
5 Variedades de Tartarugas, transformam São Tomé e Príncipe num dos seus últimos redutos no mundo. A espécie SADA por exemplo só existe na ilha do Príncipe. Face a ao perigo de extinção da espécie a nível mundial, o Programa de Conservação e Utilização dos Ecossistemas florestais da África Central, lançou uma intensa campanha de protecção da tartaruga.
A carapaça utilizada para produção de objectos de valor, foi proibida. Mas em São Tomé e Príncipe a carne da tartaruga também é muito consumida. A campanha de sensibilização das populações encontrou muita resistência. Alguns pescadores juravam que iriam continuar a caçar tartaruga porque a carne é muito saborosa, e os artesões chamados tartarugueiros também resistiam porque não tinham outra forma de ganhar sustento.


Mais de 10 anos depois da proibição do comércio da tartaruga e dos seus derivados, num dos labirintos do bairro do Riboque nos arredores da capital- São Tomé, Carlos Alberto Trindade, mostra que o homem sonha e obra nasce. A protecção das tartarugas não significou o fim da sua criatividade artística.
O homem que desde os 8 anos de idade aprendeu a construir objectos de valor através do casco de tartaruga, encontrou outra matéria-prima para continuar a fazer arte. «Fui artesão de tartaruga. Após essa situação de proibição do uso da tartaruga e seus derivados, tive que criar uma alternativa. Com base na minha ciência de trabalhar tartaruga, passar para uso de cornos, seja de boi, cabra, etc», explicou Carlos 
Corno de boi é matéria-prima que continua a fazer arte e a dar sustento a família numerosa do artesão. «Estou satisfeito porque tenho tido rentabilidade. Tenho tido algo para suprir a necessidade da minha família em casa», frisou.
Num país onde a produção de gado é praticamente nula, Carlos Alberto Trindade importa cornos dos países vizinhos de São Tomé. «Em São 
O custo de produção é alto, mas a qualidade do produto final, dá segurança financeira ao artesão. «Compro uma corneta a preço de 100 a 150 mil dobras. Um par pode atingir 300 mil dobras. Se tiver sorte e encontrar turista a obra sai. Caso contrário é desgraça. Já antes com o casco da tartaruga era 30 mil vezes mais barato. Para além da força física que deve ser empregada no uso da corneta», sublinhou.
Para o artesão as tartarugas podem desovar e nadar tranquilas no mar de São Tomé e Príncipe. Os cornos de bois e cabras, não estão em vias de extinção.

Corno é a matéria-prima de um artesanato, que alimenta o turismo, e permite a São Tomé e Príncipe manter-se como um dos últimos berços das tartarugas no mundo.
Abel Veiga