Sociedade

Alta prevalência do álcool nas escolas ameaça futuro do país 

Nos finais do ano 2013 foi realizado um inquérito piloto sobre o consumo excessivo de álcool e drogas no distrito de Lembá no norte da ilha de São Tomé.

O inquérito piloto realizado por Isabel de Santiago investigadora da Faculdade de Medicina de Lisboa, evouliu para um patamar mais abrangente.

A Faculdade de Medicina de Lisboa assinou acordo com o Ministério da Educação de São Tomé e Príncipe, que alargou o grupo alvo do inquérito sobre o consumo excessivo de álccol e drogas no país.

Os alunos do ensino secundário de São Tomé e Príncipe, num universo de 16924 jovens passaram a ser o alvo da pesquisa que pretendia avaliar a frequência do consumo de álcool e drogas.

O inquérito nacional sobre o consumo excessivo de álcool e drogas em meio escolar são-tomense envolveu 12% da população alvo, ou seja, 2064 jovens estudantes do ensino secundário.

Segundo a investigadora Isabel de Santiago, foi o primeiro estudo sobre o consumo excessivo do álcool e da droga no meio escolar, realizado no espaço lusófono em África e sob a coordenação de uma instituição internacional credível, no caso, a Faculdade de Medicina de Lisboa.

O resultado do estudo acabou por ser escandaloso, reflectindo o grave problema de saúde pública que representa o consumo de álcool e drogas ilícitas em São Tomé e Príncipe.

Segundo a investigadora, trata-se de uma ameaça séria para o futuro do país, tendo em conta que o alcoolismo domina a maioria da população são-tomense. « A população escolar é a mais vulnerável e representa mais e 70% da população de São Tomé Príncipe. Representam o futuro do nosso país, e é com eles que eu tenho que trabalhar», declarou a investigadora Isabel de Santiago.

O resultado do inquérito fala por si. Em termos de frequência de consumo de álcool, no universo dos 2604 alunos inquiridos, os rapazes consomem mais  do que as raparigas; Masculino (58%), Feminino (43%).

Em termos de escalão etárioentre 15-18 anos o consumo do álcool varia de 39 à 46% . Já a partir dos 19 anos o consumo  é de 63% em São Tomé e Príncipe.

O inquérito desvendou que o consumo excessivo do álcool generalizou-se no país, e atinge níveis catastróficos conforme aumenta o escalão etário. Pois, no ensino nocturno (adultos), a percentagem de consumo é de 57%.

Já no ensino técnico a percentagem atinge os 76%. No ensino superior o álcool explode para 79%. «Todos bebem acima da média. Agora, a parte grave é no ensino superior que atinge 79%. É um escândalo», pontuou Isabel de Santiago.

Quanto ao consumo de drogas ilícitas, o estudo indica que no universo de jovens estudantes inquiridos 1% já experimentou drogas, como a Heroína e a Marijuana.

A investigadora da Faculdade de Medicina de Lisboa, considera que a fraca capacidade financeira da maioria da população são-tomense, tem evitado a explosão do consumo das drogas ilícitas. «São pessoas que já por si bebem excessivamente, se tivessem acesso ao dinheiro, não tenho menor dúvida que elas começariam a usar drogas de uma forma brutal», assegurou.

O inquérito nacional sobre o consumo excessivo de álcool e das drogas ilícitas, concluiu que o maior índice de prevalência, é registado nos distritos de Água Grande com 56% de prevalência do alcoolismo, por sinal o mais populoso do país e que envolve a capital São Tomé. Já o distrito de Lembá no norte da ilha de São Tomé regista 57%.

Os resultados do primeiro inquérito do género realizado no espaço lusófono   foram validados no ano 2015, e publicados em Curitiba-Brasil, em Maio do ano 2016, durante a conferência mundial de educação e promoção da saúde. . O leitor pode confirmar isso mesmo, pelo certificado emitido na conferência de Curitiba-Brasil – CERTIFICADO_PARTICIPAÇÃO_IUHPE_CURITIBA_BRAZIL

O estudo também teve divulgação e mereceu elogios de parceiros internacionais, durante uma conferência realizada em Atlanta nos Estados Unidos de América. «A prevalência de álcool e drogas é elevada na população escolar são-tomense, o que constitui uma séria ameaça à saúde pública. Esses jovens vão ter um futuro pouco risonho», concluiu Isabel de Santiago.

Para além de ser um problema de saúde pública em São Tomé e Príncipe, o consumo excessivo do álcool e das drogas ilícitas, pode estar na base de outros problemas com que a sociedade são-tomense se confronta neste momento. Nomeadamente a violência doméstica e o aumento da criminalidade.

O leitor deve analisar ponto por ponto, o resultado do inquérito, que revela a realidade são-tomense em termos do índice de alcoolismo e do consumo de drogas no meio escolar.

