diversas culturas foram ofertadas aos agricultores no âmbito do projecto “Mais Alimento” financiado pelo ministério da agricultura.
O Centro de Aperfeiçoamento Técnico-agropecuário localizado em Batepá reúne todas as condições técnicas para a formação dos agricultores e criadores de animais. País de terra fértil São Tomé e Príncipe regista aumento do preço dos produtos da terra.
A mão de obra jovem está em fuga para a emigração, a produção não para de baixar, mas também com a contribuição directa dos efeitos das mudanças climáticas. A carne caprina e bovina está cada vez mais rara, e a carne suína está mais cara.
A segurança alimentar e nutricional da população está longe de ser assegurada.
«Em São Tomé e Príncipe, por muito fértil, por muito boa que seja a terra, não se produz todo o ano os mesmos produtos. É preciso que haja congregação, que haja estratégia, e se partirmos para o trabalho desta forma teremos resultados porque temos condições para tal», sublinhou o Presidente da República.
Os sucessivos governos lançaram vários programas para o aumento da produção agropecuária. O mais recente chamava-se Bamu Ximiá(vamos plantar), mas na prática os produtos da terra estão a diminuir, e o preço no mercado é muito superior aos produtos importados.
Abel Veiga
Jxecove
15 de Abril de 2026 at 14:29
O Presidente surge agora como um “guardião tardio”, prometendo combater o roubo que alastra pelo campo e pela cidade, como se tivesse descoberto hoje um incêndio que arde há anos à vista de todos. Fala-se de agricultores que abandonam as suas terras, mas esquece-se de quem abandonou o dever de proteger quem produz são todos aqueles que a anos DESGOVERNAM o nosso STP, e o Presidente Carlos Vila Nova é um deles .
Neste teatro político, o discurso é fértil, mas os resultados são estéreis. Multiplicam-se visitas, promessas e projectos com nomes inspiradores, enquanto a realidade continua a ser colhida por mãos invisíveis, umas por necessidade, outras por conveniência, tudo culpa dos nossos governantes.
Porque, convenhamos, há uma diferença gritante entre quem subtrai um cabrito para sobreviver e quem saqueia o Estado de gravata e discurso eloquente. Os primeiros são caçados; os segundos brindam à impunidade em salões iluminados, vivendo à grande e à francesa, como se o erário público fosse herança privada.
O mais inquietante não é apenas o roubo no campo, mas o silêncio cúmplice sobre os “latifundiários do poder”, que cultivam influência, colhem privilégios e armazenam riqueza sem nunca enfrentar a justiça. Quando o topo apodrece, a base apenas reflecte esse estado.
No fim, resta a pergunta: combate-se realmente o crime ou apenas se escolhe qual deles merece ser visível?