O presidente do Partido de Convergência Democrática (PCD), João Bonfim, traçou um balanço severo do ano político e social de 2025, classificando-o como um período de grandes expectativas frustradas, marcado pelo incumprimento de promessas governamentais, agravamento do custo de vida e falhas graves nos serviços básicos. A posição foi expressa numa mensagem de Ano Novo divulgada esta terça-feira, 30 de dezembro.
João Bonfim recordou que a demissão do 18.º Governo pelo Presidente da República abriu, na altura, um clima de esperança e união nacional, com a população a conceder ao novo Executivo todas as condições para governar. Contudo, segundo o líder do PCD, essa esperança deu lugar a uma profunda desilusão.
“O país acreditou num novo começo, mas a realidade mostrou que grande parte das promessas não passou de retórica”, afirmou.
O líder do PCD denunciou a deterioração contínua das condições de vida, sublinhando que trabalhadores, empresários, reformados, jovens e crianças enfrentam diariamente o aumento dos preços dos bens essenciais e dos serviços, empurrando mais famílias para a pobreza.
João Bonfim destacou ainda a grave crise no abastecimento de água e energia, revelando que várias localidades do país permanecem há mais de quatro meses sem fornecimento regular de água, situação que compromete seriamente a saúde pública e a dignidade das populações.
Segundo o partido, o Governo tem-se limitado a anunciar prazos sucessivos que não cumpre e a adotar medidas consideradas ineficazes.
O PCD apontou igualmente o estado de degradação das estradas e ruas, incluindo artérias emblemáticas da capital, como as vias de acesso à Televisão de São Tomé e à Universidade, classificando a situação como “vergonhosa”.
João Bonfim questionou as constantes deslocações de membros do Governo ao estrangeiro, alegando que muitas dessas viagens não produzem resultados concretos para o país, sendo apresentadas ao povo apenas como propaganda política, o que contribui para o descrédito do Executivo.
O líder do PCD manifestou profunda preocupação com a ausência de avanços no processo de 25 de novembro de 2022, relacionado com a tortura e o assassinato de quatro cidadãos.
O processo ainda não chegou à fase de julgamento, mantendo, segundo o partido, um civil injustamente detido.
João Bonfim revelou que o PCD propôs a amnistia do cidadão Lucas e a indemnização das famílias das vítimas, propostas que não foram acolhidas até ao momento.
O presidente do PCD afirmou que o partido está preparado para assumir responsabilidades governativas, destacando a elaboração de um programa de governação estruturado, aprovado pela nova direção eleita em março de 2024.
João Bonfim acredita que o próximo ano pode marcar um ponto de viragem, defendendo que a pobreza não é uma fatalidade e que São Tomé e Príncipe pode construir um futuro de estabilidade, desenvolvimento e dignidade.
Waley Quaresma