Clique –  CONCLUSÕES_IUHPE_PT_MJDH_2017_03_12

Téla Nón

    7 comentários

7 comentários

  1. Alligator

    8 de Fevereiro de 2018 as 8:25

    Não haveria um certo exagero neste inquerito? Sera que bebe-se tanto assim, no universo academico ca em STP?
    Tenho minhas duvidas quanto a veracidade deste inquerito. Esta senhora Isabel não sei das quantas…., ja fez este mesmo estudo no universo academico Portugues? Porque uma coisa e certa, os Portugeses bebem muito mais do que nos.
    Alias os Europeus em geral!

    • rapaz de riboque

      8 de Fevereiro de 2018 as 14:00

      Rapazinho esta-se a falar de São Tomé não tenhas com Bla Bla Bla😎

      • Falar Verdade

        9 de Fevereiro de 2018 as 8:52

        Concordo plena com o Sr. Alegattor!
        Tenho as minhas dúvidas quanto a veracidade deste inquérito!
        Sabemos perfeitamente que os nossos jovens têm consumo um pouco o álcool, mas tem sido uma minoria.
        Estudei em Portugal, e tive o privilégio de conviver com jovens portugueses, apercebi-me que os mesmos consumem bebidas alcoólicas mais do que os jovens são-tomenses.
        Por isso, devemos tomar cuidados com estudos feitos pelos europeus, visto que a intenção dos mesmos é denegrir a imagem dos Estados Africanos, de modo a continuarem a submeter-nos a pobreza.
        Abre vista irmão africano!

        • Paul Rodrigues

          9 de Fevereiro de 2018 as 11:21

          Que mentalidade! Quando se fala de são Tomé e Príncipe, lá vêm com a conversa de Portugal! O consumo de álcool e outras drogas nas escolas em Portugal está bem documentado e continua a ser estudado. Em São Tomé e Príncipe alguém o fez? Não é necessário saber ou é incómodo? Quem vos submete à pobreza são os vosso governantes, a quem não interessa, salvo honrosas excepções, que a população se eduque para poderem continuar a explorar-vos. Se o estudo é perfeito, não sei, mas sei que é necessário e poderá ser útil, isso não deve deixar dúvidas a ninguém.

          • Falar Verdade

            9 de Fevereiro de 2018 as 18:02

            Meu caro Paul Rodrigues, por favor respeite a opinião de outrem.
            Se te ofendi pelo facto de ter feito uma apreciação comparativa, fazendo referência à Portugal, fi-lo sem segundas intenções.
            Aceito que a nossa pobreza (STP) deve-se sobretudo aos nossos governantes, mas não devemos desculpabilizar nunca os antigos países colonizadores pelo atraso socioeconómico dos países africanos.
            Todo estudo científico é bem vindo, mas não posso admitir um estudo de grande relevância, que custa caro ao País, desprovido de rigor e neutralidade, e que pode em causa o bom nome da nossa juventude.
            O Senhor, salvo erro, não vive em São Tomé e Príncipe, eis a razão de não compreender a minha reação, pois vivo e convivo diariamente com os jovens são-tomenses.
            Os dados apresentados pela consultora portuguesa não deve ser objeto de aceitação por parte dos são-tomenses, visto que ao olho os nossos jovens não têm consumido bebidas alcoólicas e drogas, como fez transparecer o dito estudo.
            Infelizmente, o senhor Paul não tem a mínima noção deste estudo sem grande sustentabilidade científica, pois pode ter efeitos nefastos à imagem de um país e de um povo.
            Sou são-tomense adepto de informações verídicas e não aceito as informações especulativas.
            Infelizmente, o que se passa em São Tomé e Príncipe, é que subestimam as competências dos técnicos nacionais em detrimento dos estrangeiros.
            Abre vista irmão africano! Fui…

  2. Reflexão

    9 de Fevereiro de 2018 as 14:06

    Caros Alligator e Falar Verdade, faço das minhas palavras as vossas. Os jovens Santomenses bebem e usam drogas sim. Mas a percentagem ora apresentada pela investigadora deixa-me muitas dúvidas que estas sejam reais. Os jovens usam álcool principalmente nos finais de semana nas discotecas, nos seus bairros ou ainda nos outros locais. Mas esta elevada prevalência na população escolar são-tomense, como faz referência, precisa de um estudo mais detalhado e o levantamento deve ser feito com muita precisão para se evitar especulações que possam vir a denigrir a imagem dos nossos jovens e do país, se compararmos com outros cantos onde este consumo é de facto muito mais exorbitante. Entretanto reconheço que o consumo excessivo deste produto pode comprometer futuro risonho dos mesmos, pois, entre outras consequências, diminui consideravelmente a sua intelectualidade. Outra crítica que faço é no que concerne a foto destes belíssimos meninos que transparece neste triste episódio.

  3. José joão Dinis

    9 de Fevereiro de 2018 as 14:10

    Acho que o facto de se apresentar fotos de salas de aulas, creio o liceu, é um disrespeito para com os alunos e o Ministério da Educação. Onde é que se viu que alunos a este nivel e nesta idade a beberem e de forma dramatica como se evoca? Em STP? Se calhar num outro país, deve ser engano ou então deve-se ter confundido os dados de STP como de uma outra parte se calhar mesmo de Portugal. Aí sim, estes gajos não brincam com o vinho sobretudo caseiro, lá da vôvô.

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