O Partido de Convergência Democrática (PCD) manifestou-se esta segunda-feira, 21 de julho, sobre o atual estado político do país, denunciando o que considera uma “partidarização vergonhosa” das celebrações do 50.º aniversário da Independência Nacional e criticando duramente a atuação do Governo.
Durante uma declaração pública na sede do partido, o secretário-geral Dydysirley Viegas leu um comunicado da Comissão Permanente, datado de 17 de julho, onde o PCD lamenta ter sido excluído de todas as cerimónias oficiais, criticando o que descreve como uma tentativa de apresentar “uma visão monolítica da sociedade são-tomense” aos convidados estrangeiros.
“Determinado partidos, como o PCD, não receberam qualquer convite. A celebração da independência não pertence a um governo, muito menos aos atuais detentores da administração política”, denunciou o comunicado.
O partido condena também o cancelamento, no próprio dia, de uma sessão solene na Assembleia Nacional, considerado um episódio inédito e reflexo de desorganização institucional. Também apontou críticas ao nível ortográfico dos materiais visuais usados nas festividades, classificando como “grosseiros e chocantes” os erros expostos ao público, numa referência direta ao cartaz oficial que grafava incorretamente a palavra “compromisso” com apenas um “s”.
O PCD lamenta ainda o que considerou baixo nível de representatividade internacional nas celebrações, exceção feita à presença da República Portuguesa. Para o partido, essa fraca adesão reflete o desinteresse crescente da comunidade internacional por São Tomé e Príncipe, agravado por episódios como o massacre de novembro de 2022 no Quartel do Morro, e pela alegada falta de vontade política e judicial para apurar os factos.
“As autoridades políticas nacionais reforçaram essa percepção ao marginalizarem a oposição democrática”, afirmou o partido.
Outro ponto de preocupação destacado foi o agravamento do custo de vida e o fracasso das políticas económicas e agrícolas, que não conseguem ocultar a frustração da população. Segundo o PCD, o povo são-tomense vê-se cada vez mais desiludido com os 35 anos de democracia, nos quais o partido no poder, ADI, já governou por mais tempo do que qualquer outra força política.
A Comissão Permanente do partido também se pronunciou sobre o impasse institucional na Procuradoria-Geral da República, após o cancelamento da tomada de posse da magistrada Miris Botelho.
“É urgente que as autoridades levem mais a sério as questões de Estado, agindo com sensatez, prudência e profissionalismo”, lê-se no documento.
Por fim, o PCD expressou solidariedade às famílias são-tomenses afetadas pelo desmantelamento de habitações precárias no município de Loures, em Portugal, classificando os acontecimentos como uma “arrepiante falta de humanismo”. No entanto, apelou também à diáspora para que atue sempre com base no respeito pelas leis dos países de acolhimento, como forma de preservar a dignidade do povo são-tomense no exterior.